sexta-feira, abril 4

Jorge Fallorca (1949-2014)


Comecei a compreender que este lugar é o verdadeiro destino de que tenho andado à procura, e que a minha vida aqui, ainda que dolorosa, é o meu verdadeiro destino, do qual passei toda a vida a tentar fugir.

Jorge Fallorca, escritor e tradutor. Um amigo que me mostrava sempre o melhor que a vida tem. Vou sentir a tua falta.

Jaime Bulhosa

quarta-feira, março 26

As 50 Posições


Não passa uma semana sem que saia um livro sobre sexo. A vontade de ler sobre sexo só é ultrapassada pela vontade de o praticar. Deve ser por esta razão, que o livro As 50 Posições se encontra em primeiro lugar, desde há seis meses, como o livro mais visto da nossa página de vendas Vintage, apesar de termos disponíveis obras raras e de valor literário. E a propósito, ainda ontem telefonaram para a livraria a perguntar o preço do livro As 50 Sombras de Grey. Informei o cliente que se tratava de uma trilogia. O senhor ficou muito admirado pela obra ser tão extensa. No entanto, não deixou de me perguntar:
- E são ilustrados? 

Jaime Bulhosa

terça-feira, março 18

Festa da francofonia na Pó dos livros







Este ano, a festa da francofonia, organizada pelo Institut Français du Portugal, estará também na Pó dos livros:

Hoje, terça-feira, 18 de Março, às 17h00 - Leituras de L'Histoire du Portugal par coeur, de Almada Negreiros, por Fernando Cabral Martins e Sílvia Laureano Costa.

Quarta-feira, 19 de Março, às 17h00 - Encontro com os poetas Nuno Júdice e Marco António Campos.

Quinta-feira, 20 de Março, às 10h00 - Contos Daqui e Dali, com Alice Vieira.

Quinta-feira, 20 de Março, às 18h30 - Je veux une vie en forme d'arête. Vida e humor em Boris Vian, por Rosa Azevedo. Através de uma leitura encenada, vamos percorrer a atípica vida de Boris Vian, o verdadeiro homem dos sete instrumentos, sete vidas, sete profissões e perceber a forma como o humor esteve sempre presente em todas elas.

CURSO DE POESIA PORTUGUESA MODERNA E CONTEMPORÂNEA


Federico Garcia Lorca

ABRIL-JULHO DE 2014

por
 António Carlos Cortez


(Lisboa, 1976). Professor de Literatura Portuguesa.
Poeta, crítico e ensaísta. Colaborador permanente do Jornal de Letras
e de revistas da especialidade (Colóquio-Letras e Relâmpago).
Publicou sete livros de poesia, o último dos quais na Relógio d'Água,
intitulado «O Nome Negro».


No quadro de evolução das formas poéticas em Portugal, a segunda metade do século XX é um dos momentos mais ricos no que diz respeito à criação literária.
De Pessoa a Jorge de Sena, passando por Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade, sem esquecer Cesariny e Alexandre O’Neill, até obras como as de Fiama Hasse Pais Brandão, Luíza Neto Jorge ou Gastão Cruz, não sofre contestação que há dois momentos definidores desse percurso moderno e contemporâneo na nossa poesia.
Um primeiro momento, que vai de 1915 a 1935 e abrange o Modernismo e movimentos adjacentes, com suas revistas (Orpheu, Athena, Centauro, Presença, entre outras publicações), e suas figuras de proa (Pessoa, Sá-Carneiro, Almada, até chegarmos a Vitorino Nemésio, fundador da Revista de Portugal). Todavia, esse primeiro momento não pode ser compreendido sem recuarmos às experiências finisseculares e muito em particular às poéticas de Cesário, António Nobre e Camilo Pessanha.
Um segundo momento da nossa contemporaneidade poética abarca sensivelmente as seguintes datas: de 1958, ano em que se estreiam Ramos Rosa e Herberto Helder, até 1970, ano em que Fiama Hasse Pais Brandão edita (Este) Rosto.
A década de 60 surge-nos, pois, como um lapso de tempo fecundo em que poetas de gerações anteriores, nomeadamente os que se lançaram em livro na década de 40 (Sena, com Perseguição, em 1942, Carlos de Oliveira, editando Turismo, igualmente em ‘42, Sophia, com Poesia em 1944, Cesariny em 1947, via Surrealismo, Eugénio de Andrade em 1948...) estão activos e alcançam fortuna crítica, determinando um olhar sobre o Modernismo, agora visto como já sendo «clássico». Os mais jovens dessa década de 60 – com relevância para os poetas de «Poesia 61» e outros como Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho ou Ana Hatherly, reinterpretam, adequam ou de algum modo revivem certa aventura órfica... A aventura da linguagem, a aventura da palavra em constante estado de invenção.
Com o fito de interelacionar esses tempos poéticos – o oitocentista, o modernista e os anos sessenta – este curso dirige-se a investigadores, professores, alunos dos ensinos Secundário ou Universitário, e demais comunidade leitora. O curso contará com a presença de alguns convidados em determinadas sessões.


