quinta-feira, novembro 20

Byblos, algumas considerações

Não tenho especial prazer em assistir ao encerramento da Byblos, até porque não era à Pó dos Livros que fazia concorrência. A ideia de uma livraria que disponibilizasse todo o fundo de catálogo dos editores agradava-me. Mas sempre, desde o início, fui céptico em relação ao projecto tal como ele foi concebido.

Muito sucintamente, porque o tempo é escasso. A meu ver, a Byblos não resultou devido a cinco factores essenciais:

1.º - Localização: Representa no mínimo 80% do sucesso de qualquer loja de retalho. Só quem não conhece Lisboa é que não sabe que, naquela zona, o movimento de pessoas acaba nas Amoreiras e só começa novamente em Campo de Ourique. Não foi por acaso que também fechou o centro comercial que havia anteriormente naquele mesmo espaço.

2.º - Comunicação e Marketing: Falha de uma regra básica: não se pode prometer o que não se vai cumprir.

3.º - Pessoal: Não está em causa a qualidade do pessoal – eu próprio conhecia alguns livreiros – mas sim a forma como ele foi tratado, muito em pirâmide invertida, isto é, não dando importância a quem de facto vende.

4.º - Serviços: Na prática, não acrescentou nada de novo.

5.º - Credibilidade: Para qualquer empresa que inicie actividade, micro ou gigantesca, a credibilidade dos seus corpos sociais, face aos seus futuros fornecedores, é fundamental.
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Jaime Bulhosa

2 comentários:

Paulo Freixinho disse...

Lamento o desaparecimento da Byblos.
Fiquei bastante entusiasmado quando soube que a Byblos daria especial atenção a pequenas editoras e, particularmente, à edição de autor.
Penso que os factores que referiu contribuíram efectivamente para o anunciado fim deste projecto.

Parabéns pelo blogue, vou já adicioná-lo ao meu.

Amplexos e ósculos!

Marco disse...

Tenho a impressão que o CC das Amoreiras destrói tudo à sua volta.