quinta-feira, dezembro 24

Prendas de natal


Dia 24 de Dezembro saio de casa para ir trabalhar. Estico o braço e o táxi pára.

- Por favor, para Av. Marquês de Tomar, depressa que eu estou um pouco atrasada.
- A senhora trabalha hoje?
- Sim, trabalho numa livraria.
- Trabalha numa livraria a sério, das que vendem livros de poesia e tudo?
- Sim. (Eu não acredito que o taxista vai começar a falar comigo).
- Então, arranje-me lá um livro para a minha filha que ela gosta dessas coisas da poesia.
-Mas!...
- Depois vou lá buscar.
- Esteja descansado fica guardado.
- Sabe, os portugueses são sempre a mesma coisa, isto é um país de gente triste, deixam tudo para a última hora!
- Hum, hum…
- O trânsito fica impossível e não se consegue estacionar em lugar nenhum.
- Pois…
- Os centros comerciais estão apinhados de gente, não se aguenta.
- Hum, hum…
- Como é que homem que trabalha pode comprar prendas de natal?
- Claro!…
- Veja lá que a mim ainda me faltam uns quantos presentes e um deles é para a minha mulher.
- Pois...

Chegou fim da viagem e paguei quatro euros. Pouco tempo depois o senhor taxista passou a senhor cliente. Levou o livro de poesia que estava guardado para a sua filha, mais uns quantos que resolveram todas as suas prendas de natal.

- A senhora foi o anjo da cultura que me caiu do céu.

segunda-feira, dezembro 21

Previsivelmente Irracional





Porque é que as pessoas inteligentes tomam decisões irracionais todos os dias? As respostas vão surpreendê-lo.

Se alguma vez já se deixou aliciar por um brinde grátis ou estabeleceu para si mesmo um prazo que não tem hipóteses de cumprir, este livro divertido e fascinante vai explicar-lhe porquê.

Numa série de experiências inovadoras, o economista comportamental Dan Ariely demonstra como as nossas expectativas, emoções, normas sociais e outras forças invisíveis e aparentemente ilógicas, distorcem a nossa capacidade de raciocínio. Não só cometemos erros espantosamente simples todos os dias, como os repetimos constantemente. Não compreendemos os efeitos profundos que as emoções têm naquilo que desejamos e sobrevalorizamos o que já temos. Estes comportamentos desorientados não são aleatórios nem desprovidos de sentido, mas sistemáticos e previsíveis.

Desde pagar um café a perder peso, ou desde a compra de um carro à escolha de um parceiro romântico, o autor explica como nos podemos libertar destes padrões sistemáticos de raciocínio e tomar melhores decisões. Previsivelmente Irracional não é apenas uma leitura fascinante. Tem o poder de mudar a forma como interagimos com o mundo, com uma decisão pequena de cada vez

Edição: EstrelaPolar
Título: Previsivelmente Irracional
Autor: Dan Ariely
Tradução: Sofia Serra
N.º Pág.227
isbn:9789898206183
Pvp: 15.00€

sábado, dezembro 19

a cicatriz do ar


Jorge Fallorca, 15-6-1949. Poeta e tradutor, com a viragem do século – que se antecipou a lavrar-lhe o corpo, Água Tatuada (& etc, 1999) – entregou-se à irremediável vagabundagem, denunciada pelas esclarecidas mentes que julgaram vislumbrá-la em Imitação da Morte dos Outros (& etc, 1976, esg.) e A luva In Love (Assírio & Alvim, 1977 esg.).
Tão avesso às opiniões descartáveis como à vida requentada, não resistiu à tentação de opinar sobre as artes em jornais defuntos, e de se decantar em estações de rádio onde cultivou uma surdez galopante que o remeteu para o sussurrar das vagas e das alfarrobeiras. Reeditados os títulos esgotados – Fruta da Época (frenesi, 2001) -, ainda lhe deram a oportunidade de se distanciar de tudo e de todos, com Entre Chipiona e Tarifa (Teorema, 2002), Al-Khaïma (Teorema, 2004) e Longe do Mundo (frenesi, 2004), para finalmente poder repetir uma discreta existência entre o Algarve e Tânger.


«Pensando bem, devo ter consumido umas largas centenas de livros. A timidez – apoiada no pudor da banalidade pode ser interpretada como pretensiosa – inibe-me afirmar que me devem ter passado pelas mãos uns bons milhares. De livros, e não de autores, que devorei e esqueci, ou perdi ao longo de sucessivas etapas e interesses, nem sempre suscitadas por outros livros ou outros autores.

Os livros são como todos os vícios: a dado momento poucos nos retêm. E são precisamente essas excepções que nos comprometem, nos impelem à expectativa dos enunciados. Esse filão é que nos alimenta o prazer da leitura, compulsiva, quase visceral, desde que aprendemos a ligar as letras e dispensa a atrocidade (a veleidade) de qualquer explicação. (…)

(…) Entretanto, os livros continuam amontoar-se à minha volta. Comprados, oferecidos ou trocados – poucos merecem a generosidade de pertencerem a alguém -, são uma presença indissociável da minha; indispensável e tranquilizadora extensão de mim mesmo, objectualizada pelo volume, a dimensão, a dimensão, a qualidade do papel, o fascínio gráfico, o apelo da capa que nos assegura a disponibilidade do olhar e do tacto.»


