quinta-feira, janeiro 31

Passeios com livros

Roteiro de uma pequena viagem por entre livros e livrarias, que começou hoje às nove horas da manhã aqui na Pó dos Livros e continuou por outras partes do mundo:

Uma rua de Delhi,
Springfield há muitos anos atrás,
o verde da Irlanda,
prateleiras cheias de livros no Irão,
a Shakespeare & Company e o Livreiro,
extravagantes armários numa praça de Itália (acho),
a Lello no Porto
e de volta ao nº89 A da Marquês de Tomar em Lisboa.


Débora Figueiredo.

O livro, nova tecnologia - Read the fucking manual

quarta-feira, janeiro 30

Vender batatas.



Trabalhei muitos anos com um “Livreiro” que tinha como máxima: “Vender livros é como vender batatas”. Provavelmente tinha razão, até porque fez fortuna. Mas, também é verdade que engordou muito com excesso de puré e batatas fritas. Enquanto, eu fiz dieta com sopa de letras.
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Jaime Bulhosa

O Livreiro não vende livros.




O Livreiro vende: Aventuras, viagens, e “Volta ao Mundo em Oitenta Dias”. Continentes, países e “Cidade Proibida”. Romances, dramas e “Sexus”. História, pré-história e civilizações clássicas. Batalhas, “Guerra e Paz”. Reis, rainhas, “O Príncipe” e “O Conde de Monte Cristo”. Pintores, escultores, “O Arquitecto”, fotografias. Música, versos e poemas. Sonhos, auto-ajuda, artes divinatórias e outras mentiras. Constituições, leis, decretos-lei e portarias. Tudo isto e muito mais numa caixa chamada livro.
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Jaime Bulhosa

terça-feira, janeiro 29

Viva a Revolução Francesa

"Livreiro, s. m. Negociante de livros.
-ENCICL: Foi em 1275 que apareceu a primeira ordenança a organizar o comércio da livraria. Às Universidades competia a superintendência que se estendia à fixação do preço, assim como à forma e ao fundo das obras postas à venda. Depois, apartir de 1723, o comércio da livraria dependeu absolutamente das autoridades policiais. A Revolução Francesa proclamou a liberdade para as livrarias. Hoje gozam ainda dessa liberdade, embora em certas ocasiões anormais e em alguns países, tal liberdade seja restringida."

in Lello Universal - Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro, vol.2, Lello & Irmão, Porto 1973, pág.83.

Débora Figueiredo.

Na Pó dos Livros não temos…

Máquinas que encontram e arrumam os livros. Nem chips que nos indicam a prateleira onde os podemos ir buscar. Também não temos ecrãs tácteis para fazer pesquisa.

Mas temos: duas pessoas, dois excelentes livreiros, chamados Carlos Loureiro e Débora Figueiredo, que sabem exactamente onde eles estão e ainda nos sugerem outros.

Um café com Cadeiras ”Dona Amélia”, onde poderão ter estado sentados em plena tertúlia os mais respeitados escritores contemporâneos da nossa praça. Parece que terá sido feita (nestas mesmas cadeiras) uma conspiração entre um tal Aquilino Ribeiro e um homem chamado Buíça.

Um Rádio, sobre o qual o antiquário que o vendeu nos disse: “Se bem me lembro... este rádio veio dos Açores?”, ao que nós logo concluímos que terá sido por este aparelho que Vitorino Nemésio ouviu as notícias de que havia “Mau Tempo no Canal” (1944).

Um Telefone da mesma origem, por onde Natália Correia terá feito “Comunicação” (1959).

