segunda-feira, janeiro 5

Compaixão?

Eduardo Pitta escreve aqui sobre a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, (eu não ouvi a mensagem, mas acredito no Eduardo Pitta) mais concretamente sobre a compaixão que devemos ter para com o comércio tradicional. Pode parecer paradoxal mas concordo inteiramente com Eduardo Pitta. Não é de compaixão ou de esmolas que o comércio tradicional vai passar a sobreviver. Porque havemos nós, pequenos comerciantes, de ser privilegiados em relação aos outros? Penso que já chega o exemplo recente da ajuda do Estado aos bancos. De facto o comércio tradicional só sobreviverá se for necessário, se as pessoas o quiserem. Senão, não há compaixão que lhe valha, está irremediavelmente e definitivamente condenado.

Eu enquanto pequeno livreiro tradicional, acredito que as grandes superfícies criaram ou deixaram em aberto algumas necessidades que podem ser aproveitadas pelo comércio tradicional. Provavelmente o pequeno comércio passará a ser em muito menor número, mas inevitavelmente terá muito mais qualidade.

Teremos com certeza que reflectir sobre este assunto, nomeadamente sobre como evitar que a concorrência seja completamente desleal e injusta, como tem vindo a acontecer nos últimos anos, sob pena de acabarmos todos a trabalhar para alguma multinacional ou pior, ficarmos no desemprego. As “esmolas” serão sempre dadas aos mesmos, isto é, a quem menos precisa.
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Jaime Bulhosa

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