A PÓ DOS LIVROS, celebrando também os 40 ANOS DO 25 DE ABRIL, convida todos os interessados a frequentar este TEMPO DE POESIA, cujas sessões seguem abaixo sumariadas, as quais decorrerão sempre entre as 18.00 e as 19.30, às Quartas-feiras.

Inscrições: 45.00€ (para todas as sessões)
Tel: 21 795 93 39
Avenida Marquês de Tomar n.º89
1050-154 Lisboa
e-mail:podoslivros@gmail.com



2 de Abril: 1ª sessão:

CESÁRIO VERDE, «PINTOR NASCIDO POETA»

Cesário Verde: temas e linguagem. A épica breve: «O Sentimento dum Ocidental», coordenadas de leitura, processos retóricos, a estilística e a novidade da poesia de Cesário.

9 de Abril: 2ª sessão:

ANTÓNIO NOBRE: «LUSITÂNIA NO BAIRRO LATINO», leitura metódica. Figuração do poeta em António Nobre; coloquialismo e heteronímia, hipóteses de leitura. Organização estrófica, rigor frásico e métrico, visões do real sob a óptica do decadentismo.

16 de Abril: 3ª Sessão:

CAMILO PESSANHA: Clepsydra (1920). História de um livro, estrutura dos textos. Simbolismo, importância da visão refractada do real, releitura de alguns poemas: «Inscrição», «Tenho sonhos cruéis: n’alma doente», «Passou o Outono já, já torna o frio...» e «Chorai arcadas». A lei das correspondências, a importância da imagem e da metáfora. Os símbolos.

 23 de Abril: 4ª Sessão:
FERNANDO PESSOA: HETERONÍMIA E FICÇÃO LITERÁRIA, COMO LER?

Abordagem geral sobre a poética pessoana. Leitura e análise de quatro poemas do ortónimo: «Ao longe ao luar», Autopsicografia» «Isto» e «A morte é a curva da estrada». Fingimento, auto-conhecimento e poesia. Tradição dramática e o poeta como figurador/encenador. Os heterónimos como criação de estilos. O efeito da assinatura.

30 de Abril: 5ª Sessão:
FERNANDO PESSOA E ALBERTO CAEIRO

Entre o que se diz que é e o que se escreve: coordenadas de leitura de Caeiro, o Mestre. O bucolismo como hipótese falhada da poesia na modernidade. O funcionamentop do «como se» em alguns fragmentos de «O Guardador de Rebanhos».

7 de Maio: 6ª sessão:
FERNANDO PESSOA E RICARDO REIS, RESPONDENDO A CAMPOS – DIÁOLOGOS SOBRE O MESTRE

Releitura de «Ode Triunfal» (ou o anti-triunfalismo de uma ode) e de duas odes de Reis: «Para ser grande sê inteiro» e «Quando, Lídia, vier o nosso Outono». Diferenças de linguagem, de visões do mundo e de poética.

14 de Maio: 7.ª sessão
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO, CONTINUADOR DE NOBRE?

