quarta-feira, abril 6

Já escolheu a sua Livraria preferida de Lisboa?


Qual a sua Livraria Preferida? - Votação

Durante o mês de Abril, até 15 de Maio, está a decorrer uma votação, na APEL, para eleger a Livraria Preferida de Lisboa, no âmbito da iniciativa “Ler em Todo o Lado”.
Se a sua livraria preferida de Lisboa é a Pó dos livros, vote aqui. Se não for vote também.
Razões para votar na Livraria Pó dos Livros:
Origem da Pó dos Livros:

A ideia do nome da livraria Pó dos Livros surgiu-me quando estava a ler o livro "A Sombra do Vento", de Carlos Ruis Zafón. É um livro que, para além de muitas outras coisas, nos fala de um cemitério de livros esquecidos - livros cheios de pó. Este facto recordou-me uma pequena história passada comigo e com o meu pai durante a minha infância. O meu pai era um bibliófilo, comprava e lia compulsivamente. Um dia, pela tarde, em que mais uma vez chegava a casa com um saco cheio de livros, velhos e com pó, perguntei-lhe:

- Pai, porque é que compra sempre livros velhos e cheios de pó?
- Foi precisamente por terem pó que eu os comprei.
- Não entendi...
- Os livros com pó são os livros que resistiram ao tempo, por isso os considero importantes.

Jaime Bulhosa



A Pó dos Livros é uma livraria de bairro, independente, alternativa, com livreiros experientes e gosto pela partilha das suas leituras. Tem um conceito arquitectónico que nos transporta para um ambiente retro, decorada com objectos de outros tempos, fazendo lembrar as antigas e tradicionais livrarias de Londres, com estantes altas, negras, de madeira trabalhada, e com as paredes coloridas. Procura atrair um público diferenciado do das livrarias de grande superfície, clientes mais exigentes, mais selectivos, se quiserem. Oferecemos um largo conjunto de livros, que passa pelas novidades editoriais dos autores mais valorizados, pelo fundo de catálogo, livros raros e usados, pelos clássicos da literatura que, cada vez mais, são difíceis de encontrar nas livrarias de centro comercial. Tentamos dar o máximo de visibilidade aos catálogos das pequenas editoras, a edições de autor e a textos esquecidos. Privilegiamos, sem nenhum pudor de o expressar, as editoras e chancelas de qualidade. Somos particularmente exigentes na selecção dos livros da secção infantil e juvenil, tanto em termos da qualidade gráfica como pedagógica. Afinal de contas, é quase sempre nestas faixas etárias que se ganha o apetite, ou não, pela leitura. Tentamos sempre satisfazer aqueles pedidos que ninguém quer aceitar, porque dão muito trabalho e pouco retorno financeiro, isto é, fazemos, sistematicamente, périplos pelos alfarrabistas, feiras de usados, etc., em busca de um só livro que há muito se encontra esgotado, mas que o cliente deseja muito adquirir. Por vezes, dizem-nos que fazemos milagres. Apostamos nos novos meios de comunicação gratuitos que a Internet nos proporciona, como o blogue, umapágina Vintage de venda de livros raros, usados, o twitter e o facebook. Acreditamos não errar se dissermos (e passamos a imodéstia) que a Pó dos Livros é a livraria independente com o maior número de seguidores no facebook, sendo o nosso blogue um dos mais visitados na área dos livros. 

Prémios:
- Melhor Livraria Independente, 2007/2008 (Revista Ler e Booktailors).
- Melhor Blogue de Livraria ou Editora, 2008/2009 (Blibie)
- Livraria Preferida de Lisboa 2.º Prémio, 2013 (APEL e Bibliotecas Municipais de Lisboa, CML)

sexta-feira, fevereiro 19

Também nos preguntamos.


Entra uma cliente, olha para um lado e depois para o outro. Faz vários esgares esquivos, parece estranhar qualquer coisa na livraria, talvez o facto de conter alguns livros antigos. 
Pressentindo qualquer coisa, o livreiro decide cumprir o seu dever:

Livreiro: Bom dia. Em que posso ser útil?

Cliente: Diga-me uma coisa, para que é que serve esta livraria?

Livreiro: ?...

