sábado, maio 31

Da eficácia do marketing


“A filosofia segundo Monty Phyton”, coordenado por Gary L. hardcastle e George A. Reisch, edição Estrela Polar, 2008, pego no livro curiosa, na contra capa leio uma citação de Kim “Howard” Johnson: “Os fãs dos Monty Phyton gostam de pensar que são mais espertos que maioria das pessoas, e ficarão deliciados com este livro, que prova isso!”... Pronto, está bem! Eu compro o livro.

Isabel Nogueira

quinta-feira, maio 29

Dois livros

Chegaram à Pó dos livros esta semana e fiquei logo com vontade de criar uma categoria nova para eles - "livros especiais que gostamos de receber".


Débora Figueiredo

Durante a feira do livro e para atrair clientes, damos-lhes música…

Ainda sobre as barracas da feira do livro:)

Joana Areia, da editora Angelus Novus, disse-nos: "A nossa barraquinha é a mais bonitinha".

Nós também gostámos!
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Isabel Nogueira

Um Homem Feliz?

Eugène Delacroix, Auto-retrato


"(...) Que vida a minha! Penso nisto enquanto ouço esta bela música, sobretudo a de Mozart, que exala a calma de uma época bem ordenada. Encontro-me nesta fase da vida em que o tumulto das paixões enlouquecidas já não se confunde com as deliciosas emoções que me comunicam as coisas belas. Não conheço a burocracia e as ocupações repugnantes que são o dia a dia de quase todos os homens; em vez de pensar em negócios, penso só em Rubens ou Mozart: a minha grande preocupação durante oito dias é recordar-me de uma ária ou de um quadro. Entrego-me ao trabalho da mesma forma que outros vão ter com a sua amante, e quando o deixo trago para a minha solidão, ou para o meio das distracções que procuro, uma sensação encantadora - que pouco tem a ver com a emoção angustiada dos amantes. (...)"
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in Eugène Delacroix, Diário (Extractos), Editorial Estampa, 1979
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Isabel Nogueira

segunda-feira, maio 26

A polémica pariu um rato.


Muitas linhas se escreveram, muitas conversas se tiveram e muita polémica se criou à volta dos pavilhões diferenciados da Leya. Sinceramente, se foi por causa disto que se criou tanta confusão, não havia necessidade… Teve no entanto o mérito de conseguir nestes dois primeiros dias, com tanta publicidade gratuita, encher o parque Eduardo VII, como eu não via há muitos anos.
A questão colocada era a de saber se este modelo proposto pela Leya servia melhor o público: A primeira coisa que nos salta à vista é a descaracterização dos stands das diversas editoras, agora chancelas, Leya, todas com o mesmo layout. Não se distingue a Asa da Dom Quixote, a Texto da Caminho, etc., o que provocou alguma confusão entre o público menos atento às alterações do mercado editorial, obrigando as pessoas a andar pela feira a perguntar onde se encontravam estas editoras. Se é esta a intenção da Leya, então mais vale organizarem os livros por temas e não por editoras, seria bem mais lógico para o cliente. Depois, é nítido que todos os livros estão de chapa e que, consequentemente, existe um muito menor número de títulos disponíveis. Pergunto: onde está o famoso fundo editorial tão prometido?
Em termos de ambiente também me pareceu menos acolhedor. A praça Leya é uma ilha fechada com muitos seguranças fardados e algumas antenas anti-roubo (embora ainda não estejam a funcionar, são pouco simpáticas) e um sem número de funcionários espalhados pela praça, parecendo por vezes tão perdidos quanto os clientes. Os pavilhões, em termos estéticos, são simples e têm de facto a vantagem de se poder manusear todos os livros. No entanto, e por esse facto, muitos dos livros encontram-se já em más condições. O que obriga os clientes a pedir outro exemplar. Como leitor, continuo a preferir os pavilhões tradicionais, já que não vejo vantagens significativas nos da Leya.
O balanço será apenas feito no fim da feira. Na minha opinião será necessário fazer uma reflexão séria e atempada sobre as regras da Feira do Livro de Lisboa quanto às formas de participação dos editores e livreiros, se devem ou não ser alteradas; ter em conta a exagerada duração da feira e descontos praticados, com as manifestas consequências nefastas para livreiros e a médio prazo, para os próprios editores.
Se os pavilhões da Leya servem pior ou melhor o público é um balanço que interessa sobretudo à própria Leya.

