segunda-feira, agosto 11

Romance

Nos anos oitenta o livro da Colleen McCullough “Os Pássaros Feridos” transformou-se no que chamamos um livro de top. Hoje poucas vezes perguntam por ele. Eu que sou livreiro já me teria esquecido da sua existência, não fosse o caso de ter presenciado numa grande superfície o seguinte diálogo entre uma cliente e a funcionária da área dos livros:


Cliente: Por favor, eu queria o livro “Pássaros Feridos” da Colleen McCullough para oferecer ao meu marido.

Funcionária: Pássaros Fritos..!!?? Com certeza, se quiser seguir-me até à secção de culinária.

Cliente: Olhe! É romance…

Funcionária: (Sem atrapalhação) Não se preocupe minha senhora, temos aqui um livro com receitas especiais para jantares românticos.

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Jaime Bulhosa

10 comentários:

Patti disse...

Isso é o que se chama uma excelente vendedora. Resposta pronta.

fallorca disse...

Já não há vendedeiras como antigamente

Yo disse...

Uma tristeza, bem sei que há muitos autores e imensos temas, mas a Colleen McCulough ... Imaginem agora se o livro pedido fosse o "Tim"

Cátia disse...

Eu julgava que nas grandes superfícies tinham computadores com motores de pesquisa (dos livros existentes)........

fallorca disse...

Cátia, o que é uma grande superfície? Mede-se em hectares ou palmo a palmo, lombada a lombada, com os olhinhos deliciados?

Anônimo disse...

A revista Sábado distribuiu, bem recentemente, os pássaros fritos.

Anônimo disse...

Recentemente, numa reunião de administração, ousei sugerir, que se estavam tão preocupados com os objectivos do ano, talvez devessem, ao invés de crescer artificialmente através da redução de salários, talvez devessem investir nos mesmos e reordenar a logística, que isso sim é algo válido.
A proposta de aumento de salário de forma que pudéssemos recrutar Livreiros experientes, foi alvo de risota durante alguns momentos, fizeram-se piadas e analogias sobre estrelas é na televisão, e no final quem tem a responsabilidade financeira do negócio ainda atira um: isso desde que não sejam dreads e cheirem mal é tudo a mesma cambada.
A grande maioria dos administradores de livrarias/cadeias de livrarias, ainda não perceberam um coisa muito simples: Os Maias foram escritos pelo Eça de Queiroz, não pelo Herman Hesse. E sim, esta é uma confusão real, nunca percebi como era possível conhecer o Hesse e não o Eça, mas aconteceu, e o cliente saiu porta fora. Inevitavelmente, nas prateleiras ficaram Os Maias e o Hesse. Histórias como esta tenho milhões, outra das minha preferidas é a da bela sopeirita/livreira, que em frente ao cliente decide que á altura de pôr a casa em ordem e desata aos berros de indignação ao encontrar o Sepúlveda nos autores estrangeiros, ou arrumar sistematicamente o Mário Cesariny no esoterismo (manual de prestidigitação), ou vender livros com expressões como: é um daqueles livros de judeus…sabe…que morrem queimados na 1ª guerra mundial…tá a ver…se gosta de desgraças…é muito bom…o outro do coiso tamém…pois se decidir diga qualqué coisa lá no balcão.
São milhões…senhores…que se perdem em empregados ignorantes. E tenho provas nos 5 turnos com que trabalhei recentemente e que estavam claramente desajustados, uma vez que Os Leopardos ficaram com os Austers e as Mondigliani com as Roberts, cheguei a uma conclusão brilhante, analisado a facturação e as respectivas secções (que não são fixas) os sacanas dos dreads ainda assim faziam nada mais, nada menos, do que mais 35,70% de lucro líquido acima das sopeiras , que em contrapartida chegam meia-hora antes e não dão muitos erros de caixa, mas ainda assim só são óptimas quando não abrem a boca, ou já decoraram aonde é que os dreads arrumam os livros. São tribos fascinantes estas que trabalham nas livrarias portuguesas, há mais, mas são estas as forças motrizes. Eu cá defendo a profissionalização da carreira de Livreiro, assim como qualquer outra, de modos a não ouvir nunca mais o seguinte:
Cliente - “Tem livros sobre o Bach?”
Livreira -“Sobre o Barro? Tenho sim, vou buscar.”- Volta daí a pouco com o manual de olaria da estampa.
Cliente- “Desculpe mas eu, devo ter pronunciado mal, é sobre o Bach, o compositor.”
Livreira- “Bem ,é o único que temos, se quer compositar o barro encomende um livro que lhe dê jeito. Se precisar de mais alguma ajudinha,diga.”
Alexandra Campos

Teresa Coutinho disse...

Ui! Esse livro é muito antigo, tslvez pouca gente o tenha lido. Recordo-me que foi um dos primeiros livros da Colleen MsCullough, mas por ser uma história tão ousada, fez grande alarido. Li-o 2 vezes, mas por não ter o livro, não o poderei divulgar. Não me admira que certos vendedores não conheçam certos livros, pois nem os actuais sabem da existência!

Alessandro Martins disse...

Linkei essa historinha no meu blog. Espero que goste. Abraços do Ale.

Suzana Elvas disse...

Olá!
Gostei muito do blog, vou voltar sempre!
Minha contribuição: na estante da Livraria da Travessa, uma das mais badaladas do Rio, lá estava, resplandescente na seção de cinema, Ovídio.

Sou rata de livraria e por isso, quando peço "Os Maias" e o vendedor fica indeciso entre as seções de turismo e de história; aí eu tento ajudar e junto um "de Eça de Queiroz" e o vendedor faz cara de paisagem antes de dizer "Ah, da minissérie da Globo!" faço questão de nunca, nunca mais voltar.