Jaime Bulhosa

quarta-feira, fevereiro 17

Muitas vezes não pareça...



O livreiro novato para o livreiro mais antigo:

- Mestre, como posso distinguir os temas dos livros e saber onde os arrumar?

- Os livros com textos antigos vão para a filosofia. Os livros com textos curtinhos e, às vezes com rima, vão para a poesia. Os livros com diálogos e didascálias vão para o teatro.

- Didas… quê?

- Didascálias.

- Ah!... E o resto?

- O resto?!… Embora, muitas vezes não pareça, é tudo ficção.

quinta-feira, fevereiro 4

Aconselhando livros



- Já leste este livro?
- Não.
- E este?
- Também não.
- E já agora este?
- Não, também não.
- Puxa! és uma rapariga de sorte.
- De sorte!?... Porquê?
- Porque tens a sorte de os ir ler pela primeira vez.

terça-feira, dezembro 15

Pensamento do dia


«Toda a minha vida procurei nos livros respostas para a curiosidade mais profunda. Tenho lido, muito até, mas não sei se tenho lido os livros certos. Parti para a leitura com o espírito aberto, perguntando: Qual é a resposta? Todos os livros fizeram silêncio. 
Vou mudar de paradigma e passar a perguntar: Qual é a pergunta?» 

Livreiro anónimo

As Leituras e as Estações do Ano


Não tenho nenhum estudo científico que sustente a sensação que tenho de que as pessoas lêem mais determinados temas de acordo com as estações do ano. Apenas constato isso através da análise que faço das vendas.

No Inverno: estamos mais predispostos a ler não-ficção, ensaio, poesia ou aquele clássico de quinhentas páginas que estava à espera na mesa-de-cabeceira, desde o Verão passado (para ganhar coragem).

Na Primavera: a ficção “leve” ou light, (como quiserem chamar-lhe) dispara no número das vendas, e todos os livros que falem de paixões, sexo, namorados, amantes ficam de repente na berra. Também os livros de auto-ajuda aumentam significativamente (para os que não conseguem acompanhar o chamamento primaveril da Natureza).

No Verão: a literatura de viagens, desporto, o romance para ler na praia.

No Outono: sem dúvida, os romances históricos são os mais vendidos. Os livros de direito são igualmente muito procurados nesta estação (necessitamos deles para nos tentarmos livrar das alhadas em que nos metemos nas duas estações anteriores).

No Natal: é uma quadra à parte, pois vende-se de tudo, mas não acredito que se leia tudo o que se vende.

Não fui o único a reparar nesta tendência, alguns editores (principalmente as que editam para as grandes massas) já o fizeram antes. É só estarmos com atenção ao tipo de livros que saem em cada estação e olharmos para as capas.

No Inverno: predominam as capas a preto e branco, as cores escuras, as paisagens de montanha com neve e chuva, as lareiras.

Na Primavera: as flores, as cores vivas, as mulheres bonitas, carros desportivos e vedetas de televisão.

No Verão: as praias, areia, corpos bronzeados, conchas e paisagens tropicais.

No Outono: as planícies e paisagens rurais, as árvores com as folhas a caírem, os verdes, castanhos. Monumentos e pinturas com temas históricos (não podemos esquecer que estamos na estação do romance histórico).

No Natal: é fácil – temos o Pai Natal.

Um editor que não tenha em atenção estes pormenores e que edite um romance com uma capa de Verão no Inverno, arrisca-se a só o vender na estação seguinte.
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Jaime Bulhosa