Releitura de «Álcool» e de «A Queda». Imagens do poeta em Sá-Carneiro; interseccionismo e simbolismo; o poema como perfeição formal e o poeta como cinzelador. Morte e suicídio, ficção literária e razão de ser desta poesia.

21 de Maio: 8.ª sessão

DE ALMADA NEGREIROS A VITORINO NEMÉSIO, SÍNTESE DE UM PERÍODO PÓS-ORPHEU - «ORPHEU NÃO MORREU, ORPHEU CONTINUA». Revistas literárias. Com a presença do Professor Fernando J. B. Martinho.

28 de Maio: 9.ª sessão
SOBRE JORGE DE SENA, ALGUNS ASPECTOS DA SUA POESIA E SUA PRESENÇA NA CULTURA PORTUGUESA

Alguns poemas sobre poesia. Poesia como testemunho e luta contra «as evidências». Releitura de um prefácio escrito por Sena sobre o que pretendeu ser a sua poesia. Releitura de dois poemas: «Uma pequenina luz» e «Noutros lugares». Meditação sobre a morte, o amor, a eternidade.

4 de Junho: 10.ª sessão
SOPHIA DE MELLO BREYNER – RIGOR, VEEMÊNCIA, FIDELIDADE À PALAVRA

Coordenadas gerais sobre a obra poética de Sophia: a poesia como ética. Relações com Cesário Verde: a importância do olhar. Leitura do poema «Cesário Verde». Releitura das artes poéticas II e IV. Forma e conteúdo e «No Poema», «Catarina Eufémia» e «A escrita». Verso livre e ritmo.

11 de Junho: 11.ª sessão
CARLOS DE OLIVEIRA: «AS PALAVRAS PESAM»

Para uma abordagem da poesia de Carlos de Oliveira. Os poemas como laboração, reescrita, cristais e cintilações. Leitura e análise de três poemas: «Soneto» («Acusam-me de mágoa e desalento») e de «Soneto» («Rudes e breves as palavras pesam»). Duas fases na poesia de Carlos de Oliveira: do neo-realismo à questão textual. Ainda um poema: «Salto em Altura IV». Convidado: Gastão Cruz

18 de Junho: 12.ª sessão
EUGÉNIO DE ANDRADE: RENTE AO DIZER

A poesia como «erótica verbal»; visões do corpo e da cidade em Eugénio. Figuração do poeta no autor de O Sal da Língua: do «Green God» à voz de «Um Rio te Espera». Fases ou facetas em Eugénio. Rigor métrico, herança popular, oralidade e escrita. Funcionamento da metáfora.

 25 de Junho: 13.ª sessão
MÁRIO DE CESARINY: PARA ALÉM DO SURREALISMO.

Alguns avisos sobre o surrealismo por Mário de Cesariny. Releitura de «O Virgem Negra». Leitura de «Poema podendo servir de posfácio»: automatismo e enumeração caótica e outros processos de escrita.

 2 de Julho: 14.ª sessão
DE ANTÓNIO RAMOS ROSA A HERBERTO HELDER, TANGENTES, ELIPSES E CIRCUNFERÊNCIAS.

Abordagem das poéticas de Ramos Rosa e Herberto Helder: leitura de «E certas palavras», de Ramos Rosa e de «    O Boi da Paciência». Verso livre, realismo e imagem em Ramos Rosa. Leitura de «As Musas Cegas (VII)» e de «a carta da paixão», de H. Helder. Alquimia verbal, magia, torrencialidade e alucinação na poesia. O caso Ana Hatherly. Convidado: Ana Marques Gastão.

9 de Julho: 15.ª sessão
OS ANOS 60: «POESIA 61», O QUE FOI?

Alguns aspectos evolutivos da linguagem poética portuguesa ocorridos nos anos sessenta: Fiama, Luíza Neto Jorge, Gastão Cruz, Maria Teresa Horta e Casimiro de Brito. Alguns poemas e alguma teoria. Realismo, linguagem, revisitação do modernismo? Poemas: «O texto de Joan Zorro»  e «Peregrinação e Catábase», de Fiama; «A porta aporta», «O Poema (I)) e «O Poema Ensina a Cair», de Luíza neto Jorge. Leitura de dois poemas de Gastão Cruz: «Os nomes desses corpos», «Erros» e «Dentro da Vida». As emoções linguísticas. Maria Teresa Horta e o poema como provocação; Casimiro de Brito, à procura de um equilíbrio.

