sexta-feira, fevereiro 15

Reclamação

Enquanto livreiro “deveria” apenas chamar atenção para o lado positivo do mundo dos livros. Acontece que sou também um leitor e mesmo que não o fosse, a minha profissão obrigar-me-ia a ser solidário com os meus clientes.
Quem é que nunca se sentiu defraudado, enganado, ludibriado, depois de comprar um livro? Chegar a casa e nem da página cinquenta passar. Porque era mau, era plágio, estava mal escrito, mal feito, mal traduzido, pessimamente revisto, as folhas soltavam-se e não se conseguia ler (sem ser com uma lupa). Não servia de todo para o efeito que prometia na capa e contracapa, em letras gigantes e frases bombásticas. Penso que isto já se passou com algumas pessoas.
Se nós, livrarias, à semelhança do que existe com outros ramos devemos prestar um bom serviço, não faltar com o respeito aos clientes, sob pena de podermos ser punidos, inclusive fecharem-nos a porta. Porque é que os autores e editores não são também obrigados a ter livro de reclamações?
Não estou a falar de estilo, de liberdade artística ou literária, nem sequer de gosto. Estou a falar de fraude. Quando assim é, deveríamos ter o direito de reclamar, devolver e trocar por outro. Felizmente isto não acontece na maioria dos livros.

Jaime Bulhosa

3 comentários:

Leonor disse...

Não podia estar mais de acordo consigo.E para além de livro de reclamações, deveria ainda ser possível a devolução.
Infelizmente tornou-se hoje comum descobrir traduções sem pés nem cabeça, livros já não cozidos mas colados, que se descolam durante a primeira semana, já para não falar das distorções de alguns títulos e capas de mau gosto...

εïзNine Copettiεïз disse...

Olá, Boa noite!
Realmente, essa é uma verdade bastante frequente nas compras de livros, eu mesma várias vezes já comprei esperando algo que me surpreendesse, e logo nos primeiros capítulos desisti - Memórias da Segunda Guerra Mundial, do Winston S.Churchill é o maior exemplo - devido a leitura massante, pouco criativa, cansativa e desagradável, apesar de um assunto tão relevante! As vezes olho pra ele na minha estante, fico tempos a admirá-lo a pensar se não teria sido um bom livro se houvessem se dedicado mais na sua tradução, ou na própria escrita.
A propósito, estava visitando o blog Obvious, que também está discutindo acerca deste tema, pra quem quiser visitar: http://blog.uncovering.org/archives/2008/01/capas_de_livros.html

Abraços,
Nine

Iceman disse...

Sim, completamente de acordo, porém e mesmo desconhecendo esse facto já por várias vezes efectuei reclamações desse tipo acerca dos muitos livros que comprei.

Digo comprei porque farto de levar tanta banhada, acabei por aderir aos empréstimos bibliotecários e, meus caros, é um espectáculo. Quando não presta... devolve-se sem remorsos de não o ter lido.
Cump.
Miguel