Edição: Autor
Título: a cicatriz do ar
Autor: Jorge Fallorca
N.º pág. 92
Pvp: 10.00€

sexta-feira, dezembro 18

Às vezes o silêncio é o melhor comentário


- Queria oferecer um livro a uma senhora, porém ela lê José Saramago.
O livreiro questiona-se sobre a adversativa e um pouca a medo, pergunta:
- Será que a senhora já leu o último livro de José Saramago, o Caim?
- Por amor de Deus! Ela lê Saramago, mas não chega a tanto...
- Pois, foi uma má ideia. Talvez me possa ajudar um pouco mais e dizer-me outros autores que a senhora goste de ler?
- Não sei, não tenho a certeza… O filho falou-me num escritor japonês, um tal Murakami.
- Sim, Huraki Murakami, excelente escolha, temos vários títulos à sua disposição...
- Mas tem a certeza de que é bom?
- Garanto! li alguns e adorei. A crítica diz muitíssimo bem.
- Não sei, não estou segura… É que a senhora lê Saramago.
- Pode ficar descansada.
- Se o senhor garante!?... Não sei se você percebe, a senhora é licenciada e professora universitária?
- Percebo! Posso sugerir-lhe outros nomes importantes, como Roberto Bolaño, William Faulkner, Philip Roth…
- Não sei?… O que é que acha se eu lhe oferecer o último livro da Margarida Rebelo Pinto?

quinta-feira, dezembro 17

Vantagens e desvantagens


Para quem trabalha no comércio, e não só, esta época natalícia pode representar quase 25% dos resultados de uma empresa. O que quer dizer que 25% do trabalho de um ano se acumula em 15 dias do mês de Dezembro, que por sua vez representam apenas 4,10% de um ano. Não me estou a queixar, estou só a tentar justificar a falta de tempo para escrever neste blogue.


Jaime Bulhosa

quarta-feira, dezembro 16

Os parentes pobres


- Dê-me por favor um romance de Luís de Camões.

O livreiro didacticamente corrige:

- Desculpe, Luís de Camões não escreveu nenhum romance. No entanto, tenho poesia e algum teatro.

- E foi por causa disso que ele ficou tão famoso!?...

terça-feira, dezembro 15

escrevinhar

Chegaram os cadernos da Planeta Tangerina. As capas são "desenhadas" com as ilustrações dos livros da editora e são perfeitos para escrevinhar listas de Natal, decisões de fim-de-ano, coisas para lembrar, coisas para esquecer ou o nome livros que queremos mesmo ler. São para todos os gostos, apesar de serem de um só feitio e chamam-se :

Caderno 01 -Book of numbers
Caderno 02 - Fome de leão
Caderno 03 - Te quiero mucho Rosita
Caderno 04 - Je suis ce que je suis
Caderno 05 - Picnic by the river
Caderno 06 - Pai-avião
Caderno 07 - Conta-quilómetros
Caderno 08 - Primavera-Verão.
PVP - 6.60 euros.

Débora Figueiredo

segunda-feira, dezembro 14

Casa da Misericórdia

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ETIMOLOGIAS
É a minha debilidade que te vence,
a essência mais pura do martírio.
Ao conhecermo-nos éramos tão jovens,
mas já te abri esta ferida:
uma porta por onde tu cada vez
vais mais longe e, então, voltas mais tarde.
Amor vem de um impulso,
de forçar e torturar. De cavalgar.
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O VENDEDOR DE ROSAS
Solitário e furtivo, o homem do ramo
anda por locais nocturnos à procura de casais.
Encontrei-o nas ruas ao pé da Rambla
com umas rosas sem cheiro a rosas
numa noite que não tem cheiro a noite.
E perdi-me pelas traseiras da vida.
Uma mulher na sombra que não és tu
roubou-te os olhos e chora. A cidade
é uma exacta e monstruosa cópia.
Como se o Cúpido já estivesse velho,
passa cuspindo o vendedor de rosas.
Enquanto se afasta penso: ao teu amor
não lhe perdoes nada. Nem o seu final.
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Título: Casa da Misericórdia
Autor: Joan Margarit
Tradução: Rita custódio e Alex Terradellas
Edição: Ovni, 2009
ISBN: 9789898026071
PVP: 13.70€

sexta-feira, dezembro 11

Moderno Tropical Arquitectura em Angola e Moçambique 1948-1975


No território africano sob domínio colonial português, menos sujeito à pressão dos cânones culturais do Estado Novo e ao mesmo tempo com mais necessidades de construção urbana, houve espaço para que os arquitectos portugueses pudessem explorar livremente o Movimento Moderno. A expressão desta arquitectura em África, nos anos 50 e 60, traduziu não só os ensinamentos da Carta de Atenas, de Le Corbusier, mas também as formas modernas desenvolvidas no Brasil. É há procura desse denominador comum - tropical – que Ana Magalhães parte com Inês Gonçalves numa viagem a Luanda, Lobito, Maputo e Beira, onde fazem um levantamento fotográfico dos edifícios aqui tratados. Entre texto de investigação e imagens, ficamos a conhecer o belíssimo trabalho de oito arquitectos portugueses, que no contexto colonial africano puderam aproximar-se da vanguarda da arquitectura moderna.

Edição: tinta-da-china
Tema: Arquitectura, Fotografia, História
Prefácio: Ana Tostões
Fotografia: Inês Gonçalves
Tipo: Capa dura
1.ª edição: Novembro de 2009
Formato: 20x26 cm
Isbn: 9789896710170
Pvp: 39.90€

quarta-feira, dezembro 9

Os Lusíadas

Encontra-se à venda na Pó dos livros a obra maior da Poética Portuguesa, “Os Lusíadas” de Luís Vaz de Camões. Desta edição única do António Prates do ano 1995 apenas foram editados 250 exemplares para todo o mundo.

