quinta-feira, novembro 18

História de uma “História Universal”

Existem objectos que por uma circunstância ou outra, nos acompanham ao longo da nossa vida. A “História Universal” de G. Oncken, editada pela Livrarias Aillaud e Bertrand em 1938 é um desses casos. Conhece-me desde sempre. Nunca ninguém a usou para a finalidade para que foi feita, até pelo facto de estar demasiado desactualizada e incompleta. Mas sobreviveu, teve muitas outras finalidades, foi almofada para ganhar altura numa cadeira para criança, poste de baliza, base para jogar à santinha (jogo de berlinde), garagem de carrinhos, peso para colagens, arma de arremesso e tudo o que a imaginação de um miúdo consegue engendrar. Teria, se pudesse para contar muitas outras histórias em vez da História. Foi-me dedicada mais tarde em 28 de Junho de 1978, pelo meu pai que a comprou por vinte e cinco tostões em 1950 e a salvou, como quem salva um cão estropiado, de um vendedor de castanhas que a amputou dos outros dezasseis volumes enquanto usava as suas páginas para fazer pacotes cónicos de guardar castanhas. Vive agora em minha casa e provavelmente perdurará para além mim.



Jaime Bulhosa


4 comentários:

dsl disse...

Bonito este teu post. Abraço, Diogo

Sérgio Cunha disse...

Gostei do teu post, tb tenho uma enciclopédia dessas, infelizmente em muito mau estado mas com os volumes todos...

Areia às Ondas disse...

Adorei ler estas palavras escritas com mais ternura do que letras, embora com muita realidade. Tenho alguns livros que não abro há décadas mas se alguém lhe troca o lugar dou imediatamente conta. Se me são necessários? É claro que sim, como os gases raros da atmosfera que respiramos, não damos conta da sua existência mas tornariam a nossa muito mais difícil se não estivessem cá.

Bruno disse...

simpática a história da história. é engraçado que criamos relações com os livros e quantos mais velhos e mais mal tratados maior é o laço.