terça-feira, setembro 30

O novo slogan de Barack Obama

Jaime Bulhosa

Aprendi a vender conteúdos

O meu pai, bibliófilo, olhava para os livros como objectos de culto. Via neles o transcendente, acreditava que por si só transportavam segredos, conhecimentos divinos, histórias únicas que se perderiam para sempre se não fossem preservadas naquele objecto específico. Ao contrário do bibliomaníaco, que apenas colecciona livros, o bibliófilo lê-os compulsivamente, nutrindo amor por eles. Por isso, nada era mais aborrecido para o meu pai do que ver os seus livros deteriorarem-se. Infelizmente, era o que acontecia aos mais frequentemente manuseados. Então, como se os livros se tratassem de pessoas, rapidamente lhes construía uma roupa, como costumava dizer: “Um livro sem capa no meio dos outros é um livro nu, é como estivéssemos no meio da rua, despidos entre uma multidão vestida.” Quando não tinha dinheiro para mandar fazer uma encadernação condigna para esses livros, fazia-lhes as capas com cartolinas revestidas a pano, muitas vezes aproveitadas de pastas de arquivo velhas. Depois, escrevia o título e autor a esferográfica, no rosto e na lombada. Não era necessária uma capa colorida, nem altos ou baixos-relevos, nem fotografias apelativas. O que interessava ao meu pai era preservar o conteúdo. Isso sim era o mais importante.
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Jaime Bulhosa

segunda-feira, setembro 29

NÃO PERCA OS 3

Um excerto em filme do debate realizado na passada semana dia 23 de Setembro, organizado pelas Edições tinta-da-china e Livraria Pó dos livros. Fernanda Câncio, Pedro Mexia e Rui Tavares, convidam o Professor João César das Neves para debater o tema “A Crise Financeira dos EUA”.









A não perder

Mesmo aqui ao lado da Pó dos livros, na Fundação Calouste Gulbenkian começa hoje um colóquio internacional sobre Machado de Assis, no dia do centenário da sua morte.

Débora Figueiredo

sábado, setembro 27

Portugal Povo de Suicidas

“ Portugal é um povo triste, e é-o até quando sorri. A sua literatura, incluída a sua literatura cómica e jocosa, é uma literatura triste. Portugal é um povo de suicidas, talvez um povo suicida. A vida não tem para ele sentido transcendente. Desejam talvez viver, sim mas para quê? Mais vale não viver.”

“ Aqui em Espanha, a literatura portuguesa não é tão conhecida e apreciada como deveria ser, sendo embora as duas línguas tão afins que podemos ler o português sem grande esforço. Diferencia-se do castelhano muito menos do que o catalão, sobretudo o português escrito. Estando embora os dois países vizinhos isolados, de certo modo, do resto da Europa, não sei que absurdo nos manteve separados no plano espiritual.”

Miguel de Unamuno
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Edição: Letra Livre
Tradução: Rui Caeiro
PVP: 8€

sexta-feira, setembro 26

quinta-feira, setembro 25

Uma tarte absolutamente deliciosa

Tarte de Mamute
Jeanne Willis / Tony Ross (ilustração)
Livros Horizonte, 2008
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Og, um homem das cavernas escanzelado, estava farto de caroços, estava farto de tremoços, queria era carne e ossos! Com a ajuda dos seus amigos, Og decide apanhar o mamute anafado que vive no alto da montanha, e com ele fazer uma tarte. Irão conseguir? Ou será que Og, Ug, Gog, Bog, Nog e Mog vão ter de se contentar com ervas daninhas e sementes para o jantar.
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Isabel Nogueira

quarta-feira, setembro 24

Agradecimento

Em relação a este post sobre a exportação de livros portugueses, gostaria de agradecer a todos os que tentaram ajudar. Faço aqui um especial destaque à Porto Editora, por ter sido a única empresa portuguesa que se interessou pelo assunto.

Jaime Bulhosa

terça-feira, setembro 23

Livrarias de culto

O Escape do Expresso classificou 4 livrarias como sendo de culto, entre elas a Pó dos livros. Não nos identificamos muito com esta designação, nem sequer existimos há tempo suficiente para a merecer. No entanto, obrigado pela referência.