«O aspecto desta obra “luxuosa” não resulta apenas duma alta exigência editorial; advém ainda do facto de se ter trabalhado nesta obra de modo empenhado ao longo de três anos, buscando materiais e acabamentos de excepção.»
António Prates

Característica da edição:

A obra é apresentada com encadernação a carneira, gravada a ouro ou fogo, levando nervuras na lombada. As Seixas são também gravadas a ouro ou fogo. Tanto a capa como a contracapa têm guardas a seda. Quanto às folhas, são individualizadas e cosidas manualmente em carcelas. O texto reproduz integralmente a grafia original da primeira edição de 1572, embora com retoques sempre que se impôs restaurar formas que se encontravam menos legíveis.

Colaborações especiais:

Esta edição de “Os Lusíadas” beneficiou de uma introdução confiada (na altura) pelo Presidente da República Dr. Mário Soares.

O Escultor João Cutileiro executou, propositadamente para a capa do livro, um retrato de Camões. Ao longo do Poema distribuem-se catorze serigrafias de alguns dos principais artistas portugueses da actualidade:

João Cutileiro
João Vieira
Júlio Pomar
Lima de Freitas
José Rodrigues
Luís Pinto-Coelho
Mário Cesariny
Fernando Lanhas
Eurico Gonçalves
Artur Bual
Manuel Cargaleiro
Júlio Resende
Maluda
Álvaro Siza

Pvp: 2000 €

Secção " Que lata!"


- João Rendeiro - Testemunho de um Banqueiro, de Myriam Gaspar,
edição Bnomics

- O Dever do Bom Nome, de Filipe Pinhal,
edição Bnomics

- Processo Indecente, de Tavares Moreira,
edição Bnomics

Nota: E o prémio vai para a editora Bmomics

Jaime Bulhosa

Tom Waits Nocturnos



«Thomas Alan Waits nasceu a 7 de Dezembro de 1949, em Ponoma, pequena cidade na Califórnia do Sul. De ascendência escocesa, irlandesa e norueguesa, os pais, professores, eram admiradores de Gershwin, Cole Porter, Sinatra e Louis Armstrong e fervorosos leitores de boas histórias. Na adolescência ouvia os acordes de Bob Dylan na rádio e aprendeu a tocar piano e guitarra. Waits descobre e aventura-se pelas obras de Jack Kerouac, Gregory Corso, Allen Ginsberg e outros cronistas da Geração Beat, com os quais se identifica muito e que constituíram as suas referências literárias. Através de Herb Cohen entra no mundo da música e edita o seu primeiro álbum, Closing Time (1972), e o segundo, The Heart of Saturday Night, desde logo muito bem recebidos pela crítica, pelos seus originais jogos linguísticos, sons de swing e de jazz. As suas canções ilustram os sonhos dos marginalizados na cidade grande, ambientes urbanos decadentes de prostitutas, bêbedos e moças provincianas acabadas de chegar. Tudo isto se encaixa numa voz rouca de nicotina e álcool e um estilo musical que vai do jazz à polka, passando pelo folk. Trabalhou com Francis Ford Coppola no filme Do Fundo do Coração e, em 1980, casou com Kathleen Breenann. Foi também compositor de muitas bandas sonoras para filmes como A Última Caminhada ou O Fim da Violência. A voz rouca única, a atitude marginal singular, a poesia das letras do quotidiano e as composições inovadoras tornaram-no uma referência musical.


Nocturnos é título do livro de Tom Waits, magistralmente organizado por João Lisboa, que traduziu as letras e algumas das mais marcantes entrevistas deste brilhante nova-iorquino de voz rouca.»


Páginas: 104
Editor: Assírio & Alvim
ISBN: 9789723702354
Pvp: 10.00€

terça-feira, dezembro 8

O isco



De camisa escancarada, peito aberto para o cordão banhado a ouro, sorriso de Alfama e bigode da Mouraria, Alfredo encostava-se todas as manhãs, durante um bom par de horas, junto à montra da livraria que julgava ser uma papelaria. Fazia-o para conquistar uma rapariga que andava a catrapiscar há já umas semanas e que acreditava que, por destino, haveria de ser sua mulher. As outras, isto é, as freguesas da papelaria, não lhe interessavam - eram quase sempre senhoras casadas e, mesmo que não fossem, estavam muito acima das suas posses culturais. Alfredo deixava-se estar ali, encostado à montra, sem fazer nada, como quem está com uma cana de pesca na mão à espera que lhe mordam o isco. Só que, em vez das ondas, olhava estupefacto para aquela estranha gente que ia e vinha ver os livros. Os dias e as semanas iam passando, e o peixe não mordia. Passava-se qualquer coisa… era isso! Se a sua presa navegava num mar de letras, o isco teria de ser outro. Numa das poucas vezes em que tinha entrado na papelaria, Alfredo lera, num livro de citações, a seguinte frase: «A arte de agradar é a arte de enganar.» Fez-se luz. Não pensou duas vezes e comprou o livro. Colocou-o debaixo do braço, de forma a adorná-lo melhor, juntamente com o anel de rubi negro, que deveria ser vermelho e por isso era de plástico, a pulseira a imitar ouro e o pente madrepérola, posicionado estrategicamente no bolso traseiro das calças bege, de pinças, sempre pronto, caso fosse necessário ajeitar a onda de cabelos pretos que lhe enfeitavam a cabeça vazia. Assim, o isco ficaria perfeito. Nada seria demais para atrair aquela que um dia haveria de ser sua companheira eterna, satisfazendo ao mesmo tempo o desejo repetido de sua mãe:

-Vê lá mas é se arranjas trabalho e uma boa rapariga para casar! Ela que saiba ler, para burra já basto eu, que casei com o bruto analfabeto do teu pai.

- E onde encontro eu uma mulher dessas?

- Onde havia de ser? Numa papelaria, palerma!

