quarta-feira, maio 7

Tropa de Elite

Não sei quem é o responsável por este texto da página da Fnac que serve de introdução ao livro “Tropa de Elite”. Fiquei estupefacto: já vi o filme e não foi de todo esta a leitura que fiz do (BOPE), não têm nada de incorruptíveis e chamar de dignos a quem mata sumariamente e sem julgamento, também me parece exagerado. Acho que a Fnac tem a obrigação de ser mais criteriosa nos textos que exibe.
Devo acrescentar que na contra capa do livro da Editorial Presença a sinopse é bastante mais cuidada.

O “BOPE” e o combate à violência brasileira.
“Baseado em factos reais, Tropa de Elite alia-se à ficção para descrever o exaustivo trabalho do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) do Rio de Janeiro. Treinados para lidar com situações especiais, os elementos do BOPE distinguem-se pela incorruptibilidade, honra, dignidade e coragem. Mas as suas práticas de combate ao crime são descritas como violentas, cruéis e implacáveis. Todos os dias os polícias arriscam a vida em nome do dever, nem por isso auferindo salários em conformidade sendo o orgulho na missão aquilo que os faz mover e que os eleva à categoria de benfeitores por entre as populações. A ameaça é uma constante na vida destes homens e a sua incursão pelas favelas, por bairros pobres e problemáticos, obriga-os a fazerem uso do sangue frio e a entoarem o grito de guerra em casos de brutalidade extrema. A primeira parte do livro revela o quotidiano desta polícia e as suas práticas e a segunda parte acompanha uma personagem que se envolverá com autoridades, traficantes, e políticos num circuito onde o perigo espreita a cada esquina e se tecem relações melindrosas em torno da corrupção. Tropa de Elite revela como o BOPE se destaca destes círculos, como despista o crime e corajosamente o enfrenta e reprime.”

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Jaime Bulhosa

Um comentário:

DeKuip disse...

Também vi o filme e posso dizer que, mais do que me dar uma leitura da "Tropa de Elite" BOPE, ele fez-me pensar na violência física e psicológica que todos sem excepção, polícias por igual, vivem e respiram diariamente em muitas partes deste nosso globo globalizado; no desrespeito da vida humana e em questões de ordem moral (i.e. se todos os meios (violência policial) justificam os fins (combate à criminalidade)). Mas reconheço que o discurso da apologia do herói-polícia talvez venda mais. Basta ir a um café da esquina e ouvir as pessoas utilizar raciocínios do tipo "olho por olho, dente por dente". Foi para isto que evoluímos milhares de anos?