quarta-feira, novembro 25

Lançamento do livro Arte Nua, 27 de Novembro, pelas 18h

Sobre o autor:
Luís Viegas Mendonça nasceu em Lisboa, em 7 de Novembro de 1958. Iniciou-se na fotografia em 1974, como amador, tendo mantido essa atividade até hoje. De 1979 a 1983 trabalhou como fotógrafo profissional no Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto (fotografia médica). Simultâneamente, de 1981 a 1983, foi fotógrafo de moda para as Confecções Pulido e para a cadeia de lojas Chez Elle. Licenciou-se em Engenharia Civil, no Instituto Superior Técnico, em 1983.
Publicações
Tem várias fotografias publicadas em livros, em brochuras publicitárias e em revistas da especialidade. É co-autor dos livros “Olhar a Nú” e “Essência e Memória, Vol. IV – Antologia Luso-Brasileira de Fotografia Contemporânea”, ambos da Chiado Editora. Autor de um calendário para a Fashion World Models.
Distinções nos últimos 5 anos
Fotógrafo do mês, no site Modelos PT, em Agosto de 2010.
“Picture of the Day”, no site Model Mayhem, em 23 de Setembro de 2010.
Portfolio publicado nas revistas Hot Magazine nº 7 e Fashion World Models nº 16.
“Best nude picture of the day”, pelo site Fashion World Models, 32 vezes.
“Best black & white picture of the day”, pelo site Fashion World Models, em 26 de Março de 2015.
“Best hot/sexy shoot of the day”, pelo site Fashion World Models, 3 vezes.
“Best picture of the day”, pelo site Fashion World Models, 4 vezes.
“Daily Featured Member”, pelo site Model Bliss Net, 24 vezes.
“Weekly Featured Member”, pelo site Model Bliss Net, 3 vezes.
“Imagem do Dia”, pelo site Liquid Images, 4 vezes.
Biografia publicada na revista SoWhat Magazine nº 12, em Agosto de 2015.
O autor e a fotografia
Fotografa por paixão e com entusiasmo. Gosta do “preto e branco”, pelo ênfase da emoção e do sentimento alcançado. Considera a Arte Fotográfica como uma forma de expressão artística que provoca emoções e reflexões. As suas imagens são maioritariamente fotografias de nu artístico.

Gosta de fotografar a silhueta humana e a pessoa só. Gosta de acreditar que consegue registar, de forma simples e direta, imagens fotográficas de corpos onde a estética e a sensualidade transparecem.

segunda-feira, novembro 23

Talento


Não haverá nada pior para um “escritor” sem talento, do que ceder ao impulso irresistível da inspiração. É como sentir uma repentina e dolorosa cólica, correr para a privada mais próxima, deixar a imaginação livre e, só depois, aperceber-se de que não há papel para registar a sua obra.

Livreiro anónimo em reflexões autobiográficas.

sexta-feira, novembro 20

Saber enciclopédico


Uma pequena estória do tempo em que o acesso à informação não era tão fácil e rápido como hoje é através da Internet:

- Tem algum livro sobre a Vida?
O velho livreiro, prazenteiro, responde com a sabedoria que só as rugas do seu rosto permitem:
- Ó meu caro rapaz, todos os livros que temos são sobre a vida, mesmo os que são sobre a morte, ah, ah, ah. Lewis Grizzard, por exemplo, dizia que a vida é uma doença terminal sexualmente transmissível, ah, ah, ah. Truman Capote, dizia que a vida é uma peça de teatro, moderadamente boa mas com um péssimo terceiro acto e…
O livreiro é bruscamente interrompido, nas suas citações literárias, pelo cliente mal-humorado.
- Se é isso que tem a dizer sobre a Vida mais valia ter ficado calado.
O livreiro apercebendo-se que o cliente tem sempre razão, mesmo quando não tem, responde:
- Tem razão, sobre a Vida eu não sei nada. Faça-me só o favor de ser um pouco mais específico?
- O que eu quero, se for capaz de realizar o seu trabalho em condições, é apenas que me indique um livro, e não a sua opinião, que me dê uma definição concreta, corpórea, palpável, definitiva, sobre a Vida e nada de citações literárias, mais ou menos vagas, de poetas ou escritores. Não sei se percebeu… ou terei vindo ao sítio errado?
- Não, acertou em cheio, senhor. Deseja uma definição sobre a Vida, tipo enciclopédica?
O cliente, como se tivesse visto a luz, exclama:
- Isso, até que enfim!
- Bem, temos aqui na livraria a Enciclopédia Britânica, melhor não pode haver. Esteja à vontade, a casa é sua.
O cliente pega num dos pesados volumes da enciclopédia, agarra um monte de folhas, abre-o numa das páginas correspondente à letra L, percorre com o dedo indicador as várias entradas, até que encontra a palavra desejada, Life.
Life: «There is no generally accepted definition of life».
(Encyclopedia Britannica)

Jaime Bulhosa

terça-feira, novembro 17

O eterno marido



- Tem o livro, O Eterno Marido, de Dostoiévski?
- Tenho sim. É para oferta?
- É para oferecer ao néscio do meu marido. E vai com dedicatória! Não sei se me faço entender!?... – Diz a senhora, sorrindo maliciosamente.
- Com certeza! – Digo eu, sem fazer mais perguntas.