Entendem agora porque é que o local escolhido para encontrar uma rapariga conhecedora de letras foi uma livraria que Alfredo achava ser uma papelaria.
Teria de ter formas onduladas e um rosto generoso, porque esses eram os únicos requisitos de Alfredo. O outro objectivo - conseguir uma nora literata, em idade e estado civil adequado, para casar - pertencia à sua mãe. E foi assim que o destino proporcionou o encontro feliz entre os dois protagonistas desta história. Aproveitando o facto de um dia a jovem a quem deitava o olho há tanto tempo ter saído para a rua com dois pesados pacotes de livros, de imediato Alfredo se oferece para compartilhar com ela o peso da vida. A jovem livreira, depois de um sorriso de consentimento e não podendo deixar de reparar no livro que Alfredo exibia debaixo do braço, perguntou-lhe:

- Também gosta de ler?

Alfredo, muito convicto e enrolando o bigode com ar de vitória, responde:

- Se gosto!

Nota: Alfredo é o livreiro mais castiço com quem trabalhei. Gostava muito de contar histórias, não sei se verdadeiras, se ficcionadas, e esta é uma delas: a história de como conseguiu arranjar noiva e emprego numa livraria, passando a interessar-se pelo que está escrito nos livros. Dizia ele que, no mesmo livro que lhe tinha dado a ideia de o usar como isco, também lera, mas tarde, a frase que um dia haveria de ser escrita na sua pedra tumular, como aviso para homens solteiros que não frequentam livrarias e para que não passem de predador a presa:

«Um homem pode ser um palerma e morrer sem o saber, mas não se tiver sido casado.»
-
Jaime Bulhosa

segunda-feira, dezembro 7

Os Corvos


«Durante anos, em visitas que se repetiam por dias fixos, entravam na livraria duas mulheres, uma paralítica e outra cega. A primeira era conduzida, na sua cadeira de rodas, pela cega.

Queriam ver um livro de reproduções de Van Gogh. Enquanto passava as folhas do livro a paralítica dizia:

- Aqui há um grande campo de trigo com espigas douradas, enquanto uns corvos sobrevoam como negros presságios.

- Que maravilha! Dizia a cega.

Não tenho dúvidas que as duas viam o quadro. Eram mulheres cultas, sensíveis, simpáticas e alegres.»


Héctor Yánovar livreiro e poeta argentino.

A Leitora Real



Se os seus cães lhe tivessem obedecido, a rainha não teria descoberto a biblioteca itinerante estacionada no Palácio de Buckingham. Se não tivesse entrado para se desculpar pelo tumulto causado, não teria conhecido Norman, o jovem ajudante de cozinha que se tornaria seu conselheiro literário. Mas, nesse dia, a rainha Isabel II fez o impensável: levou um livro. E, num gesto audacioso, leu-o. Seria assim, de forma acidental, que a sua vida - bem como a de todo um país - mudaria para sempre.

Título: A Leitora Real
Edição: Asa
Autor: Alan Bennett
Tradução:Helena Cardoso
N.º pág: 126
Isbn:9789892306490
Pvp: 13.00€

sexta-feira, dezembro 4

Disse-me Um Advinho


«Disse-me Um Adivinho» foi o livro com que Tiziano Terzani se reinventou. Depois de décadas a cobrir inúmeras guerras, tragédias e desgraças a Oriente, o escritor tomou o lugar do repórter. Terzani, voluntariamente impedido de viajar de avião durante um ano, restitui-nos um mundo infinitamente mais complexo do que o de uma modernidade em que nos deslocamos a grande velocidade, pensamos com enorme rapidez e morremos velozmente. Durante um ano percorreu o Extremo Oriente por terra, lentamente, em busca de um tempo perdido, numa viagem de sentido duplo: aquele que correspondia ao trajecto geográfico, ligando os pontos de um mapa, e o que o fez levar a cabo um percurso íntimo e de autodescoberta. Numa viagem assim, quem chega nunca é quem partiu.


Carlos Vaz Marques

Tema: Literatura de Viagens
Tradução: Margarida Periquito
Prefácio: Carlos Vaz Marques
1.ª edição: Dezembro de 2009
N.º de páginas: 600
Formato: 14x19.5 cm
isbn: 9789896710187

Pvp:21.90€


quinta-feira, dezembro 3

Gafe clássica


Após uma longa ausência de 20 anos, dez anos na Guerra de Tróia e outros dez de viagem, Ulisses regressa a casa, sendo recebido por Agros, seu cão, que abana a cauda, reconhecendo-o.

[Odisseia de Homero]

Nota: Os cães em Ítaca, pelos vistos, viviam mais tempo e tinham uma memória de elefante.

Um escritor realista


- Para quem escreve? Perguntam-lhe:
- Escrevo para mim.
- Não acha essa resposta, como dizer... um pouco presunçosa, demonstrando mesmo alguma soberba?
Responde:
- Só eu e o meu editor sabemos que não vendi um único livro.

Jaime Bulhosa

1 Homem Dividido Vale Por 2


As Publicações Dom Quixote inauguraram, dia 26 de Novembro, na Galeria da Biblioteca Nacional, de quem partiu a iniciativa destra mostra, uma exposição dedicada ao escritor Luiz Pacheco, falecido a 5 de Janeiro de 2008. Esta exposição foi passada para papel em forma de um catálogo que reúne, pela primeira vez, quase todo o material impresso de Pacheco, enquanto autor e editor, e que chegará às livrarias, numa edição da Dom Quixote, no dia 7 de Dezembro. Trata-se, na verdade, de dois livros num só volume que terá os seguintes títulos: Luiz Pacheco -1925-2008 -Um Homem Dividido Vale Por Dois e Contraponto-Bibliografia. Com esta obra, o leitor terá acesso a um conjunto de textos inéditos do autor e, também, a várias trocas de correspondência nunca antes publicadas. Depoimentos e testemunhos, entre eles, o de Mário Soares, para além de todo o catálogo da Contraponto, editora fundada pelo próprio Luiz Pacheco, estão também reunidos nesta colectânea. Recorde-se que a Dom Quixote editou, em 2005, organizado por João Pedro George, o diário de Luiz Pacheco, com o título Diário Remendado.