E a nossa jóia da coroa, a Máquina de Escrever, que de acordo com o mesmo antiquário terá vindo da América do Sul e pertenceu a um famoso escritor, cujo nome ele não sabia, mas quem lho havia vendido terá dito que as letras do teclado que estivessem mais gastas indicavam o nome que assinava a obra: “Confieso que he vivido – Autobiografia” (1974). Enigma que não foi capaz de decifrar.
Fomos verificar a veracidade da história e, de facto, as letras mais gastas são: ABEDLNOPRU. Depois de várias horas de intenso trabalho e pesquisa, concluímos que esta peça de antiquário terá pertencido ao grande poeta Pablo Neruda (extraordinário, não é…). Como podem constatar e ver com os vossos próprios olhos, não nos faltam pontos de interesse para que nos visitem.
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Jaime Bulhosa

Nota: Esta ficção foi escrita com assistência de um historiador “encartado”, qualquer erro histórico será da sua inteira responsabilidade.
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segunda-feira, janeiro 28

“A coisa que mais dói no mundo”.


Por vezes temos dificuldade no meio de tantos bons livros infantis escolher um.
Andava à procura de um livro para ler a um miúdo de quatro anos, quando as excelentes ilustrações deste livro me chamaram a atenção. Abri-o:
- Sabes qual é a coisa que mais dói no mundo? Pergunta o coelho à hiena enquanto pescavam junto ao rio. A hiena dizia que o mais doloroso seria uma pisada de elefante ou talvez uma dor de dentes, ou ainda uma picada de vespa. No entanto, o coelho encarregar-se-á de demonstrar à hiena que há algo muito mais doloroso…

“A coisa que mais dói no mundo”- texto de Paco Liván e ilustrações de Roger Olmos. Editado pela OQO, distribuição a cargo Quidnovi, é um livro fantástico. Aconselho a todos os pais que o leiam às crianças entre os três e os seis anos.
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Nota:peço desculpa à editora OQO, pela capa ser da edição espanhola, mas para a imagem aparecer na net tinha de ser.
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Jaime Bulhosa

sábado, janeiro 26

"E lá em baixo, também há livraria?"

Esta é uma das perguntas que mais vezes ouvimos durante a semana. Há livraria, sim senhora. E está cheia de secções, onde moram livros, acompanhados por uma cadeira e um sofá para sentar e ler tranquilamente.
Também é lá que se encontra a minha secção preferida, a Infantil. Um espaço que esperamos que seja um pouco diferente do habitual nas livrarias. Aqui os ilustradores têm tanta importância como os autores, os "clássicos" não desaparecem com o tempo e os livros das pequenas editoras têm espaço para respirar.

Depois de um passeio pelas prateleiras, a minha escolha para esta semana foram estes quatro livros:

"Baralhando Histórias" de Gianni Rodari e Alessandro Sanna(ilustração), editado pela Kalandraka.

"Quando eu nasci" de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso(ilustração), editado pela Planeta Tangerina.

"O Papão" de Pablo Albo e Maurizio A. C. Quarello (ilustração), editado pela OQO.

E "Os Cinco e os contrabandistas", de Enid Blyton, editado pela Notícias, há muitos anos atrás.

Débora Figueiredo.

descobertas 2

Chegaram "novos livros velhos" à Pó dos Livros:

A Fernanda Botelho na edição da Unibolso. Não tão bonita como a edição da Contexto, com a capa de Júlio Pomar, que há pouco tempo encomendámos para um visitante habitual.

Três livros da colecção miniatura dos Livros do Brasil. Lindíssimas as capas de Bernardo Marques.
Ainda estou a "deitar o olho" ao "Ouro" de Blaise Cendrars, por causa das várias referências sobre ele no livro "Desmedida" de Ruy Duarte de Carvalho, edição Livros Cotovia, que li no Verão passado.




E o Pasolini.

Débora Figueiredo.

quinta-feira, janeiro 24

Não vale a pena forçar.

O Afonso tem onze anos, escolheu e comprou este livro por iniciativa própria, leu-o em apenas dois dias. Obrigou-me a ir à livraria no domingo só para lhe comprar o segundo volume. Estava todo orgulhoso de ter lido o seu primeiro livro a sério, até ao fim. Depois de todas as tentativas para que ele tivesse gosto pela leitura, nenhuma resultou. Tinha de ser ele a querer.

