sábado, junho 28

"No Verão, à noite,
nado no depósito picotado de estrelas.
Lavo a cara primeiro com uma mão,
depois com a outra,
depois com as duas juntas,
e isso dá-me uma enorme alegria."

Julio Cortázar
em "Discurso do urso", ilustrações de Emilio Urberuaga, edição da Kalandrada.
Débora Figueiredo.

sexta-feira, junho 27

Apologia

As meninas-dos-olhos da Pó dos livros, são aqueles livros que não estão esgotados, não são em segunda mão mas: “já não se conseguem encontrar em lado nenhum”. Aqui encontram-se e até andam infiltrados, em cima das mesas, por entre as novidades. Coloca-se lá um, fica dois, três dias e: “há que tempos que eu andava à procura disto!”, lá vai com um leitor feliz, dando o lugar a outro: “não sabia que havia esta edição” e entra outro na roda: “olha! vocês têm este...será que também conseguiam arranjar...?”. Se não estiver esgotado arranjamos com certeza, se estiver esgotado oferecemo-nos para procurar um em segunda mão. “Se me permitem, vocês têm feito verdadeiros milagres!” Permitimos e agradecemos, corados de satisfação. No entanto, há que frisá-lo, não fazemos nada de especial, é o nosso trabalho. Afinal somos uma livraria, não é? Não, não é. Somos uma livraria independente.


Isabel Nogueira

quinta-feira, junho 26

Literatura Light


- Cliente: Por favor, será que me podia indicar um romance leve para ler agora nas férias.

- Livreiro: Com certeza, temos por exemplo este é uma leitura acessível mas com muito interesse.

- Cliente: Não, não percebeu… o que eu queria mesmo era um livro leve, ai no máximo com 100 páginas.

- Livreiro: …???


Jaime Bulhosa

Destaque


«Escrevo porque há uma mentira qualquer que quero denunciar, um facto qualquer para o qual quero chamar a atenção, e a minha preocupação inicial é ser ouvido»


Saiu agora o livro “Por Que Escrevo e Outros Ensaios” de um dos meus escritores preferidos, George Orwell. Numa bela edição da Antígona, uma selecção da selecção de ensaios que John Carey preparou para Everyman’s Library (2002) e que tem 1369 páginas. Esta antologia reúne uma pequena amostra desses ensaios.

Edição: Antígona
Tradução: Desidério Murcho
N.º de Páginas: 153
PVP: 15.00

Jaime Bulhosa

Dr. António Sousa Homem

Carta de António Sousa Homem para o lançamento do seu livro.
Na impossibilidade de estar presente ontem, na sessão de lançamento do seu livro, o Dr. António Sousa Homem enviou a seguinte carta:

Literatura Primavera/Verão

Já aqui tinha escrito sobre a sensação de que se lia mais determinados temas de acordo com as estações do ano. E de como alguns editores ao se aperceberem deste facto, passaram a editar livros com capas e temas relacionados com as estações.
Vejam este pequeno filme com algumas novidades editoriais, e digam lá se tenho ou não razão.

Jaime Bulhosa

quarta-feira, junho 25

Na Pó dos livros

(Clic na imagem para aumentar)

O Futuro Tem 100 Anos

Lançamento dia 28 de Junho, no Auditório da Biblioteca do Barreiro às 17:00. Organização livraria Letra 12.

terça-feira, junho 24

Passatempo

Como forma de divulgar o livro “Pequena História do Tempo”, Leofranq Holford-Strevens, edições Tinta-da-China,
a Pó dos livros propõe um passatempo que consiste em tentar adivinhar a resposta irónica dada por Santo Agostinho a esta questão:

- O que é que Deus andou a fazer durante o tempo, antes de decidir criar o mundo?


Nota: Temos 5 livros "Pequena História do Tempo" para oferecer às primeiras 5 respostas correctas ou às cinco melhores frases. Basta para isso que nos envie um e-mail (podoslivros@gmail.com) com a seguinte informação: Nome, Morada e frase. Logo que receba um e-mail da Pó dos Livros com a confirmação do prémio, poderá levantá-lo na livraria.
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(Caso viva fora da grande Lisboa poderá pedir o envio do mesmo por correio)

segunda-feira, junho 23

Uma ideia...

As livrarias independentes já estão a trabalhar em conjunto. Não será a hora dos editores independentes fazerem o mesmo?

Jaime Bulhosa

sexta-feira, junho 20

Já não se fazem assim...

A relatividade do Tempo

Conversa entre o João de 14 anos e o Vasco de 5 anos:

- Olha! Vasco, este relógio está a trabalhar desde que eu era da tua idade.