Edição: Dom Quixote
Autor: Luiz Pacheco e outros
Isbn: 9789722039659
N.º Pág. 380
Pvp: 29.00€

quarta-feira, dezembro 2

De Sol a Sonho

(clique na imagem para aumentar)

Livros no chão


O Vasco faz uma visita à livraria do pai. Voa pelas escadas abaixo e aterra directamente na secção de livros infantis.

- Vasco, não desarrumes tudo como é costume.
- Ok pai!
Pega num livro, chão, pega noutro, chão e noutro, chão.
- Vasco, cada vez que pegares num livro e não gostares, volta a pô-lo no sítio.
- Sim pai!
Cinco minutos de distracção e uma prateleira inteira no chão.
- Pronto, acabou-se! Não mexes mais nos livros.
- Puxa pai, estragas-me a infância toda!

Jaime Bulhosa

Cá em Casa Somos

Na Pó dos livros somos 4 cabeças. Cada uma a pensar nas suas coisas…
De vez em quando todas a pensar no mesmo.

Na Pó dos livros somos 48 dedos, 16 dedinhos e 16 dedões…

O que faz 80 unhas que uns cortam outros roem.

Na Pó dos livros somos 4 bexigas e 4 dezenas de metros de intestino grosso e fino…

Todas as manhãs fazemos fila para a mesma casa de banho.

Na Pó dos livros somos 4 narizes e 8 narinas.

E nesta época do ano fungamos todos na mesma direcção.

Nota: Este post foi inspirado no livro Cá Em Casa Somos, editado pela Planeta Tangerina, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso




Edição: Planeta Tangerina
Título: Cá Em Casa Somos
Texto: Isabel Minhós Martins
Ilustrção: Madalena Matoso
Isbn:9789898145116
Pvp:12.50€

segunda-feira, novembro 30

Uma questão de gosto?

- Como se distingue um livro que contém em si quase uma “inspiração divina” de outro que é pura conversa da treta?
- Para além todas as diferenças óbvias, o segundo vende-se.
- Isso não será uma falsa questão que se resume apenas a uma questão de gosto?
- Quando um ignorante proclama que nada está escrito sobre o gosto, eu diria que nada está lido sobre o gosto, por ele é claro!

Monólogo de um livreiro anónimo, a partir de uma frase de Saint-Beuve, depois de ver uma novidade que era qualquer coisa... que me esqueci.

sábado, novembro 28

sexta-feira, novembro 27

Para que não tenham que bater com a mão na testa


Má Sorte de Solteiro

Parece tão terrível ficar solteiro transformar-me num velho que luta para manter a sua dignidade enquanto suplica um convite sempre que quer passar uma noite acompanhado, ficar na cama doente a olhar, do canto onde a cama está, para um quarto vazio durante semanas, tendo sempre que dizer boa-noite à porta de casa, nunca correr escada acima ao lado da minha mulher, ter apenas portas laterais na minha sala que vão dar à sala de estar de outras pessoas, ter de levar o meu jantar na mão para casa, ter de admirar os filhos dos outros sem sequer me ser permitido dizer: «Eu não tenho nenhuns», moldando-me segundo a aparência e o comportamento de um ou dois solteirões recordados da minha juventude. É assim que será, excepto que, na realidade, tanto hoje como mais tarde, estarei ali com um corpo palpável e uma cabeça verdadeira, uma testa verdadeira, ou seja, para lhe bater com a minha mão.

Franz Kafka

Nota: Entre 1914 e 1924, Franz Kafka esteve três vezes perto do casamento. Desistiu sempre. Tentou primeiro por duas ocasiões com Felice Bauer, uma alemã com quem se correspondeu até 1917. E uma última vez com Milena Jesenská uma mulher muito mais nova que ele. Morreu solteiro e sem filhos no dia 3 de Junho de 1924, com apenas 41 anos no sanatório Kierling perto de Klosterneuburg na Áustria.

Neste Natal

Estrofes & Versos


O Abutre e Outras histórias, de Franz Kafka; Aventura da Memória e Outros Contos, de Voltaire; Insónia, de Aluísio de Azevedo e O Guinéu da Órfã, de Charles Dickens são os quatro primeiros títulos de uma nova editora nascida em Agosto deste ano, com o nome Estrofes & Versos, à qual damos as boas vindas. Estes apetecíveis livrinhos, com um formato 10x15cm, são totalmente feitos em papel reciclado. Dos contos não necessitamos falar, basta o nome dos autores.

Edição: Estrofes & Versos
Pvp: 7.00€

anúncio


Fio do norte- Também chamado fio de vela ou o sapateiro. Útil para juntar, em molhos, cartas de amor, amarrar pacotes ou fazer guita para papagaios de papel. Em caso de necessidade, pode substituir muitos outrso tipos de fio (excepto, talvez, o fio dental).


Ácido Muriático-o mesmo que ácido clorídico, solução aquosa de cloreto de hidrogénio. Serve para desencardir sanitas (tal como a coca-cola, diz-nos o Sr. Rufino).

Amigos do senhorio-São pregos especiais que permitem pendurar molduras e outros objectos sem danificar as paredes. Existem em diferentes tamanhos, para usar consoante o peso em questão.

