quarta-feira, dezembro 31

Bom 2009


Em jeito de balanço do ano 2008 gostaríamos de agradecer aos que connosco fizeram a Pó dos livros: aos nossos clientes, aos fornecedores, editores, distribuidores e livreiros, aos que visitam o nosso blog e o enriquecem com os seus comentários, aos outros blogues que desde o inicio apoiaram a nossa livraria e também às diversas personalidades ( a todos e não só aos das fotos) que aqui estiveram a pretexto de eventos realizados pela livraria. A todos desejamos um feliz ano 2009.

segunda-feira, dezembro 29

Natal na terrinha


O meu Natal foi passado na casa de província dos bisavós dos meus filhos (bisavós, porque infelizmente os avós já faleceram). Existem, para além da casa principal, muitas outras casinhas que em tempos foram redil de animais e que hoje em dia não são mais do que arrumos de velharias, acumuladas ao longo dos anos. Ao vasculhar estes autênticos depósitos de memórias, no meio das teias de aranha, de veneno para ratos e de imenso pó de livros velhos, dei com um brinquedo (uma máquina de escrever) no mínimo original, fabricado na Inglaterra, daqueles brinquedos ainda feitos na Europa, em vez dos agora Made in China. Soube mais tarde que teria pertencido a um avô já falecido que em tempos fora poeta. Imagino que este brinquedo terá tido influência no gosto pelas letras do tal avô. Na esperança que exerça sobre outras crianças o mesmo feitiço, repousa agora na secção de livros infantis da Pó dos Livros.
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Jaime Bulhosa

sexta-feira, dezembro 26

The day after

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TOP 100 SUMOS
Sarah Owen, Sinais de Fogo, 2008

Não sei porquê mas hoje só me apetece a secção de livros sobre dietas e alimentação saudável!
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Isabel Nogueira

quarta-feira, dezembro 24

Para todos...

Não tenho escrito posts, nem lido blogues, nem comprado jornais, nem visto televisão ou ouvido rádio, estou completamente alheado do que se passa em Portugal e no mundo. É uma sensação estranha porque parece que estou no paraíso no segundo imediatamente antes do pecado original. Não há crises, polémicas, falências, guerras para comentar, ninguém está só, toda a gente é culta, simpática e milionária e os que estão doentes vão com certeza melhorar. Cenário ideal para desejar a todos, em nome da Pó dos livros, um bom Natal.
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Jaime Bulhosa

segunda-feira, dezembro 22

Exercícios de auto-apoucamento (com vista ao próximo Natal)

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Sapatos, Vicent Van Gogh

A ideia de há muito que o andava a desassossegar. Depois dos primeiros ensaios de auto-apoucamento, Valério conseguiu um primeiro grande resultado: meter-se todo, todinho, numa das pernas (por sinal, a esquerda) do par de calças de sarja que comprara nas Confecções Nilo por trezentos convidativos escudos. Com voz-de-dentro-de-calça chamou a mulher:
- Ó Quinhas, anda ver!
Quinhas levou um susto ao dar com uma perna de calça sustentando-se em pé sem, aparentemente, homem lá dentro. Logo se refez para fingir que não era capaz de o encontrar:
- Mas onde é que se teria metido o meu Lérinho!
- Aqui, sua estúpida! - desabafou-abafou a voz de Valério.
Quinhas continuava a brincadeirinha apalpando a perna vazia e bichanando:
- Lérinho! Lérinho!
Quando Valério, por fim, se libertou da perna de calça e retomou o seu (natural) ascendente, trocaram prazenteiros insultos como só os casais muito unidos sabem trocar.
Quinhas seguira os exercícios de auto-apoucamento de Valério. Este começara a enovelar-se pelos cantos da casa: passara de seguida aos gavetões da cómoda e acabara por ser encontrado numa das gavetas da mesa da cozinha. Dessa feita, Quinhas gritara. É que Valério saltara lá de dentro e avantajara-se brandindo aos urros um facalhaz.
Que horror, querido, pareces um cossaco! - dissera Quinhas que, no autocarro dessa manhã, lera nas Selecções um artigo dum biólogo americano sobre cossacos.
E então, solenemente, como só os casais muito amigos sabem fazer, combinaram logo ali que Valério, por mais apoucado e encafuado que estivesse, não pregaria sustos daqueles à sua Quinhas. E beijocaram-se, prazidos. Os exercícios de auto-apoucamento de Valério tinham um fim: preparar a grande surpresa para o Necas, quando ele viesse a férias pelo Natal. E vai daí – como o tempo corre! - o Necas veio. Valério considerou o filho com apreensão. Valeria a pena a surpresa? Necas estava tão grande! Aquela sombra no beiço, aquela voz do peito pontuada de estridulações...
- Ora o Necas é ainda tão criança! - sossegou-o Quinhas.
Criança que era, o Necas só muito raramente acordava no meio do sono com as movimentações tardias que naquela casa estavam a ser o teor diário. Mas na véspera do Natal, o silêncio foi inesperadamente tão grande que o Necas passou toda a noite numa excitação que nem te digo. Coisas de crianças, coisas da quadra?
Ao levantar-se, pés nus, para ir ver o sapatinho, o Necas já ia a bordo dos patins que a mãe lhe prometera. Quando deu com o pai, apoucado, a acenar-lhe amigavelmente da amurada do sapato, Necas fugiu a procurar no regaço da Quinhas a verdadeira dimensão do seu horror:
- Sa... Sa... Saiu-me o... o.... o pai no sa.... sa... sapato! - soluuuuçava o orfão de vivo. E a mãe, ultrapassada pela reacção do Necas, consolava-o como ia podendo, prometendo-lhe que o pai voltaria a crescer, a crescer.

