Máquinas que encontram e arrumam os livros. Nem chips que nos indicam a prateleira onde os podemos ir buscar. Também não temos ecrãs tácteis para fazer pesquisa.
Mas temos: duas pessoas, dois excelentes livreiros, chamados Carlos Loureiro e Débora Figueiredo, que sabem exactamente onde eles estão e ainda nos sugerem outros.
Um café com Cadeiras ”Dona Amélia”, onde poderão ter estado sentados em plena tertúlia os mais respeitados escritores contemporâneos da nossa praça. Parece que terá sido feita (nestas mesmas cadeiras) uma conspiração entre um tal Aquilino Ribeiro e um homem chamado Buíça.
Um Rádio, sobre o qual o antiquário que o vendeu nos disse: “Se bem me lembro... este rádio veio dos Açores?”, ao que nós logo concluímos que terá sido por este aparelho que Vitorino Nemésio ouviu as notícias de que havia “Mau Tempo no Canal” (1944).
Um Telefone da mesma origem, por onde Natália Correia terá feito “Comunicação” (1959).
E a nossa jóia da coroa, a Máquina de Escrever, que de acordo com o mesmo antiquário terá vindo da América do Sul e pertenceu a um famoso escritor, cujo nome ele não sabia, mas quem lho havia vendido terá dito que as letras do teclado que estivessem mais gastas indicavam o nome que assinava a obra: “Confieso que he vivido – Autobiografia” (1974). Enigma que não foi capaz de decifrar.
Fomos verificar a veracidade da história e, de facto, as letras mais gastas são: ABEDLNOPRU. Depois de várias horas de intenso trabalho e pesquisa, concluímos que esta peça de antiquário terá pertencido ao grande poeta Pablo Neruda (extraordinário, não é…). Como podem constatar e ver com os vossos próprios olhos, não nos faltam pontos de interesse para que nos visitem.
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Jaime Bulhosa
Nota: Esta ficção foi escrita com assistência de um historiador “encartado”, qualquer erro histórico será da sua inteira responsabilidade.
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