- Ena Pá! Se calhar até está a trabalhar desde o ano de 2002

- Não Vasco, antes disso.

- O quê… Desde o ano 2000 e zero. Isso é no tempo dos dinossauros.

- Não Vasco, eu nasci antes disso.

- Oh! Então tu és um dinossauro…

Pré-Publicação "Pequena História do Tempo"

Será que a organização do tempo em horas, dias, meses e anos é objectiva e universal? Por que razão uma semana dura sete dias? Em que momento histórico é que os minutos e os segundos passaram a existir? Porque é que há calendários lunares e calendários solares?
Num registo de divulgação para o leitor comum, Leofranc Holford-Strevens demonstra que as diferentes culturas e civilizações sempre mediram o tempo em função das suas exigências sociais. As unidades de tempo são, portanto, uma construção artificial do ser humano, cumprindo o objectivo essencial de satisfazer desejos, motivações ideológicas e necessidades económicas. Os exemplos vão da Roma Antiga, com a imposição do ano bissexto por Júlio César, até à estipulação de uma data fixa para a Páscoa, em 1920.

Leofranc Holford-Strevens, doutorado pela Universidade de Oxford, é consultor das edições académicas da Oxford University Press. Escreveu The Oxford Companion to the Year (com Bonnie Blackburn, 1999) e Aulus Gellius (2003).
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Edições Tinta da China
PVP: 15.90€

Pré-Publicação "Pequena História das Cruzadas"

O fervor das cruzadas tomou conta da Europa durante cerca de 200 anos, constituindo um dos episódios mais vívidos e extraordinários da história do mundo. Mas terão as cruzadas sido motivadas pelas recompensas espirituais ou pelas recompensas materiais? Será que os primeiros passos do colonialismo europeu foram uma tentativa de limpeza étnica ou uma manifestação de devoção religiosa?
Nesta Pequena História, Tyerman fomenta uma discussão viva e inteligente sobre as cruzadas, analisando a história dos conflitos bélicos até à actualidade. Uma perspectiva do passado, mas também um balanço da presença do ideário das cruzadas nos conflitos que ainda hoje opõem o mundo cristão e o mundo islâmico.

Christopher Tyerman lecciona História Medieval no Hertford College e no New College, Universidade de Oxford. É membro da Royal Historical Society e coordenador da OxfordHistorian. Tem publicadas diversas obras sobre a história das cruzadas.
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Edições Tinta da China
PVP: 15.90€

Lançamento do Livro “Os Males da Existência”


No próximo dia 25 de Junho, quarta-feira, pelas 18h30 na Pó dos livros. Lançamento do livro “Os Males da Existência” de António Sousa Homem, Bertrand Editora.
A apresentação do livro caberá a Francisco José Viegas e Maria Filomena Mónica.

quinta-feira, junho 19

LI - Livrarias Independentes

Como já foi divulgado, nomeadamente no blog da LER e Blogtailors, confirmamos a reunião de livreiros no próximo dia 22 de Junho na livraria Pó dos livros, com o intuito de criar a associação LI – Livrarias Independentes. Está confirmada a presença de cerca de 40 livrarias de todo o país.

Brevemente daremos mais notícias.

quarta-feira, junho 18

A sabedoria das crianças...

Comentário de uma criança de cinco anos, filho de pai livreiro e mãe editora em visita à feira do livro e apercebendo-se das diferenças óbvias entre livreiros e editores:

- Olha! O meu pai tem uma livraria e a minha mãe uma barraca de livros.

Nota: Obrigado pela parte que nos toca :)

Jaime Bulhosa

quinta-feira, junho 12

Curiosidades (III)

Os 10 livros mais vendidos em todos os tempos

1 Bíblia Sagrada: - 5-6 bilhões de cópias
2 Citações do Comandante Mao Tsé-Tung: - 900 milhões de cópias
3 Corão: - 600-800 milhões de cópias
4 Dicionário Xinhua Zidian: - 400 milhões de cópias
5 O Senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien) - 150 milhões de cópias
6 Livro de Mórmon: -120 milhões de cópias
7 Harry Potter e a Pedra Filosofal (J.K. Rowling): -107-110 milhões de cópias
8 O Caso dos Dez Negrinhos (Agatha Christie): - 100-110 milhões de cópias
9 Dicionário Webster da Língua Inglesa (Noah Webster): -100 milhões de cópias
10 Livro Guinness dos Recordes: - 94-100 milhões de cópias

Nota: apenas os dois primeiros livros desta lista parecem ser um consenso em quase todas as listas divulgadas no mundo.

quarta-feira, junho 11

Azul ou roxo?