 16 de JULHO: 16.ª sessão
RUY BELO:«SOBRE SINOS E VENTOS SIBILANTES»
Uma hipótese de leitura: interseccionismo e coloquialidade. Passado no presente do futuro: alguns poemas em análise: «Fala de um homem afogado ao largo da Senhora da Guia no dia 31 de Agosto de 1971» e «Poema para Catarina». Temas e processos textuais em Ruy Belo. Uma arte poética: «Um dia não muito longe não muito perto».

23 de Julho: SESSÃO DE ENCERRAMENTO

OUTROS POETAS DE 60 E O ANO DE 1979:
De Armando Silva Carvalho a Luís Miguel Nava: tensões e intenções na poética de 70. Rupturas e continuidades. Franco Alexandre, Helder Moura Pereira e Luís Miguel Nava.

Convidado: Nuno Júdice.

segunda-feira, março 10

Metáfora

Uma miúda dos seus 4 a 5 anos corre ofegante para o balcão:

- Eu estou a brincar às escondidas. Por acaso não tem um livro grande onde eu me possa esconder?
- Não temos um livro assim tão grande, mas podes esconder-te atrás de uma estante.
- (franzindo o sobrolho) Não percebo… a minha mãe diz que gosta de livros porque se pode perder dentro deles.
- Ah! Mas não me parece que seja exactamente isso que ela quis dizer.

segunda-feira, março 3

Um caso


Cliente: (com um livro esotérico na mão). Você acredita em vidas passadas?
Livreiro: Hum. Bem, eu…
Cliente: Eu acredito. Absolutamente. Sinto que já vi as coisas antes. Tenho a certeza que esta é a minha terceira vida aqui na Terra.
Livreiro: Estou a ver.
Cliente: (com um semblante satisfeito). Tenho quase a certeza que numa vida passada fui Sherlock Holmes.
Livreiro: Mas sabe, Sherlock Holmes é uma personagem de ficção.
Cliente: (com um ar ultrajado). Não me diga que está a querer dizer que eu não existo?
Livreiro: …

quinta-feira, fevereiro 27

Um clássico


Cliente: Por favor, não me lembro do título nem do nome do autor, mas sei que a capa é azulada.
Livreiro: Isso é um pouco vago.
Cliente: Bolas, não seria altura de vocês considerarem a hipótese de arrumar os livros por tamanho e cor.
Livreiro: Mas, mas... assim seria impossível encontrar alguma coisa.
Cliente: Bem, não interessa. A verdade é que ficava muito mais bonito. 

segunda-feira, fevereiro 17

O telefone toca


O Telefone toca:
Livreiro: Estou sim.
Cliente: Será que me pode ajudar. Eu estou à procura de um livro para a minha sobrinha. Ela tem seis anos e eu não tenho ideia nenhuma do que possa comprar.
Livreiro: Com certeza. Que tipo de livros ela costuma ler?
Cliente: Bem, a verdade é que não faço a mínima... Não a vejo muitas vezes. A minha irmã vive no estrangeiro e a menina só lê inglês.
Livreiro: Ok, qual é o nome dela?
Cliente: Sofia.
Livreiro: Ah, e que tal considerar a série do Dick King Smith, Sophie? Existe um título chamado Sophie’s Six.
Cliente: Ok, parece-me uma boa ideia.
Livreiro: Quer que verifique se o tenho em stock, tenho quase a certeza que sim.
Cliente: Não, não vale a pena. Vou encomendá-lo online.
Livreiro: Mas, mas… eu acabei de o recomendar.
Cliente: Eu sei e aprecio o que fez. É uma pena que a Amazon não tenha uma pessoa real a quem possa perguntar este tipo de coisas. Ainda bem que vos temos a vocês para nos aconselhar.
Livreiro: …!?