segunda-feira, setembro 22

Telejornal

Não perca os 3

Verificámos que o debate referido neste post e promovido pela Pó dos Livros tem suscitado na blogosfera, principalmente no Arrastão e no 5dias, alguma polémica, nomeadamente acerca do título escolhido. Entre muitos comentários, há um que não posso deixar de referir e que se refere a nós da seguinte maneira: «verifica-se assim que até uma livraria cosmopolita, que se quer selecta, não consegue esconder o seu aspecto de tasca ordinária… depois queixem-se da ordinarice televisiva… o mundo está perigoso, realmente…»
Devo apenas recordar a quem se preocupa com o supérfluo e esquece o essencial que o primeiro convidado que tivemos a honra de receber neste debate foi o Professor Eduardo Lourenço. Com os seus 85 anos, não lhe terá faltado o sentido de humor, pois não se incomodou nada com o título do evento. O título é sem dúvida brejeiro, mas não lhe falta sentido. De facto, a qualidade dos intervenientes dará lugar a um debate sério, mas com espaço para o humor. Literalmente, ninguém vai querer perder os três: Fernanda Câncio, Pedro Mexia e Rui Tavares. Não há lugar para sisudos...
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Jaime Bulhosa

Lançamento "os três seios de Novélia"

(clique na imagem para aumentar)

sexta-feira, setembro 19

Eles estão de volta!

Já na próxima terça-feira dia 23 de Setembro pelas 21.30h, aqui na Pó.

(Clique na imagem para aumentar)


Mário Cesariny

Há alguns anos, numa livraria onde eu trabalhava, entra Mário Cesariny com as mãos cheias de terra e diz: «Por favor, não me arranja um saco? Sabe é que eu estou a mudar uma planta e precisava de um saco para pôr a terra.» E fez questão de explicar que não podia ser um saco de uma loja qualquer, teria que ser um saco de livraria.
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Débora Figueiredo

quinta-feira, setembro 18

Paris

Depois de “Morte na Pérsia” de Annemarie Schwarzenbach e de “Uma Ideia da Índia” de Alberto Moravia, chega às livrarias o terceiro livro da colecção de viagens coordenada por Carlos Vaz Marques e editado pela tinta-da-china: “Paris” de Julien Green”.


Destaque "O Inútil da Família"

Jorge Edwards nasceu em 1931, no Chile. Estudou Direito e Filosofia, primeiro na Universidade de Santiago do Chile e depois em Princeton. Trabalhou como diplomata durante o governo de Salvador Allende, e como secretário de Pablo Neruda. Viveu no exílio em Espanha após o golpe de estado de Pinochet, regressando ao Chile no princípio dos anos 80. Actualmente Edwards dedica-se à escrita, ao ensaio e ao jornalismo, assinando uma coluna no El País. Tem vindo a receber diversos prémios pela sua obra literária, entre eles o Prémio Cervantes e o Prémio Nacional de Literatura de Chile. Já em 2008 foi galardoado como prestigiante Prémio Planeta Casa América pela sua novela A Casa de Dostoiévskii.
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O INÚTIL DA FAMÍLIA
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Jorge Edwards
Edição: Assírio & Alvim
Colecção: Outros lugares - Chile
Tradução: Helder Moura Pereira
PVP:25.00€

segunda-feira, setembro 15

Público-alvo

O balcão de uma livraria é um local muito apreciado e concorrido para deixar folhetos de publicidade. Normalmente publicidade a produtos culturais, como lançamentos de livros, peças de teatro, cursos de escrita, cinema, arte, etc. Faz todo o sentido, o público de uma livraria em princípio é o mesmo. Por outro lado, achamos estranho que alguém se lembre de deixar numa livraria publicidade como a deste pequeno folheto, pensando encontrar aqui seu público-alvo, ou não?



Jaime Bulhosa

sábado, setembro 13

Passeando de livro em livro.

Enquanto mostrava ao Vasco de cinco anos, um livro sobre monumentos como as pirâmides do Egipto ou o mosteiro dos Jerónimos e lhe explicava como eram quase todos feitos com pedras enormes e muito pesadas, o Vasco pergunta:

Pai, como é que o mundo aguenta com isto tudo sem cair?


Passei então para outro livro sobre mitologia para lhe mostrar uma imagem do Atlas, condenado a carregar os céus (na figura carregando o Mundo).

Pai, se o Atlas carrega o mundo onde é que o Atlas se segura?
Outro livro, outra pergunta. Nessa noite fiquei por aqui.