Não sei se é porque de repente o céu fica tão azul ou por que as flores dos Jacarandás desatam a alcatifar as ruas mas em Junho, Lisboa fica ainda mais bonita!


(Estes são nas Avenidas Novas, aqui mesmo pertinho da Pó dos livros.)

Isabel Nogueira

A HISTÓRIA DE UM RAPAZ MAU

segunda-feira, junho 9

Arrogância

Li este comentário no blogue da Booktailors, enviado por um senhor chamado Hugo Xavier, que é coordenador editorial da Cavalo de Ferro. Nem sequer lhe vou dar a satisfação de uma resposta. Apenas manifesto o meu desprezo por quem se considera, vá-se lá saber por que razão, intelectualmente superior aos livreiros - esquecendo-se de que são os livreiros, uns melhores, outros piores, que muitas vezes determinam o sucesso dos seus livros e que, nas melhores e nas piores circunstâncias, são seus parceiros.
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Jaime Bulhosa

Parabéns também Sextante



sexta-feira, junho 6

A música também é para se ver.

Joanna Newsom The Book of Right-On

Pensava que eu é que estava zangado...

Ainda sobre este post recebemos este comentário da livraria de Sines a das artes:

a das artes disse...
«Que lei do preço fixo do livro? Quem a conhece? Nem sequer a famigerada ASAE!!! Anúncios de página inteira com 50% e mais de desconto; balcões dos CTT (pagos por todos nós) a fazerem concorrência ao comércio que investiu por sua conta e risco!...; Editoras a fazerem desconto de 50 e 60% a "paraquedistas" que correm Bibliotecas, Escolas e Câmaras Municipais a vend"a"r ao desbarato para prejuízo de quem investe fora das capitais. Não esquecer o artº 12º do Capítulo II da Lei do Preço Fixo segundo o qual o desconto máximo para bibliotecas é de 20%.Tudo bem - que o livro chegue mais barato ao público mas, para isso, que sejam dadas condições iguais a TODOS!»

9 de Junho 18h30 na Pó dos Livros

(Clic na imagem para aumentar)

Como é que eu não me lembrei disto?!

Passei por uma das mais representativas livrarias de Lisboa e deparei com esta montra. Fiquei a sentir-me um parvo. Como é que eu não me lembrei disto?! De facto, há gente que é visionária. Por estas e por outras é que os pequenos livreiros não vão para a frente.
Realmente, devo estar rodeado de idiotas... Eu não posso pensar em tudo e ninguém aqui na Pó dos Livros pensou numa forma de aproveitar este grande momento da literatura portuguesa que é o Euro 2008! Ou seja, ninguém se lembrou de dar destaque a obras como as do Cristiano Ronaldo, do Nuno Gomes ou desse «gigante» da literatura que é o José Mourinho. Claro, se estes assuntos não passam na televisão, como poderia eu lembrar-me? Ah, a propósito, entre os diversos livros que estavam na montra dessa mesma livraria, um intitulava-se: «Como Tornar-se Doente Mental». Seria piada?... Bem... Viva Portugal!
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Jaime Bulhosa

quinta-feira, junho 5

Uma ideia generalizada

Por reacção a este post, tive um comentário no blog dos Booktailors que gostava de responder em defesa de alguns livreiros.
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Serafim Gonçalves disse...
"Os livreiros (à excepção das grandes redes livreiras e de uma ou outra livraria independente)estão nessa posição porque querem e porque não têm sabido organizar-se num movimento associativo autónomo. Aliás, nem sequer têm sido capazes de se modernizar apesar de uma Lei do Preço Fixo do Livro criada há mais há cerca de 20 anos especialmente para os proteger das grandes superfícies. Têm-se posto a jeito na posição de elo mais fraco e as editoras agradecem.