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Jaime Bulhosa

quarta-feira, maio 21

segunda-feira, maio 19

Em torno do livro A globalização no divã - as Conferências do divã (21 e 27 de Maio e 3 de Junho, 18h, Livraria Pó dos Livros)



Conferências do divã – Ciência e sociedade num mundo globalizado
(21 de Maio, 18h)

Nas sociedades contemporâneas, a ciência ganhou um novo relevo, tanto na detecção como na resolução de vários problemas globais. Questões como os riscos ambientais, as novas doenças e epidemias, a crise dos recursos energéticos, os dilemas éticos da tecnologia, o desenvolvimento sustentável e a reformulação das políticas públicas impuseram aos cientistas novos desafios.
Como é que os cientistas se têm organizado para responderem a estes desafios? Como é que têm incorporado as necessidades e as reivindicações da sociedade no seu trabalho? Como têm comunicado com o público e divulgado o seu conhecimento? E a sociedade, como é que tem acolhido o seu contributo? E como se adaptaram as políticas científicas à nova situação?
Estas são algumas das questões que propomos para debate, partindo dos seguintes capítulos do livro A globalização do divã: Do tubo de ensaio à Nature: a ciência e a globalização (Ana Delicado); As novas formas de eugenismo: a genética entre o orgulho e o preconceito (José Eduardo Gomes); e Não mais estaremos sozinhos: a globalização do controlo (Catarina Fróis).

Moderadora:
- Ana Delicado, socióloga, co-autora do livro A globalização no divã

Intervenientes:

- Maria Eduarda Gonçalves, docente e investigadora no ISCTE
- Filipe Moura, docente no Instituto Politécnico de Leiria e investigador no Instituto de Telecomunicações, autor do blogue «O avesso do avesso»
- José Eduardo Gomes, biólogo, investigador de pós-doutoramento em França, co-autor do livro A globalização no divã e do blogue «Peão»

Inquérito

Este foi o resultado do inquérito sobre a Feira do Livro de Lisboa.
E ao que parece 48% dos inquiridos vão ficar satisfeitos.


Saramago sente que pavilhões diferenciados na Feira do Livro promovem discriminação

O Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, lamentou hoje que a Feira do Livro, em Lisboa, tenha sido adiada "sine die" e criticou a possibilidade de existirem pavilhões diferenciados, alegando que isso é diferenciar as classes.
(Ler mais no Público)

sexta-feira, maio 16

Juro que até queria…

Juro que até queria tomar partido nesta contenda entre APEL, UEP e LEYA, com a CML a servir de árbitro, esperando apenas que não venha a existir um apito dourado.
Mas tudo isto me parece um tesourinho deprimente do Gato Fedorento: é demasiado mau para ser verdade, e tudo o que é ridículo faz rir.
Não acredito nas boas intenções nem de um lado nem do outro. É necessário lembrar que a Porto Editora é maior ou pelo menos tão grande quanto a Leya, e que ambas defendem os seus interesses.
Quanto às editoras independentes, pequenas ou médias, só têm uma saída: trabalhar melhor, com mais rapidez e com mais qualidade, apresentando um produto final original. É absolutamente essencial que as editoras independentes aproveitem ao máximo as incapacidades e lacunas dos grandes grupos, fomentando, por exemplo, a proximidade criada com os seus autores, e que só é possível quando as editoras são de pequena dimensão. Apenas por esta via conseguirão sobreviver às dificuldades que se adivinham.
Claro que muitas vezes nos revoltamos contra injustiças cometidas, mas são estas as regras com que vivemos, e que passivamente aceitamos, sobretudo quando o assunto não nos afecta.
Em conclusão: eu tenho uma teoria… a da conspiração. Tudo isto não passa de uma acção concertada entre todos os intervenientes, para que a feira este ano seja um estrondoso sucesso comercial e lixe por completo os livreiros. A verdade é de que nunca se falou tanto dela...
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Jaime Bulhosa

