segunda-feira, fevereiro 4

ATTILA JÓZSEF

Em Maio de 2003 visitei pela primeira vez Budapest. Entrei numa livraria para tentar conhecer um pouco mais sobre um país do qual não tinha muitas referências. A dificuldade da língua empurrou-me para as edições bi-lingues em húngaro e inglês. Na secção de poesia encontrei ATTILA JÓZSEF.

Nasceu em 11 de Abril de 1905 em Budapeste, filho de um operário romeno trabalhador na indústria de sabões e de uma lavadeira. O pai abandonou a família quando ele tinha três anos de idade, deixando os três filhos ao cuidado da mãe que trabalhou arduamente para os sustentar. A sua mãe faleceu quando Attila tinha quatorze anos. Apesar de viver em extrema pobreza terminou o liceu e publicou o seu primeiro volume de poesia aos 17 na principal revista literária húngara, Nyagat.

Aos 19 anos ingressou, na Universidade de Szeged para estudar literatura francesa e húngara, mas foi expulso no ano seguinte devido a publicação do poema “Com um Coração Puro” (“With a Pure Heart”). Depois da expulsão, parte para Viena, em seguida para Paris, onde é admitido na Sorbonne. Em 1927 volta a Budapest e passa a militar no clandestino Partido Comunista até à expulsão em 1930.

Este acontecimento marca um período de crescente depressão e instabilidade psíquica. Apesar de vários períodos de tratamento Attila József atirou-se para baixo de um comboio no dia 3 de Dezembro de 1937. Tinha 32 anos.

Apesar da extrema miséria e pobreza em que sempre viveu e dos problemas de saúde mental que o atormentaram Attila József escreveu poemas de extrema beleza, profundidade e generosidade. Sobre o pai, que mal conheceu e o abandonou a ele e à restante família, escreveu este, do qual só conheço a versão em inglês (tradução de John Bátki, editado pela Corvina, 2002, Budapest):

AT LAST I UNDERSTAND MY FATHER

At last I understand my father,
Who, across the resounding ocean,
Had set out for America.

He’d gone away, it’s nothing new,
To bravely collar the good fortune
That was by rights his due.

His chances dwindled, his hope
Embittered, in the old country,
He was tired of boiling scented soap

At last I understand my father,
Who, across the wavering ocean,
Had set out for America.

While the lords filibustered,
He packed his bag and moved on where
Hard work earned good money, he’d heard.

In the forests back home not a leaf was his,
All the way over he remembered
And threw up on the heaving waves.

Wisely, he had left his family.
His children shouldn’t have to bless him
For each meagre hard-earned penny –

only to curse him after he dies.
No, he was not a preacher of morals,
Nor was he loyal to clouds of lies.


At last I understand my father,
Who, across the deceptive ocean,
Had set out for America

At last, as I set out for my
New World: Flora is my America.
Slowly, the old coastlines sink and die,
---
I’m no longer lost in those pains and fears.
From the depths of human faces
An edge of new understanding appears.

Just like my father had set out-
Even if God never existed,
I would still trust this world to God.

This is not shrinking from the fight:
For love I would cheat and kill -
but in acceptable ways, if you will.
-----
(enviado por um leitor amigo)

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