quinta-feira, junho 5

Uma ideia generalizada

Por reacção a este post, tive um comentário no blog dos Booktailors que gostava de responder em defesa de alguns livreiros.
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Serafim Gonçalves disse...
"Os livreiros (à excepção das grandes redes livreiras e de uma ou outra livraria independente)estão nessa posição porque querem e porque não têm sabido organizar-se num movimento associativo autónomo. Aliás, nem sequer têm sido capazes de se modernizar apesar de uma Lei do Preço Fixo do Livro criada há mais há cerca de 20 anos especialmente para os proteger das grandes superfícies. Têm-se posto a jeito na posição de elo mais fraco e as editoras agradecem.

Mas muito cuidado com a vitimização dos livreiros. No negócio do livro eles ainda são os que assumem menos riscos. O que não conseguem vender, devolvem às editoras, eliminando muito prejuízo, fazendo-o recair sobre as editoras (e quando as editoras não conseguem vender, os livreiros estão-se borrifando). E uma média de metade do preço da capa dos livros fica para os livreiros. Os outros 50% ficam nas mãos dos editores, e é de onde devem sair os direitos de autor, os custos de produção e os custos de distribuição. Em regra, uma editora fica com cerca de 5% do preço de capa como lucro líquido. O que, dependendo da perspectiva de cada um (entenda-se para a maior parte dos negócios), é muito pouco para os riscos que o negócio implica."
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Resposta:
Convido o Sr. Serafim Gonçalves a vir à Pó dos Livros ver as facturas dos nossos fornecedores para verificar os descontos, o investimento que fizemos e as despesas que temos. E garanto-lhe que não é nem de perto nem de longe o que diz. Em relação à lei do preço fixo, esta não foi criada para defender os livreiros das grandes superfícies, há 20 anos como diz, não havia grandes superfícies a vender livros e foi defendida pela maior parte dos editores. Quanto a quem é que ganha mais neste mercado, penso que está bem distribuído entre: autores, editores, distribuidores e livreiros. Quem arrisca mais? Fique sabendo que o investimento de uma livraria é bem maior que o investimento que se faz para começar uma editora. Digo-lhe também que nem todos os livros têm direito de devolução, esta tem regras e custos inerentes, já para não falar dos roubos, na ordem dos 3% que ficam a cargo do livreiro e funcionam para o editor como venda. Muito mais poderia dizer, como por exemplo, o facto de hoje estar instituído descontos ao cliente na ordem dos 10% sobre o preço de capa, mais os descontos de Visa e Multibanco. O resto fica para quando cá vier.

Os meus cumprimentos

Jaime Bulhosa

3 comentários:

a das artes disse...

Que lei do preço fixo do livro? Quem a conhece? Nem sequer a famigerada ASAE!!! Anúncios de página inteira com 50% e mais de desconto; balcões dos CTT (pagos por todos nós) a fazerem concorrência ao comércio que investiu por sua conta e risco!...; Editoras a fazerem desconto de 50 e 60% a "paraquedistas" que correm Bibliotecas, Escolas e Câmaras Municipais a vend"a"r ao desbarato para prejuízo de quem investe fora das capitais. Não esquecer o artº 12º do Capítulo II da Lei do Preço Fixo segundo o qual o desconto máximo para bibliotecas é de 20%.Tudo bem - que o livro chegue mais barato ao público mas, para isso, que sejam dadas condições iguais a TODOS!

Carmen Figueira disse...

Também acho non sense ver livros à venda nos CTT. Apesar de jovem, ainda (ou já) sou do tempo em que para comprar um livro tinha MESMO que ir a uma livraria. Ainda recordo o dia em que a Pergaminho encheu as estações de serviço de títulos do Sr. Coelho.
É paradigmático.
A geração CTT-Galp não tem poder de escolha (nem todos os títulos de um autor da moda tem à disposição), não fica com torcicolos de tanto ler lombadas e a única venda sugestiva de que será vítima será a de levar um pacote de bolachas e uns "kleenexes" para a viagem.

Quanto à lei do Preço Fixo, do tanto que já me indignei (e não só) com tantos cartazes a afrontar a mesma... resta-me já só não me trair a mim mesma. Parafraseando Gandhi, tento apenas ser a mudança que gostaria de ver no mundo (neste caso, no mundo dos livros, comprando apenas em sítios, em que os livros têm tempo de ganhar pó).

Carmen Figueira disse...

Jaime, claro que sou mesmo eu!