Não esqueçam hoje às 21h 30 (entrada livre)


Eduardo Lourenço

quinta-feira, maio 15

A reportagem possível na Feira do Livro de Lisboa 2008

 RP - Feira

As Edições tinta-da-china tomam posição sobre Feira do Livro

"A tinta-da-china subscreve o abaixo-assinado proposto por Guilherme Valente da Gradiva. Também nós consideramos inaceitável que a CML depois de ter dado a organização da Feira do Livro à APEL, conceda directamente 720 m2 de espaço a um grupo empresarial que nem sequer se inscreveu para participar como todos os outros. Se tal acontecer, a CML estará a avalizar a prepotência, a arrogância e a falta de respeito por todos os editores. Consideramos mesmo que de todos os interlocutores neste processo é quem fica pior no retrato, abrindo um precedente gravíssimo."

Bárbara Bulhosa

Mais notícias sobre a Feira

Ao Portugal Diário, a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara de Lisboa, Rosália Vargas, explica que se as editoras da Leya não estiverem presentes na Feira do Livro, devido à «intransigência» da APEL, a autarquia «pode considerar que não estão reunidas as condições de garante de serviço público» e decidir não atribuir o subsídio.

Através de uma mosca livreira tivemos acesso a um pequeno “diálogo” entre a CML, APEL e UEP.

CML: Meus senhores, vamos ter calma e ser civilizados, a fim de resolvermos o problema da Feira do Livro de Lisboa.

APEL: Problema! Não havia problema nenhum até esses senhores chegarem.

UEP: Quem nós?

LEYA: Cala-te! Não estão a falar de ti.

APEL: Por razões pré-históricas, achamos que a feira deve ser realizada por nós.

LEYA: (Sussurrante) Ainda não perceberam que estão extintos…

APEL: Vêem, vêem… eles é que começaram com as ofensas.

UEP: Quem nós?

LEYA: Cala-te! Não estão a falar de ti.

APEL: Estes senhores defendem apenas os interesses do grande capital e não querem saber das classes operárias.

LEYA: E por vocês andávamos todos de bata azul como na China de Mao-Tsé-Tung.

APEL: Vocês são uns Mouros!

LEYA: Galegos!

UEP: Quem nós?

LEYA: Cala-te! Não estou a falar de ti.
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Jaime Bulhosa

quarta-feira, maio 14

Mercado do Livro

(clic na imagem para aumentar)

Pelas minhas contas o mercado do livro no que respeita à distribuição de livros e só referente a edições gerais, isto é, fora os livros escolares, deve andar mais ao menos assim em termos de volume de vendas.

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Jaime Bulhosa

Um exclusivo Pó dos Livros: documentário BBC sobre o novo mercado editorial português.

Jaime Bulhosa

Um novo best seller

Título:A Editora
Autor: Leya
Edição: Oficina do Livro
N.ºEdição: 5
PVP: ?.???.??? €

Brevemente numa livraria perto de si.

sábado, maio 10

Curiosidades (II)

Calcula-se em mais ou menos 100.000.000 (milhões) de livros escritos com textos originais em toda história da humanidade. Se em média cada um de nós viver 75 anos e se dedicarmos duas horas por dia à leitura de parte de um livro de 200 páginas. Teremos apenas tempo para ler 0,01% desse número.

Não sei se desisto ou se começo a correr…
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Jaime Bulhosa

uma novidade e uma sugestão


Cristina Valadas é a vencedora da edição deste ano do Prémio Nacional de Ilustração, com o livro "O rapaz que sabia acordar a Primavera", Luísa Dacosta (texto), edições Asa. Foram ainda, atribuidas duas menções especiais às ilustrações de Madalena Matoso para o livro "Quando eu nasci", Isabel Minhós Martins (texto), edição Planeta Tangerina; e às ilustrações de José Miguel Ribeiro para o livro "O rapaz que aprendeu a voar", Alexandre Honrado (texto), edição da Dom Quixote. Mais sobre o prémio e outras surpresas para ler no Planeta Tangerina.