Mas muito cuidado com a vitimização dos livreiros. No negócio do livro eles ainda são os que assumem menos riscos. O que não conseguem vender, devolvem às editoras, eliminando muito prejuízo, fazendo-o recair sobre as editoras (e quando as editoras não conseguem vender, os livreiros estão-se borrifando). E uma média de metade do preço da capa dos livros fica para os livreiros. Os outros 50% ficam nas mãos dos editores, e é de onde devem sair os direitos de autor, os custos de produção e os custos de distribuição. Em regra, uma editora fica com cerca de 5% do preço de capa como lucro líquido. O que, dependendo da perspectiva de cada um (entenda-se para a maior parte dos negócios), é muito pouco para os riscos que o negócio implica."
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Resposta:
Convido o Sr. Serafim Gonçalves a vir à Pó dos Livros ver as facturas dos nossos fornecedores para verificar os descontos, o investimento que fizemos e as despesas que temos. E garanto-lhe que não é nem de perto nem de longe o que diz. Em relação à lei do preço fixo, esta não foi criada para defender os livreiros das grandes superfícies, há 20 anos como diz, não havia grandes superfícies a vender livros e foi defendida pela maior parte dos editores. Quanto a quem é que ganha mais neste mercado, penso que está bem distribuído entre: autores, editores, distribuidores e livreiros. Quem arrisca mais? Fique sabendo que o investimento de uma livraria é bem maior que o investimento que se faz para começar uma editora. Digo-lhe também que nem todos os livros têm direito de devolução, esta tem regras e custos inerentes, já para não falar dos roubos, na ordem dos 3% que ficam a cargo do livreiro e funcionam para o editor como venda. Muito mais poderia dizer, como por exemplo, o facto de hoje estar instituído descontos ao cliente na ordem dos 10% sobre o preço de capa, mais os descontos de Visa e Multibanco. O resto fica para quando cá vier.

Os meus cumprimentos

Jaime Bulhosa

Conversas com um filósofo de meia polegada.

Vasco cinco anos.

- Pai, Deus é infinito?
- É… não é… não sei… talvez…
- Não é pai!
- Ai não…Porquê?
- Se fosse, não cabia no Mundo. Não faz mal pai, mas eu gosto de ti até ao infinito.

O Vasco fez-me lembrar este livro.
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Jaime Bulhosa

quarta-feira, junho 4

Premiada



O Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, foi atríbuido a Ana Luísa Amaral, pelo livro "Entre dois rios e outras noites", editado pela Campo das Letras.

terça-feira, junho 3

Um passeio pela Pó dos Livros

É demais…

21 dias de feira do livro. Não quero fazer o papel de coitadinho, mas é demais…
Não é bom para quem trabalha na feira, que normalmente faz desse trabalho uma extensão do seu emprego para ganhar mais uns trocos e que por causa disso fica sem folgas durante um mês. Não é bom para os editores, que vêem as despesas acrescidas com custos de pessoal e não são compensados com as vendas miseráveis durante os dias de semana. E não é bom para os livreiros (porque impedidos de participar na feira por causa de uma cláusula inventada pelos editores da APEL, que diz: não se pode vender o mesmo livro em dois stands diferentes), que não vendem durante mais de um mês e mantêm as despesas. Não é bom para os livreiros, editores e distribuidores, porque a diminuição das vendas de livros nas livrarias se prolonga muito para além da feira.

Será bom para o público?

Uma certeza eu tenho: tantos dias de feira e o exagero nos descontos praticados (muitas vezes sem ter em conta a lei do preço fixo) servem para criar a percepção, entre o público, de que, durante o resto do ano, o preço dos livros se baseia na especulação, não dependendo do seu custo real.

Proponho: apenas duas semanas de feira do livro e abertura às 10 horas da manhã durante os fins-de-semana. Tempo mais que suficiente para que se realize a festa do livro e para que o público consiga disponibilidade para lá se deslocar.
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Jaime Bulhosa

segunda-feira, junho 2

Numa livraria às moscas…


Para além da crise económica e da feira do livro, existem outros factores que fazem com que algumas livrarias não tenham clientes:

Cliente: (Após um desentendimento) Você cultiva a estupidez e a falta de educação ou é completamente inapto.

Livreiro: Agora deixou-me desconsertado… Bem pelo contrário, acho até que trago um toque de classe e de elevação a esta livraria.

Cliente: De facto você é arrogante! Por favor, chame o seu gerente.

Livreiro: (Surpreendido) Como?

Cliente: Ah! Ficou nervoso… talvez com medo de uma repreensão ou mesmo de perder o emprego?

Livreiro: Não! Lembro-lhe que eu apenas trabalho aqui. E que é meu dever desaconselhá-lo. Mas se é esse o seu desejo…

Cliente: (Depois de uma longa espera) Com quem eu estou a falar?

Gerente: (Com um ar de enfado) Com a “Rainha de Inglaterra” e, quem é o idiota que me incomoda?
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Jaime Bulhosa

Parabéns

Parabéns à BOOKTAILORS e à revista LER por se terem lembrado de organizar os “Prémios de Edição”. A meu ver, e pelo que posso observar, trata-se de uma bela e bem pensada iniciativa.
Pela primeira vez, pelo menos que eu saiba, finalmente um prémio na área do livro que se lembra de destacar toda a cadeia de valor. Pela parte que nos toca, nós, livreiros, agradecemos desde já o facto de também estarmos incluídos nestes prémios e de, assim, sermos reconhecidos pelo nosso trabalho na divulgação do livro.
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Jaime Bulhosa