Nota: para quem não leu o livro o «eterno marido» é aquele tipo de homem que por mais que seja enfeitado é sempre o último a saber.

segunda-feira, novembro 2

Vamos dar cabo da Literatura

Mário de Carvalho é um dos autores mais conceituados da literatura portuguesa contemporânea. Com uma obra vasta e versátil, é contista, dramaturgo, romancista, cronista e ensaísta. Provocante, irónico, tem todas as qualidades necessárias para “dar cabo da literatura” e pôr-nos a pensar nela. Escritor que viveu na pele a ditadura de Salazar, perseguido e exilado, figura incontornável da cultura portuguesa da actualidade, tem histórias para nos contar e encantar. Esta é uma iniciativa que se inscreve nas actividades do PEN Clube Português.
Na Livraria Pó dos livros, dia 4 de Novembro, pelas 18.00, à conversa consigo.

terça-feira, outubro 20

Floresta virgem

Ilustração de A. de Pinho

Nota: Resposta encontrada dentro de um livro escolar antigo de Ciências da Natureza:

Pergunta: O que entende por Floresta Virgem?
Resposta: A Floresta virgem é uma floresta que nunca foi penetrada pelo o homem.
Certo!

segunda-feira, outubro 19

O Princípio Moral e o Interesse Material



Encontram-se, um dia um Princípio Moral  e um Interesse Material, no leito duma ponte tão estreita que só podia dar passagem a uma pessoa de cada vez.
- De rastos, vil criatura! – gritou, tonitruante, o Princípio Moral. – De rastos, para que eu te possa passar por cima.
O Interesse Material limitou-se a fitá-lo bem nos olhos, sem proferir palavra.
- Bem – admitiu o Princípio Moral, num tom hesitante – tiramos à sorte, para sabermos qual de nós dois deve recuar até que o outro haja passado a ponte.
O Interesse Material continuou sem abrir boca e a fitar o seu interlocutor.
- Para se evitar um conflito – parlamentou o Princípio Moral, não sem certo mal-estar – vou estender-me no chão e consentir que o senhor passe por cima de mim.
Foi então, que o Interesse Material tomou a palavra para afirmar:
- Pois eu penso que você não é bom piso para mim. Sou muito exigente quanto ao que calco aos pés. Acho melhor que se atire ao rio.
E assim se fez.   

Ambrose Bierce

quarta-feira, outubro 14

uma em mil



- Bom dia. Tem algum livro daquele filósofo... não me lembro do nome, que escreveu sobre Ética?
- Não leve a mal, mas há dezenas, se não centenas de filósofos que escreveram sobre Ética. Essa é uma pergunta espinhosa.
- É isso mesmo! Espinosa, Bento de Espinosa. 

segunda-feira, outubro 12

Os loucos


A livraria atrai todo o tipo de pessoas, escritores, poetas, crianças e claro… loucos. Num fim de tarde, um louco, com cara de louco, entra na livraria e pergunta:
- Tem livros sobre baratas?
O livreiro desconfiado:
- Baratas!?...
- Deixe que lhe explique. Eu sei que você não vai acreditar e é provável que me ache louco, mas tenho uma barata em casa que fala comigo.
- Pelo contrário, acho até bastante interessante. E digo-lhe mais, ultimamente também tenho falado com uma, até lhe dei o nome de Kafka!
Ainda o livreiro não tinha terminado a frase e já o cliente meio apavorado fugia porta fora...

Jaime Bulhosa

terça-feira, outubro 6

Poesia


«Um dia um poeta francês foi apresentado a um riquíssimo banqueiro. O apatacado e emproado personagem perguntou ao poeta:
- Para que serve a poesia?
E o poeta respondeu-lhe:
- Para o senhor, não serve para nada.»

Anónimo