Goma-laca-É uma substância extraída de um insecto (a cochinilha). Usa-se, por exemplo, para envernizar móveis. Já agora fique a saber que móveis envernizados com goma-laca não gostam de produtos químicos. Um pano macio basta.*

Não mudamos de ramo, apenas nos entrou porta adentro a Rufino & Filhos em forma de agenda para 2010 da editora Planeta Tangerina. O Sr. Rufino é muito simpático e já nos divertimos a aprender ou recordar, estes e muitos outros nomes e significados.

Rufino & Filhos desde 1948 - agenda 2010, Planeta Tangerina - pvp 9.60 euros.

Débora Figueiredo

quinta-feira, novembro 26

terça-feira, novembro 24

O Homem Que Não Tira o Palito da Boca



«O autor usa uma linguagem magnificamente técnica, semiótica, de lógica formal e jurídica – obsessivamente perfeccionista, requintada, paranoicamente explicativa – para tratar de questiúnculas ou, pelo contrário, explicar formalmente, com uma lógica administrativa, a podridão familiar, política, económica, o quotidiano de miséria, prostituição, indecência, malfeitoria e sacanice (no Sambila e outros bairros) de pobres diabos e cidadãos abandonados pelos coevos. Histórias de casais e traições (infidelidades) são uma das obsessões divertidas de Melo. E, depois, há o tema das raças, cores de pele, classes, mas também o do assassinato piedoso, entre tantos.»


Edição: Editorial Caminho
Autor: João Melo
sbn:9789722120777
Pvp: 13.00€

O Homem Que Não Tira o Palito da Boca

(para ampliar clique sobre a imagem)


segunda-feira, novembro 23

A Fábula


Uma história alegórica da Primeira Grande Guerra, passada nas trincheiras em França e que trata de um motim num regimento francês, foi originalmente considerada um afastamento vincado das obras anteriores de Faulkner. Nos últimos tempos começou a ser considerada como um dos seus principais romances e uma parte essencial da obra de Faulkner. O próprio Faulkner combateu na guerra, e as descrições que faz dela «ascendem ao magnífico», segundo o New York Times, e incluem, nas palavras de Malcolm Cowley, «algumas das cenas mais poderosas que ele alguma vez concebeu.» Este romance foi galardoado tanto com o Pulitzer Prize bem como com o National Book Award em 1955.


«Se todos nós, o inteiro batalhão, pelo menos um batalhão, deixar as carabinas e as granadas e tudo para trás de nós na trincheira: trepar apenas de mãos nuas por cima do parapeito e atravessar o arame farpado e depois caminharmos apenas de mãos nuas, não de mãos erguidas para nos rendermos mas apenas abertas para mostrar que não temos nada para magoar, para ferir ninguém; não a correr, a tropeçar: apenas a avançar como homens livres que não querem nada excepto voltarem para casa e enfiarem-se em roupa limpa e trabalharem e beberem um pouco de cerveja à noite e conversarem e depois deitarem-se e dormirem e não terem medo. E talvez, apenas talvez, muitos dos alemães também queiram o mesmo, ou apenas um alemão que não queira mais do que isso, que ponha a sua carabina e granada no chão e também saia de mãos vazias não para se render mas apenas para que todos os homens vejam que não tem nada nelas nem para magoar...»

Edição: Casa das Letras
Autor: William Faulkner
Tradução: Maria João Freire de Andrade
Isbn:9789724618777
N.º Pág.331
Pvp:18.00€

sexta-feira, novembro 20

Disparates literários


Poderíamos considerar diversos candidatos ao prémio de autor dos maiores disparates da literatura. Como Shakespeare, que assumia que a Boémia, situada onde é hoje a República Checa, tinha uma longa costa marítima, ou Walter Scott, que no seu livro The Antiquary escrevia que o sol se punha a leste, ou Miguel Sousa Tavares, que no seu livro Equador imaginou o governador de S. Tomé a fazer uma visita ao delegado do procurador da República, em Março de 1906, em pleno regime monárquico. A ficção científica também é pródiga, por razões óbvias, em afirmações que mais tarde se vem a verificar serem disparatadas e até engraçadas. Por exemplo: Arthur C. Clarke afirmou em 1966 que as casas voariam por volta do ano 2000: “(…) e virá o tempo em que comunidades inteiras migrarão para o sul no Inverno, ou mudarão para novas terras sempre que sentirem vontade de mudar de cenário.” Dionysius Lardner (1823) escreveu: “As viagens de comboio de alta velocidade não serão possíveis, os passageiros, impedidos de respirar, morrerão por asfixia.” John Langdon-Davies, no seu livro A Short History of the Future (1936), disse: “Por volta de 1960 o trabalho será limitado a três horas por dia” (era bom, não era?). R. Buckminster Fuller (1966) tem uma tirada fabulosa: “No futuro (2000), os políticos simplesmente desaparecerão. Não veremos mais nenhum partido político.” Ou quando alguém acerta (1949): “No futuro, os computadores não pesarão mais do que 1,5 toneladas. Na passagem da literatura para o cinema, também encontramos exemplos. No filme The Third Man, adaptação do livro de Graham Greene (que não tem qualquer responsabilidade sobre o erro), a personagem de Harry Lime faz o seguinte discurso:

A Itália, durante trinta anos sob o poder dos Borgias, ofereceu-nos guerra, terror, assassínios e derramamento de sangue. Mas também nos deu Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci e o Renascimento. A Suíça tinha amor fraterno, 500 anos de Democracia e paz, para além de ter inventado o relógio de Cuco (...).