Jaime Bulhosa

quarta-feira, janeiro 23

paperbacks

Por causa da História de Música "Pelicano", que encontrámos na semana passada, e da especial curiosidade com que sempre abro as caixas da Penguin para espreitar as novidades, lembrei-me destas duas colecções de fotografias de capas de livros - Pelican Paperbacks e Penguin Main Series.

Aqui, na Pó dos Livros, os "paperbacks" e os "hardbacks" repousam perto da máquina de escrever, para além de se encontrarem na secção de "livros estrangeiros", onde pertencem. Ultimamente, sempre que estes três livros chegam, são rapidamente resgatados pelos nossos visitantes - "Selected Essays" de Gore Vidal, editado pela Abacus; "The Paris Review Interviews" vol.01 e vol.02 da Canongate Books; e "Exit Ghost", de Philip Roth, editado pela Jonathan Cape.

Débora Figueiredo

Os jovens e os livros

Pequenas estórias.

Livreiro: Bom dia!

Cliente: Bom dia! Desejava as “Viagens na Minha Terra” do Eça de Queirós.

Livreiro: Perdão! Deve haver um equívoco, esse título não é do Eça...

Cliente: (sem deixar acabar a frase e com uma expressão arrogante) tenho a certeza que é do Eça de Queirós!

Livreiro: Não será a “A Cidade e as Serras” do Eça, (Com a paciência obrigatória de quem está a atender).

Cliente: Não me dê lições! Sou licenciada e sei bem do que falo. Diz-me ou não se tem e, se não tem, onde o posso encontrar?

Livreiro: Pois bem! Esse livro não tenho nem vou ter, "improvavelmente" só na Byblos. Foram eles que prometeram ter tudo…

Jaime Bulhosa

terça-feira, janeiro 22

Uma crise (meramente) literária?

Li este artigo do Pedro Rolo Duarte e, pergunto-me como estará tão bem informado em relação aos números do mercado editorial e livreiro? Se nós que estamos no mercado, não o sabemos.
“530 milhões de euros em livros vendidos” parece-me demasiado, mas se pensarmos bem, este valor não é assim tanto quanto isso. Em termos de comparação apenas dá para construir 1/6 do futuro aeroporto de Lisboa, de acordo com os números veiculados pela imprensa.
Se fizermos uma conta simples a uma média de 15 euros por livro, resulta em 35.333.333 milhões de livros vendidos em 2006. O que daria uma média aproximada de 3,5 livros por habitante (é extraordinário), a ser verdade devemos ser o país que mais lê na Europa.
O que é isso do "Break-even médio", que eu saiba depende muito do livro e da tiragem. O PRD não faz ideia da dificuldade que é para a maioria dos editores e autores (alguns muito bons) vender metade de 2000 exemplares por volume. Aconselho-o a abrir uma editora, já que é tão fácil ganhar dinheiro.
Quanto aos editores e livreiros, “porque lhes está na massa do sangue a queixa e a lamúria”, como parece sugerir o autor do artigo, devem ser uns chupistas que apenas querem viver à conta do trabalho dos autores.
Também, Pedro Rolo Duarte diz: “Queixam-se os autores, mas só aqueles que vendem pouco (infelizmente a maioria)”. Pergunto, o mesmo não se aplica aos autores e a ele próprio enquanto autor? a estes já não lhes está na massa do sangue.
E se a maioria não vende, como se vende tanto?
Jaime Bulhosa

segunda-feira, janeiro 21

Destaque

O Regicídio é um álbum de capa dura ilustrado, uma obra comemorativa da efeméride do Centenário do assassínio do rei D. Carlos I e do príncipe D. Luís Filipe.
Em «Memória do Atentado», Maria Alice Samara descreve o cenário, as personagens, os acontecimentos e as consequências do atentado, recorrendo ao testemunho dos principais escritores, políticos e jornais da época. Figuras como Aquilino Ribeiro ou Raul Brandão, jornais como O Mundo ou o Diário Ilustrado, vão fornecendo os elementos para percebermos as várias perspectivas, os diferentes pontos de vista partilhados pelas facções políticas em jogo, as teorias, as suspeitas, as tendências.
Em «O Atentado Iconográfico», Rui Tavares acompanha a cobertura jornalística do regicídio feita pela Ilustração Portuguesa. Trata-se de um guia das representações iconográficas do atentado que revela a forma como os acontecimentos foram recebidos e comunicados em Portugal e por todo o resto do mundo, e que nos dá a conhecer os modos de fazer reportagem jornalística no começo do século XX. O traço dominante: a sagacidade e subtileza de humor que não deixam de nos surpreender.

