segunda-feira, setembro 8

Ao peso...

Não tenho nada contra a venda de livros em hipermercados, supermercados, bombas de gasolina, etc. Já nos balcões dos CTT a conversa é outra. Trata-se de uma empresa do estado que faz concorrência desleal àqueles que investiram do seu próprio bolso. Foi pelo facto de as grandes superfícies passarem a vender livros que o mercado do livro cresceu tanto nos últimos anos. Cresceu no número de livros editados, cresceu no número de leitores. Podemos depois reflectir sobre se a qualidade dos livros aumentou ou diminuiu, se o preço médio do livro aumentou ou diminuiu, mas isso é outra questão. Nós, livreiros independentes, só podemos sobreviver se nos renovarmos, investindo cada vez mais na diferenciação, tanto ao nível dos serviços prestados como nos produtos que vendemos. Quando falo em produtos, utilizo o plural por duas razões: porque o livro não pode ser entendido como um só produto, mas sim como vários produtos que têm conteúdos e finalidades completamente diferentes; porque pretendo referir-me também a produtos culturais, que não apenas os já tão banais lançamentos e sessões de autógrafos. É aqui que a diferenciação se faz: temos de ser cada vez mais especializados e profissionalizados. Só assim poderemos transmitir ao público a ideia de que continua a fazer sentido existirmos. Caso contrário, estaremos condenados a ouvir cada vez mais isto:

Cliente: A quanto é o quilo?

Livreiro: Qual quilo…?

Cliente: O quilo do livro!
--
Jaime Bulhosa

5 comentários:

Pantapuff disse...

é de facto chato...
pegando num pontinho que mencionaste aí algures no post devo dizer que, na minha opinião, a qualidade dos livros hoje em dia editados é muito baixa uma vez que qualquer palhaço que não sabe se quer falar português correctamente lança um livro para o mercado. E o preço dos livros também não desceu. Muito pelo contrário, são ainda um luxo para muitas pessoas...

Teresa Coutinho disse...

Infelizmente, a situação vai de mal a pior. Se antigamente se encontravam livros de autores bons, hoje em dia é tanta a oferta, que nos perdemos. Por outro lado, a liberalização da venda de livros, tornou o objecto livro uma coisa banal, mas penso que continua a não ter grande valor para a maioria,(as pessoas não os lêem e não os apreciam).

Anônimo disse...

Ó Pantapuff, gostei de ler o seu comentário, especialmente esta parte: "qualquer palhaço que não sabe se quer falar português correctamente".
E gostei, sobretudo, pela ironia da coisa. Em português correcto, seria: "qualquer palhaço que não sabe sequer falar português correctamente".
A não ser, claro, que estejamos a falar de alguém a quem ofereceram a oportunidade de aprender português e ele não sabe se quer aceitar.
Fico-me por três hipóteses, pantapuff: será que cometeu uma gralha, escreveu mal propositadamente, ou errou sem querer?

Anônimo disse...

Provavelmente não sabe que muitas das lojas dos CTT são franchisings...

Pó dos Livros disse...

Sim, mas o franchisador é o estado?

Jaime Bulhosa