quarta-feira, fevereiro 5

História Breve da Humanidade


É raro recomendar um livro, até por que acho que não tenho competência para isso. Mas este livro recomendo, mesmo arriscando a pertinência: É de uma editora pouco conhecida, a Vogais. Todavia, as melhores prendas vêm, muitas vezes, em embrulhos pequenos. Esta é uma obra desafiadora, desconcertante e inteligente que nos deixa muitas vezes irritado com a interpretação do autor, com uma prespectiva original sobre a evolução da espécie humana e o impacto do homem no planeta. O livro está estruturado em quatro partes, cada uma corresponde aos principais saltos evolutivos da humanidade, desde a espécies humanas que coexistiam na Idade da Pedra até às revoluções tecnológicas e políticas do século XXI .

Jaime Bulhosa

título: História Breve da Humanidade
autor: Yuval Harari
edição: Vogais, 2013
tradução: Rita Cordeiro
n.º pág.: 492
formato: 15x23cm (in-8.º)
capa: Ideias com peso
isbn: 978989682101
pvp: 22.99€

Film Star


Homem: Por acaso, não tem filmes a preto e branco?
Livreiro: Sim, temos. Estão ali naquela estante.
Homem: E tem posters de Adolf Hitler?
Livreiro: Perdão?
Homem: Adolf Hitler! Não me diga que nunca ouviu falar?
Livreiro: Bem, não era propriamente uma estrela de cinema, pois não?
Homem: Claro que era. Era americano e judeu, acho eu…
Livreiro: …

segunda-feira, fevereiro 3

Curso de Surrealismo Português

Começa hoje, quarta-feira, 5 de Fevereiro, mas ainda vão a tempo, inscrevam-se.

Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. Vamos surrealisticar. Podem vir a horas ou chegar atrasados. Podem vir ao contrário. Podem não vir.




«A actividade surrealista não é uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha, mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas.»


António Maria Lisboa


Curso em 4 sessões, 4.ªs feiras de fevereiro de 2014, às 21h, na Livraria Pó dos Livros.
Iscrições: 35€  podoslivros@gmail.com tel: 21 795 93 39



Com Rosa Azevedo: nasceu em 1982 em Lisboa. Terminou em 2004 a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, maior em variante de estudos portugueses, franceses e menor em Literaturas do Mundo, em 2008 o mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e dos novos autores portugueses. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte. Foi livreira e hoje é produtora, formadora, revisora e dinamizadora e divulgadora da área dos livros.

sexta-feira, janeiro 31

Vanity Press



Todos nós sabemos que a Internet, para além das muitas vantagens, traz consigo algumas desvantagens, como a de potenciar crimes e burlas. Na Internet o que não falta são blogues (páginas e Facebook), dos mais diversos assuntos e gostos, mas todos com uma coisa em comum: são escritos por pessoas, as quais podem ser enganadas. Existe um grande número de blogues pessoais que traduzem sobretudo o gosto pela escrita, desde a poesia, os aforismos, pensamentos, contos, etc. A maior parte dos autores dos blogues nesta área terá no seu íntimo, nem que seja secretamente, o desejo de um dia vir a ser escritor, editado e reconhecido. Independentemente de se ter noção da qualidade daquilo que se escreve, quem é que resiste à tentação de responder a um e-mail que elogia a nossa escrita e nos pergunta: «Por acaso nunca pensou em editar em livro os seus magníficos textos?», ou «Quer editar o seu livro?», «Quer editar os seus poemas?», «Quer editar os seus contos ou romance?»
O que aqui denuncio não sei se pode ser considerado crime, mas é no mínimo desonesto. Não posso revelar os nomes das pseudo-editoras, porque apenas disponho do testemunho de pessoas que vêm à livraria perguntar pelo seu livro. A resposta é invariavelmente a mesma: nunca recebemos esse livro nem sequer temos conhecimento da sua existência. Desiludidas por raramente encontrarem o seu livro numa livraria, estas pessoas acabam por desabafar e contar-nos como se sentem enganadas. O truque consiste no seguinte: as pseudo-editoras, aproveitando-se do desejo, natural, de quem gosta de escrever e tem um blogue ou uma página de Facebbok, envia um e-mail elogiando a escrita do autor e propondo-se a ajudá-lo a editar os seus «esplêndidos» textos. Em troca, com o argumento de que ele ainda é um ilustre desconhecido, pedem-lhe uma comparticipação nos custos da edição e distribuição. Os valores em causa não são grandes, na ordem dos 200 ou 250 euros. Se tiver em conta que poderá ver, no futuro, o seu livro editado e distribuído por todo o país, estes valores parecem ainda mais insignificantes. Não resistindo ao apelo, muito boa gente entra no negócio e só mais tarde se apercebe de que pagou esse valor por 20 exemplares, a que necessariamente tem direito como autor. Compra-se um serviço que oferece livros impressos digitalmente, com miseráveis revisões, péssimo papel e capas horrorosas que valem bastante menos do que o dinheiro que o autor adianta. Para além disto, o contrato que estas pessoas assinam não lhes concede direitos de autor, a não ser que exista no futuro uma segunda edição, coisa que nunca sucede, pois é raro as livrarias receberem sequer estes livros. Não sabemos se de facto se editam mais exemplares e se é feita uma posterior distribuição da mesma pelo mercado. Os seus autores não têm nenhum tipo de controlo neste tipo de edição, na maior parte das vezes feito totalmente por e-mail, não havendo nunca um contacto directo e presencial com os pseudo-editores. Fica aqui o alerta.