Alexandre O' Neil

AS MAIS BELAS HISTÓRIAS PORTUGUESAS DE NATAL
Escolhidas por Vasco Graça Moura, Quetzal, 2008
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(Postado por Isabel Nogueira)

domingo, dezembro 21

Dedicatória do acaso

Cliente 1: (Distraída e atarefada como toda a gente nos últimos dias antes do natal e sem reparar na pessoa imediatamente a seu lado, junto ao balcão da Pó dos livros.) Por favor eu queria o livro “A Razão dos Avós”, de Daniel Sampaio.

Cliente 2: Vai oferecê-lo à sua mãe?

Cliente 1: Sim... (Surpreendida com a pergunta, levanta a cabeça na direcção da voz que lhe é dirigida.) Ah! Mas é o...?!

Cliente 2: Sim, sou eu! É uma sensação estranha ouvir assim mencionar o nosso nome. Se desejar, terei todo o gosto em fazer uma dedicatória à sua mãe. Conta-lhe esta história e ela vai achar graça.


quinta-feira, dezembro 18

A leitura nos tempos de crise

(imagem retirada de flickr.com)

Será que é desta que os portugueses vão desatar a ler que nem uns loucos? É que segundo um artigo de Jill Lawless, publicado hoje na revista Visão, com a crise, os islandeses “refugiaram-se nos prazeres simples”, como a leitura:
“(...)Runar Birgisson contabiliza uma duplicação da saída de livros, na sua banca, desde que os principais bancos comerciais do país colapsaram, em princípios de Outubro: «Na Islândia, os livros não são artigos de luxo.» E explica como a literatura e os livros podem ajudar a enfrentar a crise: «São muito importantes para a nossa alma. Durante seis meses por ano, está muito escuro e frio. É muito reconfortante ler um bom livro.»”
E que o nosso Inverno soalheiro não nos sirva de desculpa, ler um bom livro num jardim (público – que é de borla) a apanhar Sol é duplamente reconfortante!

BOOKS THAT CHANGED THE WORLD - THE 50 MOST INFLUENCIAL BOOKS
Andrew Taylor, Quercus, 2008
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Isabel Nogueira

Não há tempo

Embrulho um Saramago, um Philip Roht, um Paul Auster e depois faço dezenas e dezenas de embrulhinhos, de livrinhos pequeninos para oferecer aos meninos e meninas de uma escolinha. Não temos tempo para mais nada, principalmente para escrever aqui no blog. Ainda bem, ao menos que se venda livros nesta época. É que a brincar a brincar o natal representa entre 25% a 30% da facturação de um ano.

Jaime bulhosa

terça-feira, dezembro 16

O acaso



«Só anos mais tarde Tommy Thompson tomou consciência da sorte que teve naquele dia. E não foi pelo facto de a aterragem ter corrido bem. Sempre pensara que a sua colocação em Malta seria temporária e depois seguiria para o Cairo. “Nenhum de nós sabia as perdas terríveis que os esquadrões de Blenheims em Malta estavam a sofrer. Nem sabíamos que o comandante das forças da ilha, para colmatar as baixas que sofria, impedia todas as tripulações de seguir para o Cairo. Se tivesse chegado a Malta em vez de aterrar em Portugal, não sei se estaria aqui para contar a minha história.”»

Não sabe quem é Tommy Thompson? Nem eu saberia, não fosse o caso e o acaso deste senhor ter entrado na Pó dos livros a falar em inglês e a fazer questão de assinar a sua fotografia, num livro que se encontrava na montra. Facto que só aconteceu porque o jantar organizado pela editora Pedra da Lua, a propósito do livro “Aterrem em Portugal!”, de Carlos Guerreiro, se ter realizado nesta zona das Avenidas Novas.

Tommy Thompson é ainda um dos poucos sobreviventes da Segunda Grande Guerra Mundial. Sargento-aviador da Royal Air Force é um dos protagonistas do livro “Aterrem em Portugal!”. Ponto de passagem obrigatório nas rotas de ligação entre o Reino Unido e os restantes teatros de guerra, Portugal viu-se no centro de uma intensa actividade aérea. Por aqui passaram mais de quinhentos tripulantes de aviões americanos, belgas, franceses, britânicos e alemães. Este livro conta parte desta história através de relatos na primeira pessoa ou através de documentos de vários arquivos nacionais e internacionais.

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Jaime Bulhosa




Edição: Pedra da Lua
1.ª Edição: Novembro 2008
ISBN: 978-989-8142-21-4
N.º Páginas: 317
PVP: 27.00€

segunda-feira, dezembro 15

O mundo é que exagera

O MUNDO É QUE EXAGERA, Agenda 2009,
Planeta Tangerina
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Era Sábado, o Verão acabava de chegar ao fim, eu ia trabalhar e estava atrasada! Apesar de não haver trânsito, meia Lisboa tinha ido de fim-de-semana e outra meia iria dormir até ao meio-dia, parecia-me que nunca mais chegava. - Quando temos pressa todos os semáforos estão no vermelho! Estava parada há uma eternidade no último sinal antes de virar à esquerda para a Pó dos livros, quando uma voz na rádio começou a falar sobre como andamos sempre a correr, quão difícil é gerirmos o nosso tempo (que timming perfeito!), tempo para trabalhar, tempo para estar com a família, tempo para praticar desporto, blá, blá, blá... e afinal, era o anúncio de vendas on line de um qualquer hipermercado.
Entrei na livraria acelerada - corremos sempre nos últimos metros, como se fizesse alguma diferença. O Carlos estava debruçado sobre o balcão, a ler. Sem responder ao meu bom-dia disse-me entusiasmado: - Estou a ler as Cartas a Lucílio, isto é interessantíssimo... Ainda por cima, se pensarmos que foi escrito há dois mil anos... É extraordinário! E, voltando as páginas para trás, começou a ler-me a primeira carta:
“Procede deste modo caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra-te e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente. Podes indicar-me alguém que dê o justo valor ao tempo, aproveite bem o seu dia e pense que diariamente morre um pouco? É um erro imaginar que a morte está à nossa frente: grande parte dela já pertence ao passado, toda a nossa vida pretérita é já do domínio da morte! (...)” in CARTAS A LUCÍLIO, Lúcio Aneu Séneca, Fundação Calouste Gulbenkian, 2007
É realmente extraordinário!

CARTAS A LUCÍLIO, Lúcio Aneu Séneca,
Fundação Calouste Gulbenkian, 2007
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Isabel Nogueira

sexta-feira, dezembro 12

Hoje não sou livreiro!

Não fica bem dizer mal de colegas, mas hoje eu não sou livreiro, sou vendedor, comerciante ou para parecer mais pomposo, consultor de leituras, empresário do livro, sei lá, tudo menos livreiro! Pergunto: qual foi a necessidade de inaugurar a nova livraria Buchholz nestas condições? É algum tipo de marketing novo? Toda a publicidade é boa, até a má? Ou há alguma coisa por detrás disto que eu não estou a atingir? Tenho esperança, pelo menos o espaço tem potencialidades.
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Jaime Bulhosa

Livraria Buchholz - Por Eduardo Pitta

«Eu não quero ser desmancha-prazeres, e posso garantir ao meu amigo Pacheco Pereira que não me move qualquer espécie de schadenfreude. Pelo contrário. Fico é deprimido com estes sucessivos passos em falso do sector livreiro. Apesar de todas as desgraças, a Byblos já tinha as portas colocadas no dia em que foi inaugurada.»

(ler tudo aqui)

singularidades de uma rapariga loura

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Li algures que Manoel de Oliveira está a adaptar para o cinema o conto de Eça de Queiroz, Singularidades de Uma Rapariga Loura. Este é um dos meus contos preferidos do Eça, não sei bem porquê. Porque o título nos espicaça (Singularidades de uma rapariga loura - !?, tenho que ler isto), porque a aparente facilidade do primeiro parágrafo de imediato nos conquista( "Começou por me dizer que o seu caso era simples - e que se chamava Macário." - Já não quero parar de ler, tenho que saber o que se passou com o Macário!). Enfim, razões tão simples, como a história de Macário.
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Isabel Nogueira

quinta-feira, dezembro 11

Uma campanha no mínimo desconcertante...

Parece que no Canadá levam estas coisas de incentivar a leitura muito a sério (se calhar é mesmo para levar a sério). Vejam esta campanha da Literacy Foundation do Quebeque, no mínimo desconcertante e que tem como ideia de slogan: “Quando uma criança não lê a imaginação desaparece”.

Jaime Bulhosa

Lançamento Hoje às 19h00


quarta-feira, dezembro 10

Livreiros… todos uns exibicionistas!

Ilustração de Aljoscha Blau e retirada da agenda: Dois mil e nove Mundos a céu aberto, edição Eterogémeas.

Jaime Bulhosa

terça-feira, dezembro 9

Placas de metal - finalmente chegaram!

Image Hosted by ImageShack.us

A Pó dos livros tem uma oferta alargada de placas de metal com motivos antigos, essencialmente retirados de anúncios publicitários. Poderá usá-las conforme a sua imaginação mandar.


Disponíveis em dois tamanhos: 30cm x 20cm e 11cm x 7,5 cm.

sábado, dezembro 6

"Onde Reside o Amor"


Juro, não tenho nada contra a Margarida Rebelo Pinto, nem contra quem a lê, mas não resisto a escrever umas palavrinhas sobre o seu último livro, melhor, sobre o seu último “embrulho de natal”.
Desde já peço desculpa à Margarida que o escreveu, à Maria Manuel Lacerda que fez a capa e ao António Lobato Faria que o editou, aos dois últimos porque os conheço pessoalmente, mas desta vez passaram-se!

Não sei o número da tiragem deste livro, mas são com certeza uns bons milhares. Estou a imaginar os desgraçados dos funcionários de armazém, a quem lhes calhou a árdua tarefa de executar milhares de lacinhos dourados a chamarem nomes feios aos seus patrões. É que, no mínimo, esta tarefa valeu uma tendinite! Como livreiro também quero levantar um protesto. Pergunto: Querem acabar de vez com o embrulho artesanal e centenário dos livreiros?

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Jaime Bulhosa

quinta-feira, dezembro 4

A Nova Feira do Livro de Lisboa


«Em conformidade com "Memorando de Entendimento" assinado em 19 de Maio deste ano a nossa Associação APEL entregou na CML, no passado dia 25, o "Projecto de Modernização da Feira do Livro de Lisboa, tendo em vista a 79ª edição a realizar em 2009". O documento apresentado pela APEL procura cumprir escrupulosamente o texto e o espírito do referido “Memorando de Entendimento”, assumindo-se como um projecto plural, inovador e inclusivo. Pretende igualmente valorizar as dimensões cultural e nacional de um certame que entendemos dever constituir-se como evento fundamental no domínio da promoção do livro e do fomento dos hábitos de leitura.»

Jaume Cabré

A palavra nacionalismo está tão corrompida que prefere definir-se como independentista. O escritor catalão Jaume Cabré, autor do romance As Vozes do Rio Pamano, foi o convidado para a entrevista de Carlos Vaz Marques na TSF.

Lançamento hoje pelas 19h00 - Go Natural

Lançamento hoje pelas 19h00 do livro "Receitas Go Natural" de Frederico Carvalho, editado pela tinta-da-china. Apresentação de Leonardo Guzmán, cozinheiro e proprietário do restaurante "La Moneda".

quarta-feira, dezembro 3

"Schadenfreude freudiana" de Pacheco Pereira

«Anda pelos blogues uma variante de schadenfreude freudiana sobre o encerramento da Byblos.»

Esta é uma frase retirada do blogue de José Pacheco Pereira. Também andei a ler nos blogues as diversas opiniões sobre o encerramento da maior livraria do país, e eu próprio manifestei uma opinião. Espanta-me a forma como Pacheco Pereira diz, sem referir nomes: «Vejo o fim da Byblos sem qualquer espécie do “é bem feito” com que alguns se comprazem.» Di-lo com uma sobranceria moral desnecessária. Para ser franco, entre as opiniões que li não detectei qualquer variante de schadenfreude freudiana. Pareceu-me quase unânime o sentimento de pesar perante o encerramento de mais uma livraria. O que não significa que não se possa criticar e apontar erros, como aliás o próprio Pacheco Pereira faz. Não podemos esquecer que uma decisão empresarial como a que foi tomada pela administração da Byblos tem sempre consequências para as pessoas que no projecto se envolveram, directa e indirectamente. E isso não deve ser negligenciado.
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Jaime Bulhosa

Como pôr a cabeça de um livreiro a andar à roda


Há pessoas que nunca entram numa livraria e quando entram…


- Queria aquele, (Pausa). Esqueci-me agora de repente do nome… como é que se chama? Ah!, já sei, Castelo Branco.

- E qual desejava? O Amor de Perdição, A Queda de um Anjo, Noites de Lamego.

- Não sabia que já tinha tantos! Deixe-me ver…não sei, talvez…
O Amor de Perdição, soa-me mais.

- Aqui tem!

- Desculpe! Eu queria era o CD.

- Mas…??? O Camilo não tem CD’s.

- Camilo! Mas ele não é José?

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Jaime Bulhosa

terça-feira, dezembro 2

RTP2 com audiências da TVI

O blogue da Pó dos livros está quase a fazer um ano de existência, mais precisamente 10 meses. Quando chegarmos a um ano talvez tenhamos um Estádio da Luz cheio em número de visitas. Não seria mau, tendo em conta que se trata do blogue de uma livraria.

Estupidamente, fui comparar as visitas do blogue da Pó dos livros com o número de visitas de outros blogues da mesma área, principalmente com aqueles que visito diariamente: Bibliotecário de Babel, Da Literatura, Ler e Blogtailors. Ao verificar as “audiências” destes blogues, constatei que o sucesso na blogosfera da literatura obedece a uma lógica inversa das televisões, ou seja, quanto maior a qualidade, maior o nível de “audiências”. O facto de os conteúdos serem criteriosamente escolhidos, estarem bem escritos e serem relevantes reflecte-se em mais audiência. O que faz destes blogues uma espécie de RTP2 com audiências da TVI.

Ah!, mas deixem o mainstream chegar à blogosfera da literatura e eles vão ver… Não é à toa que a Pó dos livros produz ficção nacional de má qualidade…

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Jaime Bulhosa

Vídeo do lançamento "As Vozes do Rio Pamano"


«As Vozes do Rio Pamano» é um romance de fôlego acerca das complexas histórias individuais que se ocultam por detrás da história da Guerra Civil de Espanha, cujas reminiscências perduraram ao longo de toda a transição do país para a democracia e que ainda hoje se fazem sentir, marcando a memória colectiva espanhola.
Certo dia, no ano de 2001, uma professora e fotógrafa desloca-se à povoação de Torena para recolher material didáctico da velha escola que está prestes a ser demolida. Esta trivial circunstância irá desencadear a revelação de um enredo complexo, pois Tina toma posse de um caderno manuscrito que ali permanecera escondido ao longo de décadas e que contém as memórias do mestre-escola, numa carta que nunca chegou ao seu destinatário. Pouco a pouco, interpelada pelas experiências e pelos factos contados por Oriol Fontelles, Tina deixa-se envolver na memória histórica da aldeia, situada no epicentro da repressão franquista. E assim o leitor fica a saber como as coisas se passaram em Torena: assassínios e vinganças; jogos de poder e influência; medo e intimidação; combatentes da resistência, fascistas e heróis anónimos, cujas vidas permaneceram envoltas na bruma dos tempos e do esquecimento, obliteradas pela reescrita da própria história.
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Tema:Ficção Romance Histórico
Tradução: Jorge Fallorca
1.ª edição: Setembro de 2008
n.º de páginas: 656
Formato: 15.5x22 cm
isbn: 9789728955724
pvp: 29.9 euros

Lançamento hoje às 18hoo "O Leão e o Coelho Saltitão"


Trocar as voltas ao tempo

"Quantas horas tem o dia?
-Vinte e quatro, sempre a abrir.
-Pois eu queria vinte e cinco,
p'ra brincar até cair.

Quantos minutos a hora?
-Tem sessenta, sem enganar.
-Pois eu queria os sessenta
e mais um só p'ra sonhar.

E os segundos por minuto?
-Sessenta, sempre a passar.
-Pois eu cá queria setenta,
para o tempo baralhar."

"Trocar as voltas ao tempo" de João Pedro Mésseder e Gémeo Luís, Edições Eterogémeas, 2008.