O discurso foi composto por Orson Welles quando representava o personagem Harry Lime. Welles escreveu um excelente texto, mas era péssimo em Horologia. O relógio de cuco foi inventado em meados do século XVIII não na Suíça, como ele afirma, mas sim na região do sul da Alemanha, que também nos deu Goethe, Kant, Schiller, Beethoven e Hegel. A mesma região que nos proporcionou, provavelmente, o maior erro e disparate de todos os tempos, e do qual saiu imensa produção literária, Adolf Hitler, Mein Kampf e seu Partido Nacional Socialista.

Jaime Bulhosa

quinta-feira, novembro 19

História de Angola


Este livro História de Angola resulta de um incomparável trabalho de investigação e, simultaneamente, de síntese, levado a cabo por dois historiadores do colonialismo africano internacionalmente consagrados.
Num só volume, ficamos a conhecer a composição social do território angolano, a evolução do domínio português e as formas de organização económica e política ainda no tempo da mais dura escravatura, bem como o lentíssimo avanço para formas mais modernas de organização colonial. Ficamos também a compreender a inexorável formação dos inúmeros movimentos nacionalistas angolanos – dos europeus independentistas às tribos associadas em trono de líderes carismáticos -, até à formação de partidos políticos consistentes, disputando o país contra Portugal e entre si próprios. Finalmente, ao desfecho da conquista da independência segue-se um resumo dos violentos anos de guerra civil, rematados pela recente história de relativa acalmia política, com enfoque nas condições socioeconómicas da Angola contemporânea. Neste livro, os leitores podem ainda usufruir de uma extensa bibliografia internacional única em Portugal, com as mais diversas perspectivas sobre Angola.

Edição: tinta-da-china
Autor: Douglas wheeler e René Pélissier
Tradução:Pedro Gaspar Serras Pereira
N.º Pág. 469
Isbn: 9789896710057

Pvp: 24.90 €

Marcas da Lusofonia na Literatura Portuguesa Contemporânea

Realiza-se hoje aqui na Pó dos livros pelas 18h30, conversas à volta do livro Mar em Casablanca, de Francisco José Viegas. Estas conversas terão como tema central as marcas da lusofonia na literatura portuguesa contemporânea. Para além de Francisco José Viegas teremos também como convidados: Mónica Marques e José Eduardo Agualusa.

quarta-feira, novembro 18

Querem reinar ao guelas?

Lá na minha rua no bairro social dos Olivais sul, no tempo em que ainda praticamente não havia barreiras nem muros de espécie alguma entre os quintais, nós tínhamos um assobio. Era um assobio personalizado, com uma melodia própria, de forma que fosse facilmente identificado entre os assobios de outros grupos de miúdos, e que usávamos como chamamento para as brincadeiras ou aviso de aproximação de algum perigo. Soava mais ou menos assim: fiiiuuu, fuuuiii, viiuuu (nunca consegui assobiar bem). Na minha rua, os amigos e as brincadeiras estavam divididos hierarquicamente por idades e sexo, e as regras eram feitas, quase à semelhança do livro de William Golding, O Deus das Moscas, na ausência da supervisão dos adultos. Como uma ilha dentro de uma cidade, a rua organizava-se por grupos: o grupo dos miúdos dos cinco aos oito, o dos nove aos doze, o dos treze aos dezasseis e por aí fora. Também como no livro, os mais velhos e fortes ditavam as leis. Mas ditavam também as modas, e as modas eram as brincadeiras. Elas apareciam sazonalmente, por épocas: a época do pião, a dos carrinhos de esferas, a do jogo de berlinde, etc. No Inverno, os jogos de casa: o mikado, o dominó, o monopólio e muitos mais, só o futebol atravessava o ano inteiro.
Se conhecessem o meu assobio, assobiava agora mesmo para vos convidar a «reinar» comigo ao «guelas», ao mikado, ao dominó ou a outro jogo qualquer. É que estes e outros jogos chegaram à Pó dos Livros. Assim que os vi, regressei à minha infância.

Jaime Bulhosa

terça-feira, novembro 17

Inspiração literária


Num evento literário, numa conversa de circunstância entre escritoras:

- Há quanto tempo!
- É verdade, há muito.
- O quê… há mais ou menos vinte anos que não nos víamos?
- Ou mais! E tu estás igualzinha.
- Tu também, e o cabelo loiro fica-te muito bem.
- Obrigada. O que é fazes aqui num evento de editora?
-Sou professora e autora de alguns livros. E tu?
Muito orgulhosa responde:
- Eu escrevi um livro, um romance.
- Parabéns. Dizem que para escrever um romance é necessário ter um momento de grande inspiração?
- Sim, não é fácil imaginar uma história que seja apelativa e ao mesmo tempo original, a inspiração não surge constantemente e o processo de escrita pode ser penoso. Algumas ideias deste livro foram retiradas de acontecimentos recentes e verídicos, passados comigo e muito dolorosos.
- Não sabia, mas está tudo bem?
- Sim já passou. E tu, que tipo de livros é que escreves?
- Livros de matemática, mais precisamente exercícios de integrais duplos, triplos, de linha e de superfície e também de cálculo diferencial em IRn.
- Que interessante!... E onde vais buscar a tua inspiração?
Sem saber bem o que responder:
- Também em momentos muito dolorosos; mas neste caso para os meus alunos.

Jaime Bulhosa

Pergunta ao Pó

Chegaram recentemente às livrarias os primeiros títulos publicados pela Ahab Edições. Com sede no Porto, a editora aposta na literatura traduzida e começa com obras de Fante, Solstad e Stuparich. O nome da nova editora Ahab é a personagem central do romance "Moby Dick", de Herman Melville, cuja versão cinematográfica de 1956 contou com Gregory Peck no papel do inflexível capitão. É na obstinada perseguição à baleia que os responsáveis por este novo projecto vão buscar o paralelismo: "Nós embarcamos na editora com essa obstinação, para caçarmos a boa literatura por todas as paragens do Globo", diz Tiago Szabo.