sábado, janeiro 19

Livros antigos

Chegaram ontem à livraria, depois de, na quarta-feira passada, termos feito uma agradável incursão pelos alfarrabistas da Baixa. Já estão muito bem instalados na mesa da entrada, são em segunda mão e têm feito muitos dos nossos visitantes não resistirem a pararem para os folhear e recordar. Iniciam-se assim várias conversas sobre livros e editoras que já não existem e de que nós aqui na Pó dos Livros, tanto gostamos.

Alguns exemplares podem ver-se no post seguinte.
Débora Figueiredo

descobertas





terça-feira, janeiro 1

Origem da Pó dos Livros.

A ideia do nome da livraria Pó dos Livros surgiu quando estava a ler o livro "A Sombra do Vento", de Carlos Ruis Zafón. É um livro que, para além de muitas outras coisas, nos fala de um cemitério de livros esquecidos - livros cheios de pó. Este facto recordou-me uma pequena história passada comigo e com o meu pai durante a minha infância. O meu pai era um bibliófilo, comprava e lia compulsivamente. Um dia, pela tarde, em que mais uma vez chegava a casa com um saco cheio de livros, velhos e com pó, perguntei-lhe:
- Pai, porque é que compra sempre livros velhos e cheios de pó?
- Foi precisamente por terem pó que eu os comprei.
- Não entendi...
- Os livros com pó são os livros que resistiram ao tempo, por isso os considero importantes.

Jaime Bulhosa




A Pó dos Livros é uma livraria de bairro, independente, alternativa, com livreiros experientes e gosto pela partilha das suas leituras. Tem um conceito arquitectónico que nos transporta para um ambiente retro, decorada com objectos de outros tempos, fazendo lembrar as antigas e tradicionais livrarias de Londres, com estantes altas, negras, de madeira trabalhada, e com as paredes coloridas. Procura atrair um público diferenciado do das livrarias de grande superfície, clientes mais exigentes, mais selectivos, se quiserem. Oferecemos um largo conjunto de livros, que passa pelas novidades editoriais dos autores mais valorizados, pelo fundo de catálogo, pelos clássicos da literatura que, cada vez mais, são difíceis de encontrar nas livrarias de centro comercial. Tentamos dar o máximo de visibilidade aos catálogos das pequenas editoras, a edições de autor e a textos esquecidos. Privilegiamos, sem nenhum pudor de o expressar, as editoras e chancelas de qualidade. Somos particularmente exigentes na selecção dos livros da secção infantil e juvenil, tanto em termos da qualidade gráfica como pedagógica. Afinal de contas, é quase sempre nestas faixas etárias que se ganha o apetite, ou não, pela leitura. Tentamos sempre satisfazer aqueles pedidos que ninguém quer aceitar, porque dão muito trabalho e pouco retorno financeiro, isto é, fazemos, sistematicamente, périplos pelos alfarrabistas, feiras de usados, etc., em busca de um só livro que há muito se encontra esgotado, mas que o cliente deseja muito adquirir. Por vezes, dizem-nos que fazemos milagres. Apostamos nos novos meios de comunicação gratuitos que a Internet nos proporciona, como o blogue, o twitter e o facebook. Creio não errar se disser (e passe a imodéstia) que a Pó dos Livros é a livraria em Portugal com o maior número de fãs no facebook, sendo o nosso blogue um dos mais visitados na área dos livros.



A equipa da Pó dos livros:

Serviços: