sábado, março 8

Feministas

- Tem o último da mulher do Paul Auster? Eu devia saber o nome dela... , sorri a cliente a desculpar-se.
- Eu também nunca me lembro do nome dessa autora, respondo compreensiva, deslocando-me ao computador.
- Ainda por cima, já li outros livros dela. Acho-a excelente...continua.
- “Aquilo Que Eu Amava”, informo, enquanto digito o título na base de dados. E sigo, cúmplice, por acaso acabei de o ler, gostei imenso! Cá está, chama-se Siri Hustvedt.
- É isso mesmo. O nome soa-nos um pouco estranho e vamos pelo caminho mais fácil...,diz a minha amiga.
- Enquanto retiro o livro da estante: pois é, acontece-me o mesmo. Mas é indecente, digo estendendo o livro à minha companheira. A...a...(como é que ela se chama?)...
- Siri Hustevedt, em coro, lendo o nome na capa do livro, correligionárias debruçadas sobre o balcão.
- A Siri Hustvedt merece ser reconhecida é pelo seu trabalho!
- Sem dúvida!
E despedimo-nos, satisfeitas com a solidariedade feminina.
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À laia de protesto, sugiro-vos alguns “maridos” pelos quais nos podem perguntar aqui na Pó dos livros: um filósofo francês que viveu com a Simone de Beauvoir; um dramaturgo norte-americano que foi casado com a Marilyn Monroe; aquele escritor baiano que era casado com a Zélia Gattai; o Henry não-sei-quantos, aquele que foi amante da Anaïs Nin...ah! e, claro, o marido daquela grande romancista, poetisa e ensaísta norte-americana, a....a...


“Aquilo Que Eu Amava”,
Siri Hustvedt, Edições Asa,
Preço: 17,00€
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Isabel Nogueira

2 comentários:

CristinaGS disse...

Pois é, o espaço público é masculino, mas já estamos melhor do que quando se escrevia «"Elle" entre parenthéses» qem é que escreveu? Uma mulher certamente.

José Pedro Pessoa e Costa disse...

E o melhor será ler o livro, que é magnífico e, na minha opinião (mas sou um pouco suspeito porque Paul Auster nunca me emocionou, excepto talvez em «O Livro das Ilusões»), muito melhor do que aquilo que escreveu o marido.