Pergunta ao Pó é a história de Arturo Bandini, um jovem aspirante a escritor recém-chegado à Los Angeles dos anos 30. Lutando pela dura sobrevivência diária enquanto sonha com o sucesso literário, Bandini vai-se deixando fascinar pelo lado sórdido da cidade até se envolver com a esquiva e temperamental Camilla Lopez, uma empregada de bar mexicana. A paixão que a um tempo o arrebata transforma-se, pouco a pouco, numa destrutiva relação de amor-ódio que vai conduzir a um trágico desenlace. Pergunta ao Pó é uma obra marcante de um mestre da ficção americana do século XX e foi adaptado ao cinema por Robert Towne, que o classificou como o melhor romance alguma vez escrito sobre Los Angeles.


Edição: AHAB
Autor: John Fante
Tradução:Rui Pires Cabral
Isbn:9789899634008
Pvp: 17.95

sábado, novembro 14

De Espanha...


Minotauro é uma nova chancela das Edições 70, com direcção editorial de António Sáez Delgado, que vem colmatar uma lacuna na edição em Portugal. "O projecto Minotauro visa dar a conhecer ao leitor português textos de autores espanhóis contemporâneos cujas obras se destaquem pelo seu cunho literário e pela universalidade dos seus temas. Inclui obras de autores consagrados, mas pretende também fazer a ponte com a nova geração de escritores, sinal da pujança de um idioma e de uma cultura que nos são próximos, ainda que, por vezes, distantes."

Estes são os quatro primeiros títulos editados:

Título: Crematório
Autor: Rafael Chirbes
Tradução: Miguel Serras Pereira
ISBN: 9789724415482
PVP: 23.00€







Título: Sem Necessidade
Autor: Julián Rodrigues
Tradução: Luís Filipe Sarmento
ISBN: 9789724415574
PVP: 12.00€



Título: Bingo!
Autor: Esther Tusquets
Tradução Luís Filipe Sarmento
ISBN: 9789724414478
PVP: 12.00€


Título: Contra-natura
Autor: Álvaro Pombo
Tradução: Miguel Serras Pereira
ISBN: 9789724414461
PVP: 24.00€
Isabel Nogueira




quinta-feira, novembro 12

Leitura colectiva


«Quando uma inteligência e uma sensibilidade lêem um livro, lêem-no com todos os livros que já leram. Este lei projectada na leitura colectiva permite ver quanto tempo leva uma recuperação profunda dos níveis de leitura numa sociedade como por exemplo a portuguesa.»

Manuel Medeiros em Papel de Mais

Papel a Mais


Na sua génese, Papel a Mais estava pensado para ser um livro de poesia, reunindo alguma da produção poética de Resendes Ventura de 1993 até 1998, completando-se com o conjunto «3 Rédea-soltas». Com o adiamento da publicação, sentiu o autor necessidade de se explicar num texto introdutório, «Papeis de um Livreiro – uma Introdução a Papel a Mais», onde, entre elementos biográficos de carácter mais pessoal, R.V. vai discorrendo sobre a sua condição de livreiro desde 1969, num país de grande atraso cultural e fracos índices de leitura, onde tem sido difícil implementar elementos reguladores que permitam um acesso eficaz de todos à leitura.
As reflexões sobre a problemática do livro e da leitura continuam em «Post--Scriptum Redundante a Papel a Mais», no texto «Elogio da Redundância», escrito já em 2009, pouco antes de se iniciar a publicação da obra.
Papel a Mais é claramente um livro de afectos, afectos manifestados de diversas formas. Neste sentido tem especial destaque uma parte do livro designada por «Escrita Amiga»: surgindo entre o núcleo principal da obra e o «Post-Sriptum Redundante», encontramos um conjunto assinalável de textos inéditos de escritores relevantes, amigos do autor. São eles Armando Côrtes-Rodrigues, Avelino de Sousa, Eduíno de Jesus, Fausto Lopo de Carvalho, Luísa Ducla Soares, Maria Alberta Menéres, Maria de Lourdes Belchior, Matilde Rosa Araújo, Onésimo Teotónio Almeida, Sebastião da Gama, Silva Duarte, Urbano Bettencourt, Urbano Tavares Rodrigues e Teresa Rita Lopes. José Ruy colabora com uma ilustração.
Cada parte do livro separa-se da seguinte através de um desenho da autoria de Resendes Ventura, daqueles que o autor vai deixando espalhados nas páginas dos diversos cadernos que sempre o acompanham, criados entre 2002 e 2008, a fase mais produtiva dos seus «traços a tinta negra».
Conhecedor profundo dos meandros do livro, já que em 2009 completa quarenta anos de actividade livreira, reflectindo, muitas vezes publicamente, sobre as questões do livro em Portugal nas suas diversas dimensões, o autor dá, assim, um precioso contributo para o estudo deste sector, dando a ver/ler a posição e a voz do livreiro, esse agente cultural importantíssimo e, infelizmente entre nós, quase sempre ignorado e votado ao ostracismo pelo poder, pelas instituições e seus decisores.
Papel a Mais é, pois, um livro a ser lido por aqueles que gostam de poesia, mas, acima de tudo, deve ser lido por todos os agentes culturais e institucionais que se movem no meio do livro e da leitura e desejam fazer sobre ela uma reflexão séria: decisores do poder central e local, livreiros, bibliotecários, jornalistas culturais e críticos literários, editores e distribuidores livreiros, investigadores do livro e da leitura, promotores, animadores e mediadores de leitura, professores e educadores, enfim, todos os que se interessam pelo livro, procurando que o número de leitores seja algo em permanente crescimento.
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Edição: Esfera do Caos
Autor: Resendes Ventura