Monstra 7º Festival de Animação de Lisboa - nada melhor do que passar uma manhã ou uma tarde no cinema, quando o fim-de-semana se adivinha chuvoso (com a vantagem de a programação do festival, incluir sessões para pequeninos - A Monstrinha).


Débora Figueiredo




sexta-feira, maio 9

Semana do Livro nas livrarias em alternativa, ou não, à Feira do Livro.

Tenho tido algumas reacções ao que escrevi neste post. Escrevi-o mais como provocação do que qualquer outra coisa. No entanto, é uma ideia de que já tenho falado com alguns colegas. Não sei sequer se é uma ideia original, mas em linhas muito gerais, e tanto quanto um post me permite explicar, consiste no seguinte:

A Semana do Livro realizar-se-ia nas livrarias de todo o país, que numa determinada data efectuariam descontos em todos os seus livros. Ao mesmo tempo, cada livraria, individualmente ou em conjunto, chamaria a si personalidades da cultura portuguesa, a fim de se realizarem eventos como debates, conferências, lançamentos, sessões de leitura, sessões de autógrafos e até eventos de outra natureza, como pequenos concertos de rua, etc. O objectivo seria promover o livro e a leitura e, como é evidente, vender mais livros.
Uma das formas possíveis de organizar uma festa do livro como esta seria cada conjunto de livrarias, de cada cidade ou vila, com uma pequena contribuição monetária, criar uma comissão com a responsabilidade de recolher a lista de participantes e eventos, fazer a comunicação e divulgação e pedir as autorizações necessárias às entidades competentes. Ou então, mais simples ainda, seria a própria APEL chamar a si esta responsabilidade.

Esta ideia não põe de forma nenhuma em causa a realização das tradicionais feiras do livro, que a meu ver faz todo sentido continuarem a realizar-se. Com barraquinhas ou com stands mais sofisticados. Na minha opinião e no que respeita à Feira do Livro de Lisboa, gosto mais como ela sempre foi desde que me lembro. Alterar o formato da Feira do Livro seria como alterarem o meu gelado de infância preferido: o Perna de Pau. E em vez de o Pirata ter a tradicional perna de pau, colocarem-lhe uma prótese. Claro seria bom para o Pirata, mas de certeza absoluta não teria o mesmo sabor.
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Jaime Bulhosa

Lançamento

( Faça clic na imagem para aumentar)

UMA NOVA GERAÇÃO FALA DOS EFEITOS DA GOBALIZAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Um grupo de jovens investigadores nascidos na geração de 70 reuniu-se para explorar as muitas vertentes que a globalização, tão discutida nos dias que correm, apresenta.

Das viagens virtuais pela Internet, até aos filmes do James Bond rodados no Sudeste Asiático, passando pelos benefícios e malefícios da globalização da ciência ou dos regimes de trabalho e pelas políticas de liberalização do comércio externo, os autores aventuram-se por caminhos variados, propondo ideias e teorias que inevitavelmente estimularão acesos debates.

quinta-feira, maio 8

Também estou confusa...

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Acabaram de chegar à Pó dos livros o novo Dicionário da língua portuguesa 2009 e o Acordo ortográfico - guia prático, ambos da Porto editora. Folheando este último, constato que o verbo haver de, vai deixar de ter hífen. Assim, passamos a escrever
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hei de
hás de
há de
havemos de
haveis de
hão de
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Mas,... não percebo... então e... há-des e há-dem, como é que se escrevem?!

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Isabel Nogueira

Sim, mas...


É uma excelente notícia, a oportuna reedição, pela Quetzal, de “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, há tanto tempo esgotado. (Por enquanto, saiu apenas o primeiro volume.)
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Mas..., tendo em conta a vida e o pensamento de Simone de Beauvoir, nós, as mulheres da Pó dos livros, não conseguimos deixar de questionar se a sua obra de fundo sobre a situação das mulheres na sociedade, não merecia outra capa. É que, vista nos nossos dias, esta fotografia de Simone de Beauvoir evoca o modelo de mulher burguesa, propagandeado nas capas das revistas femininas da primeira metade do séc. XX e sugere Simone de Beauvoir como alguém que ela conscientemente sempre se esforçou por não ser: uma senhora bem comportada!
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Isabel Nogueira