Jaime Bulhosa

sexta-feira, setembro 12

Reacções ao aniversário da Pó

A alma de cada cidade: um post de felicitações
Conheço poucas cidades estrangeiras (e tenho pena), mas em todas as que já visitei ou onde estive algum tempo há sempre uma ou mais livrarias a definirem os momentos que a memória decidiu guardar.Londres será sempre Londres, é claro, mas as ruas onde passeei, os museus que vi, os pubs onde bebi e conversei, todas as memórias que guardo da cidade seriam pobres sem incluir nelas as livrarias da Charing Cross, aquela loja de banda desenhada perto do British Museum e um certo alfarrabista que me levou à ruína. E nem é preciso pensar tão alto. Qualquer habitante de Serpa, Montemor-o-Novo ou Braga sabe que as suas cidades não seriam as mesmas sem o espaço, os serviços e o convívio da Vemos, Ouvimos e Lemos, da Fonte de Letras e da 100ª Página. Parece um pormenor insignificante, mais uma livraria, menos uma livraria, mas apenas para quem não sabe que os livros nos podem mesmo salvar.E todo este solilóquio vem a propósito de quê? Do primeiro aniversário da Pó dos Livros.

Sem falsas modéstias…

A Pó dos livros tem um ano, achámos que estava na altura de dar a cara. Quem ainda não nos visitou não faz ideia de como é a equipa da livraria, por isso, decidimos fazer um pequeno filme de apresentação dos elementos da Pó. Vai ver que vale a pena visitar-nos!

quarta-feira, setembro 10

O regresso às aulas

Jaime Bulhosa

Parabéns



Provavelmente nem deu por isso. Possivelmente ainda não teve oportunidade de conhecer a livraria. Mas é um facto: a Pó dos livros faz hoje um ano. Já atendemos cerca de 25.000 clientes, vendemos milhares de livros, promovemos debates, conferências, lançamentos, etc. Criámos um cartão cliente que conta com mais de 500 adesões. Fizemos orçamentos, importações, conseguimos livros impossíveis. Criámos um blog, que em oito meses conta com 58.000 páginas lidas e 33.500 visitas. Demos destaque a livros e a editoras que normalmente não têm espaço nas grandes superfícies, noticiámos, inventámos polémicas, realizámos filmes de incentivo à leitura, oferecemos livros nos passatempos, contámos histórias de livreiros, tentámos diverti-lo e, o mais importante, fizemos amigos. Também falhámos, errámos, nem sempre o atendemos como merecia.

Sentimos que estamos de parabéns, mas cabe a si julgar.

Um presente inadvertido de Eduardo Lourenço à Pó dos livros

«Há sobretudo esse tempo que é transportado fisicamente pelos livros. Esse pó que fica nos livros. O pó do tempo. Nos novos instrumentos não haverá pó. É só o que lhes falta. Esse pó quer dizer o tempo, a própria essência da nossa vida.»

Eduardo Lourenço em entrevista a Carlos Vaz Marques, revista Ler n.º 72.

terça-feira, setembro 9

Desespero!

Recebi este e-mail (escrito em português) de uma livraria espanhola de Bilbao:

“ Escrevo para pedir ajuda. Na nossa livraria costumamos trabalhar com livros portugueses, sobretudo métodos e dicionários e temos um pequeno fundo de narrativa neste idioma, mais por sentimentalismo do que pela existência real de um mercado para estes livros. O problema é que a empresa que nos fornece estes livros nunca nos serviu muito bem, e este ano tem sido absolutamente desastroso. Os atrasos têm sido inaceitáveis, ao ponto de fazer com que perdêssemos clientes (a título de exemplo: tenho à minha frente livros editados pela Caminho em 2007 e que foram pedidos em Abril; chegaram hoje).
Evidentemente, temos procurado alternativas, mas das duas uma: ou não há praticamente empresas que se dediquem à exportação de livros portugueses, ou as que existem não têm presença na Internet.”


Considero absolutamente vergonhoso para o nosso país a forma como é feita lá fora a divulgação da nossa língua. Nem mesmo quando a iniciativa é feita em sentido contrário, isto é, quando o interesse parte deles e não de nós, o sabemos aproveitar.

Tentei ajudar, mas a empresa que lhes indiquei é exactamente aquela com quem eles trabalhavam. Se alguém souber como os podemos ajudar envie-nos um e-mail.
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Jaime Bulhosa

segunda-feira, setembro 8

Ao peso...

Não tenho nada contra a venda de livros em hipermercados, supermercados, bombas de gasolina, etc. Já nos balcões dos CTT a conversa é outra. Trata-se de uma empresa do estado que faz concorrência desleal àqueles que investiram do seu próprio bolso. Foi pelo facto de as grandes superfícies passarem a vender livros que o mercado do livro cresceu tanto nos últimos anos. Cresceu no número de livros editados, cresceu no número de leitores. Podemos depois reflectir sobre se a qualidade dos livros aumentou ou diminuiu, se o preço médio do livro aumentou ou diminuiu, mas isso é outra questão. Nós, livreiros independentes, só podemos sobreviver se nos renovarmos, investindo cada vez mais na diferenciação, tanto ao nível dos serviços prestados como nos produtos que vendemos. Quando falo em produtos, utilizo o plural por duas razões: porque o livro não pode ser entendido como um só produto, mas sim como vários produtos que têm conteúdos e finalidades completamente diferentes; porque pretendo referir-me também a produtos culturais, que não apenas os já tão banais lançamentos e sessões de autógrafos. É aqui que a diferenciação se faz: temos de ser cada vez mais especializados e profissionalizados. Só assim poderemos transmitir ao público a ideia de que continua a fazer sentido existirmos. Caso contrário, estaremos condenados a ouvir cada vez mais isto:

Cliente: A quanto é o quilo?

