quarta-feira, fevereiro 20

Viver dos livros

Há os que os escrevem, os editam, os vendem….e os que os lêem:

Em Bloomsbury, sentado em cima de uma pilha de livros, um homem pede esmola aos que passam indiferentes, enquanto lhes lê em voz alta uma antologia de contos.


Nota: Bloomsbury é um bairro londrino que ficou conhecido por lá terem vivido diversas personalidades como: escritores, artistas e outros de áreas diferentes da cultura e ciências. Também chamados de Bloomsbury Group, da qual se destacam Virginia Woolf e John Maynard Keynes. Por este facto nascem nesta zona da cidade de Londres algumas livrarias interessantes. É ao mesmo tempo o nome de uma editora que ficou famosa por ter editado a série de Harry Potter de J.K. Rowlling.

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Jaime Bulhosa

2 comentários:

bibliotecária disse...

Adoro o vosso blog e sempre que posso venho espreitá-lo. Surpreendo-me! Sempre!!
Parei neste...talvez porque me fez lembrar uma história linda, infantil(?!?), que se chama "O Frederico".
Uma história que faço questão de ler aos meninos que frequentam a biblioteca onde trabalho.Porque sim!!!

V.M. disse...

Guilhermina Suggia teve fortes ligações ao Grupo de Bloomsbury. Aqui transcrevo um texto de Ana Maria Almeida Martins publicado em tempos em "Guilhermina Suggia" (http://suggia.weblog.com.pt):"Que GUILHERMINA SUGGIA foi, durante as primeiras décadas do século passado, muito mais conhecida e admirada na Grã-Bretanha do que em Portugal, não restam dúvidas.
Em Londres, “ir ouvir a SUGGIA”, era sinónimo de necessidade ou “dever” que gostosamente se cumpria.

No Diário, de Virgínia Woolf, por exemplo, (volume II – 1920-24 – da Penguin Books) pode ler-se, no sábado, dia 2 de Novembro de 1924: (traduzo): “ Como de costume estou, ou imagino que estou, afogada em trabalho, embora consiga, ainda assim, algumas horas de puro prazer: ir ao cinema esta noite, ir à SUGGIA na segunda-feira, porque desejo a sua música para me estimular e inspirar.”

Em nota de rodapé: (GUILHERMINA SUGGIA, 1888-1950, a célebre violoncelista portuguesa, acompanhada pelo seu compatriota José Viana da Mota, deu um concerto em Wigmore Hall no dia 3 de Novembro de 1924). Tocaram, sabe-se, as duas sonatas de Brahms, a em “mi menor” e a em “fá maior”.


Também no livro THE ART OF DORA CARRINGTON, da autoria de Jane Hill, Londres, The Herbert Press, 1994, existe uma referência à nossa violoncelista (a vida de Dora Carrington foi levada ao cinema – CARRINGTON – com Emma Thompson na protagonista).

Página 26 (traduzo): "em 1912, quando frequentava o 2º ano da Slade, Carrington começou a ter encomendas e a arranjar alunos. Um estúdio em Chelsea custava então cerca de 10s. por semana e cada lição rendia-lhe 5s.
A sua determinação em ser independente era tal que chegou a considerar a hipótese de aceitar o lugar de professora de desenho no liceu de St. Helen, em Abington. Mas, por temperamento, era-lhe impossível ter um emprego fixo, pois tal significaria o fim da sua ambição de se dedicar apenas à pintura.
O que ela realmente necessitava era do incentivo da vida londrina: passar as manhãs na London Library e as tardes, até quase à noite, no seu estúdio – tomar chá com Augustus John num dos cafés belgas de Fitzrovia ou ouvir uma sonata de Bach tocada por Madame SUGGIA no Aeolian Hall ou a “Flauta Mágica” no camarote de Lord Esher’s na Royal Opera House”.

São apenas dois exemplos.
Creio que entre os outros componentes do chamado Bloomsbury Circle existirão muitos mais. Para os estudiosos de GUILHERMINA SUGGIA, que não sou, uma pesquisa nas correspondências e diários, quando os haja, de autores e artistas como Roger Fry, Duncan Grant, Mark Gertler, Lady Ottoline Morrell, Clive Bell, Lytton Strachey, Vanessa Stephen (a irmã de Virgínia Woolf) ou John Keynes, talvez traga resultados muito proveitosos.

Sem falar na leitura, ou releitura de toda a obra de Virgínia Woolf que, confissão sua, com SUGGIA contou para a inspirar e estimular.

Ora aqui está, porventura, o tema para uma interessante tese de doutoramento em literatura inglesa – “O violoncelo nos Livros de Virgínia Woolf” – ( e este violoncelo seria o de SUGGIA, que ninguém duvide!)
Mãos à obra!"