Jaime Bulhosa

Nota: este texto foi escrito em 2009, mas está mais actual que nunca.

quinta-feira, janeiro 30

Eu mal lhe toquei!


Cliente: Boa tarde. Gostaria de devolver este livro.
Livreiro: E qual é o problema do livro?
Cliente: Está completamente estragado. Eu mal lhe toquei. Isto é ridículo, absurdo!
Livreiro: E o que quer dizer com isso?
Cliente: Quero dizer… bem, a única coisa que fiz foi deixá-lo cair na banheira, por acidente. E sabe, quero dizer… veja só isto: está completamente ilegível!

terça-feira, janeiro 28

No próximo sábado, na Pó dos livros

(clique para ampliar)

No próximo sábado, 1 de Fevereiro, às 16h00, na Pó dos livros, lançamento da antologia poética NAU-SOMBRA: Os Orientes da Poesia Portuguesa do Séc. XX, organização de Catarina Nunes de Almeida e Duarte Drumond Braga, edição Vega. A apresentação estará a cargo do Prof. Gustavo Rubim.

quarta-feira, janeiro 15

Livros para todos os gostos


- Estou à procura de uma prenda para oferecer a uma amiga que faz anos.
- Óptimo, eu posso ajudar a escolher se pretender?
- Obrigado. Mas espere!... Por acaso não têm bolos de aniversário em forma de livro? Ela ia adorar!
- Quer dizer, bolos propriamente ditos... não!
- Ah! Ok. Então o que é que vocês fazem?
- Bem... fazemos livros com forma e sabor de livros.
- Ah, Ok. Isso deve funcionar também.

terça-feira, janeiro 14

Hoje na Pó dos livros

Hoje, terça-feira, 14 de Janeiro, às 18h30, realiza-se na Pó dos livros o lançamento do livro de Luciano Reis, LUÍS PEDRO FONSECA SEMPRE QUE O AMOR ME QUISER, edição Fonte da Palavra. José Fanha e Carlos Avilez farão a apresentação do livro.


(clique para ampliar)

sexta-feira, dezembro 20

Feliz Natal artesanal


Postais Lebres + papoilas, pintados à mão
(agora na Pó dos livros)

Este fim de semana é de compras e a livraria Pó dos livros está aberta


Fotografia de Jorge F. Marques, da série A place where I can hide
(agora na Pó dos livros)

No natal vale tudo



Rapaz: Mãe, mãe, compras-me este livro?
Mulher: Vai lá perguntar ao teu pai  se o compra.
Rapaz: Pai!, pai!... a mãe diz se tu não me comprares este livro, não vais poder dormir na cama dela esta noite!