Livreiro: Qual quilo…?

Cliente: O quilo do livro!
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Jaime Bulhosa

sábado, setembro 6

SOS


Precisamos de ajuda!
Estamos desesperados! Não conseguimos encontrar um livro para um cliente! Envidámos todos os esforços, fizemos tudo o que sabíamos, em vão.
Sentimo-nos frustrados por não corresponder às expectativas de um cliente. E estamos envergonhados! O cliente gosta da nossa livraria, é compreensivo, é paciente, confia, sabe que estamos a dar tudo por tudo, não se mostra desiludido e continua a visitar-nos. Vem tomar café, vem conversar, compra outros livros, coloca-nos encomendas por telefone e por e-mail, às vezes passa na rua, olha as montras e cumprimenta-nos da porta sem entrar, mas em todas as ocasiões nos pergunta, esperançado: "Então e o meu livro, já chegou? O daquele autor inglês muito conhecido, o Seller... Best Seller?"
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Isabel Nogueira

sexta-feira, setembro 5

O Livreiro do Século XXII

Parece que os mais novos não prevêem um futuro promissor para a profissão de livreiro. Com o avanço das novas tecnologias o livro tradicional será inevitavelmente substituído por outros suportes. O livreiro e o livro tradicional de acordo com o filme que imaginaram passarão a ter de futuro outras funções.

Jaime Bulhosa

As livrarias do futuro

Borders, uma das cadeias mais importantes de livrarias dos Estados Unidos, apresenta o seu novo modelo de livraria. (Via Brétemas)

Fico com um bocadinho de inveja.

Jaime Bulhosa

quarta-feira, setembro 3

Os homens preferem livros de história.

Uma “pérola” do cinema asiático dos anos 60. O filme é um bocadinho machista, mas retrata na perfeição as preferências literárias dos homens.

Isabel Nogueira

Considerações sobre o filme do post anterior.

Gostaria de fazer umas considerações sobre a acusação da minha colega ao classificar o filme de machista. Se repararem é exactamente o contrário. O filme demonstra bem o domínio das mulheres sobre os homens. Se não vejamos: a entrada em cena da mulher vinda provavelmente da cozinha, quartel-general de qualquer casa, quem domina a cozinha domina a casa. O habitual comentário malicioso, sugerindo que o homem é um parasita que como a cigarra não faz outra coisa senão cantar. De seguida, a curiosidade excessiva da mulher pondo em causa a honestidade do homem. Não bastando, reparem como é ela que determina o quê e quando o homem deve fazer. Por fim, não respeitando a privacidade do homem, vai vasculhar o que ele anda a ler. Fica chocada com o tema do livro, o que demonstra má fé, para além de estragar a surpresa que ele lhe preparava, motivo pelo qual consultava um catálogo de bikinis, prenda que pretendia oferecer-lhe.
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Jaime Bulhosa

segunda-feira, setembro 1

O Lucky Luke...

Na Europa Central do século XVII os loucos, os pobres e os desempregados eram considerados indigentes e colocados juntos em instituições. Pouco importava as circunstâncias, o facto é que todos incorriam num pecado capital: a Preguiça.

Felizmente, estamos longe desse tempo. No entanto, continuam a existir loucos, pobres e desempregados que são vítimas deste preconceito social. A pequena história que se segue não tem qualquer preconceito implícito, apenas relata um acontecimento engraçado passado na livraria:


Cliente: Tem o Lucky Luke?

Livreiro: Tenho sim. Qual é o título que deseja?

Cliente: Não pode ter… Porque o Lucky Luke sou eu! (Ao dizer isto senta-se no chão e assobia.)

Livreiro: Desculpe! O que é que está a fazer?

Cliente: Estou a chamar o Jolly Jumper, o meu cavalo.

Livreiro: Já agora, quando sair não quer levar o Rantanplan?

Cliente: Não! Esse cão é louco e assusta-me o cavalo.
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Jaime Bulhosa