Não sei para que servem os livreiros…

Acontece poucas vezes, mas acontece, pessoas que procuram por um livro que já tinham visto em qualquer lado e, quando o querem comprar, apenas se recordam de um pequeno pormenor. Como por exemplo: a cor da capa. Eu sei, não é por mal e muitas vezes até ajuda. Se me pedem um livro com flores na capa ou de uma cor florescente, tenho 90% de probabilidades de acertar num título da Margarida Rebelo Pinto. Trabalhamos com um universo imenso de temas, autores e uma enorme quantidade de livros disponíveis. Já mais do que uma vez me exigiram, só porque tenho livros de física, que saiba explicar a teoria da relatividade. É como pedir a um escritor, só porque escreve, que conheça e saiba o significado de todas as palavras da língua portuguesa. É por isso que nós, livreiros, somos muitas vezes criticados e que nos acusam de não possuirmos conhecimentos suficientes. Pode até ser verdade. Podemos até ser especialistas num determinado tema, mas é-nos humanamente impossível sê-lo em todos os domínios do conhecimento.
Não é por falta de esforço, tentamos sempre conseguir mais informação, a fim de satisfazer o pedido do cliente. Vejam só este caso:

- Boa tarde, gostaria de adquirir o livro…???? (pausa). Sinceramente só me recordo da cor da capa.

- (Sorriso amável) Já agora, qual é?

- Cinzento, tenho a certeza!

- Não me pode dar mais nenhuma informação, como por exemplo o tema, o autor, a editora ou se leu sobre ele numa recensão de revista ou jornal, ou mesmo o tamanho do livro.

- Sim, era mais ou menos deste tamanho e a última vez que o vi foi na Livraria Bertrand do Chiado, no ano passado.

- Obrigado, já agora o tema, o autor.

- É exigente… romance, romance histórico.

- (Desesperado) Tenho imensa pena, mas continua a ser um pouco vago.

- Se eu estivesse na posse de todos os dados não precisava de você para nada, não lhe parece! Não sei para que servem os livreiros, para o pouco que são necessários não sabem ajudar.

- De facto, tem toda a razão, sei que é uma falha grave da nossa parte. Mas infelizmente não sou especialista em cromologia, nem temos nenhuma secção de “livros cinzentos”, embora a ideia, para muitos livros, pudesse ser posta em prática.
Jaime Bulhosa

Leya está fora das Feiras

Vi este comunicado da APEL.
É uma pena, por isso eu proponho, para acabar com as guerras, nós livreiros organizarmos a feira do livro. Isto é, durante 15 dias fazíamos descontos de feira e promovíamos debates, sessões de autógrafos, conferências, etc.. E cada um ia à livraria que lhe apetecia.
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Jaime Bulhosa

quarta-feira, maio 7

surpresas

Momento bom do dia: desembrulhar uma encomenda da Sodilivros e lá de dentro, saltarem dois livros que ficaria a ler o resto da tarde, se não tivessemos a colecção da Ciência Aberta - Gradiva e o resto da seccção de Divulgação Científica toda para arrumar. Assim, só quando a ciência e o cosmos estiverem em ordem é que passo às leituras.

- "Diário 1941-1943" de Etty Hillesum, Assírio & Alvim

- "Já cá não está quem falou" de Alexandre O'Neill, Assírio & Alvim

Débora Figueiredo

Não sei porquê...


Existe um livrinho infantil da Dom Quixote que tem passado despercebido, pelo menos aqui na Pó, está na montra e ninguém lhe pega, não sei porquê…
“Os Dois Corvos”, 1944 de Aldous Huxley. Esse mesmo, o famoso romancista, ensaísta e critico literário e que tem um livro chamado: “Admirável Mundo Novo”.

Digo-vos, não é todos os dias que podemos ler uma história aos nossos filhos, escrito por tão bom escritor.
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Jaime Bulhosa

Tropa de Elite

Não sei quem é o responsável por este texto da página da Fnac que serve de introdução ao livro “Tropa de Elite”. Fiquei estupefacto: já vi o filme e não foi de todo esta a leitura que fiz do (BOPE), não têm nada de incorruptíveis e chamar de dignos a quem mata sumariamente e sem julgamento, também me parece exagerado. Acho que a Fnac tem a obrigação de ser mais criteriosa nos textos que exibe.
Devo acrescentar que na contra capa do livro da Editorial Presença a sinopse é bastante mais cuidada.

O “BOPE” e o combate à violência brasileira.
“Baseado em factos reais, Tropa de Elite alia-se à ficção para descrever o exaustivo trabalho do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) do Rio de Janeiro. Treinados para lidar com situações especiais, os elementos do BOPE distinguem-se pela incorruptibilidade, honra, dignidade e coragem. Mas as suas práticas de combate ao crime são descritas como violentas, cruéis e implacáveis. Todos os dias os polícias arriscam a vida em nome do dever, nem por isso auferindo salários em conformidade sendo o orgulho na missão aquilo que os faz mover e que os eleva à categoria de benfeitores por entre as populações. A ameaça é uma constante na vida destes homens e a sua incursão pelas favelas, por bairros pobres e problemáticos, obriga-os a fazerem uso do sangue frio e a entoarem o grito de guerra em casos de brutalidade extrema. A primeira parte do livro revela o quotidiano desta polícia e as suas práticas e a segunda parte acompanha uma personagem que se envolverá com autoridades, traficantes, e políticos num circuito onde o perigo espreita a cada esquina e se tecem relações melindrosas em torno da corrupção. Tropa de Elite revela como o BOPE se destaca destes círculos, como despista o crime e corajosamente o enfrenta e reprime.”

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Jaime Bulhosa

terça-feira, maio 6

Anedota de Livreiro

Entra um cliente e diz:

Queria o livro “Como Saber Fazer Amigos”. Seu… livreiro de merda!

segunda-feira, maio 5

"Todos negam que os tops sejam comprados", eu também.

Li o artigo de hoje no Público de Alexandra Lucas Coelho, sob o título “Como os livros pagam para ser vistos”, tema ao qual já tinha dedicado umas linhas aqui.
Gostaria de fazer apenas alguns comentários:

“Os hipermercados foram disruptivos, criando uma lógica que depois foi sendo copiada”, diz Teresa Figueiredo, ela própria vinda do “grande comércio, dos detergentes”
(Teresa Figueiredo, directora de marketing Bertrand)

Com todo o respeito que a senhora me merece e não pondo em causa a frase: fiquei a saber que a lógica do mercado dos livros é a dos hipermercados, ou seja, a dos detergentes.

“Acredito que os tops não são comprados, mas uso como referência sobretudo os tops da Fnac e da Bertrand, embora pense que livrarias como Bertrand e Bulhosa vão promover melhor os livros das editoras a que estão ligadas. Mas isso não quer dizer que os tops estejam viciados, apenas que há uma saudável sinergia entre empresas do mesmo grupo. Os livros vão realmente ao top porque vendem mais, mas podem vender mais pelo facto de estarem melhor expostos.”(José Prata, Lua de Papel)

Toda este parágrafo me parece um paradoxo ou uma tautologia. Não vejo porque razão a Fnac há-de ser diferente dos outros. A ser verdade, como diz o artigo, que a negociação da venda de espaços pressupõe um maior desconto sobre os livros, então, a Fnac terá, como os outros, todo o interesse em vender mais os livros que lhes dão maior lucro.
E se o top reflecte as vendas e as vendas são reflexo dos destaques, isto quer dizer que o top é indirectamente viciado. Mais, quando José Prata diz que: “apenas há uma saudável sinergia entre empresas do mesmo grupo”, eu pergunto: saudável para quem, para o consumidor?


«O livreiro não se deixa comprar. “Ele tem noção de que ganha dinheiro a vender livros e não espaços. Se deixar que a montra seja comprada para expor um livro que não tenha aceitação, acaba por perder dinheiro.” O livro que interessa ao livreiro é aquele que se continua a vender depois de sair da montra. “O livreiro tem mais interesse em aceitar livros com capacidade de long seller.»(António Lobato Faria, Oficina do Livro)

Embora esta ideia seja lisonjeira para com o livreiro, não me parece verdadeira. O dinheiro que se cobra por uma montra compensa em muito os livros que se deixam de vender durante o curto período do acordo entre editor e livreiro. Mas contém alguma verdade: existem livros que nunca chegam ao top, mas que, por serem long sellers, feitas as contas no fim de um ano, acabam por ser mais compensadores.

“Não vou pensar que com operações de marketing vou ver pessoas a saírem com o Pires Cabral ou o Aguiar e Silva ao lado do Palmolive”
(André Jorge, Cotovia)

Tenho visto alguns exemplos de livros que à partida seriam apenas para uma minoria, mas que, por causa de um artigo ou por via de acções de marketing, venderam que nem ginjas, como é o caso de “Portugal, hoje” de José Gil, Relógio de D’Água, 2004.

Nós como pequena livraria independente, ficamos à espera de uma proposta verdadeiramente aliciante…! Por enquanto os nossos clientes podem ter a certeza de que os nossos livros não são expostos por este critério.
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Jaime Bulhosa

Hoje no Público

Como os livros pagam para ser vistos.

"Nas grandes cadeias de livrarias, a visibilidade tem um preço e ajuda a chegar ao top:montras, mesas, topos, expositores, destaques..."

Um artigo de Alexandra Lucas Coelho, pag.12 e 13 do Público (transcrito aqui).

Mais vale tarde

Isabel Nogueira

domingo, maio 4

para ver e para ler.



E porque os livros são feitos com letras, um interessante artigo sobre as fontes mais apropriadas para utilizar em livros infantis, a ler na Tipografia.

Débora Figueiredo.

*imagem com moldes para fabricar letras de madeira, de Reinhard von Tumbling.

sábado, maio 3

Nem só de livros

Pois é, nem só de livros se fala no blogue de uma livraria e hoje apetece-me falar de música, ou melhor, apetece-me falar de fado, apetece-me falar de Camané, apetece-me falar de SEMPRE DE MIM.
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Camané, Sempre De Mim,
EMI Valentim de Carvalho, 2008
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Quando vamos ler a poesia cantada por Camané, surge-nos primeiro um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen que, no disco, Camané não canta, nem diz:
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SE TODO O SER AO VENTO ABANDONAMOS
E SEM MEDO NEM DÓ NOS DESTRUIMOS,
SE MORREMOS EM TUDO O QUE SENTIMOS
E PODEMOS CANTAR, É PORQUE ESTAMOS
NUS, EM SANGUE, EMBALANDO A PRÓPRIA DOR
(...)
-
e se sentimos que estes versos estão lá, porque é assim que Camané se nos apresenta e nos oferece a sua arte, sentimos também que antes de os lermos, porque o ouvimos cantar, já o sabíamos.
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Isabel Nogueira

sexta-feira, maio 2

Frase fora do contexto


Todos nós sabemos de como uma frase fora do contexto pode assumir um significado completamente diferente do pretendido. Principalmente quando uma dessas frases é retirada por uma mulher.
Recentemente fui a Londres a pretexto da Feira do Livro. Nos intervalos do trabalho aproveito sempre para passear um pouco pela cidade. Num desses passeios, ali para os lados de Leicester, eu e um colega conversávamos sobre uma característica engraçada daquela zona da cidade: a existência de homens no meio da rua agarrados ao pau (salvo seja). Isto é, uma das formas de publicitar as agências de venda de bilhetes para os muitos teatros e espectáculos que se realizam em Londres é ter um ou mais homens, no meio da multidão que passa, exibindo cartazes com a indicação do local onde poderemos adquirir os ingressos. O meu colega falava-me de como seria difícil ter um emprego destes, já que os desgraçados estão ali um bom par de horas em pé, a segurar o cartaz, sob as intempéries climáticas de Londres. Um pouco mais adiante, duas colegas que nos acompanhavam no passeio e alheadas como sempre das conversas dos homens, ouvem a seguinte frase solta: Olha! Aquele tipo é esperto, tem o pau atado à cerca. As duas em uníssono e com uma expressão perplexa, exclamam: O pau o quê…!?
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Jaime Bulhosa