terça-feira, janeiro 27

A Secção da Alegria


“A Secção da Alegria”, é esta a designação que Fernando Alves, hoje, nos “Sinais” (crónica que assina diariamente na TSF), sugere para as secções de livros infantis das livrarias. E justifica, citando Ruben A., que se uma das razões para lermos é que os livros nos oferecem alegria, é (deve ser) também pela alegria que se conquistam as crianças para a leitura.
É pela alegria da leitura mas também, e primeiro ("babys love books" diz um slogan inglês de incentivo à leitura), pela alegria do contacto com os livros, e esta passa necessariamente pela apropriação dos espaços dos (com) livros. Nós temos o privilégio de assistir a isso todos os dias. Assim que entram, descem as escadas a correr, os mais pequenos, que mal andam, puxam pelas mãos dos pais, espalham as almofadas e os poufs, espalham os livros pelo chão para folhear ou para brincar, uns percorrem minuciosamente as estantes, com expectativa, outros vão directos à prateleira que lhes interessa, ao livro que lhes interessa, tiram um livro e sentam-se a ler, alguns escondem os livros bem escondidinhos, atrás dos outros, ou noutra secção, para que ninguém os compre e possam continuar a lê-los quando cá voltarem, habitualmente não querem a nossa ajuda nem a nossa atenção e nós deixamo-los à vontade, estão em casa. “Vamos para a nossa secção”, disseram as meninas que inspiraram a crónica de Fernando Alves, numa livraria do Chiado e sentaram-se a folhear os livros “como se se sentassem na clareira, na sua clareira, de uma floresta”.
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Isabel Nogueira

5 comentários:

Cristina disse...

O problema dessa secção da alegria é quando entramos numa livraria e está coberta de livros. Até nas cadeiras... Não há criança que aguente. A minha queixa-se logo...

Cristina

Mamã Su disse...

A minha filha tem 2 anos e desde sempre que receava que não tivesse a paixão pelos livros que eu tenho. Neste momento, para ela um livro é um amigo que ela folheia e cujas histórias narra nas suas poucas palavras e para o seu pequeno mundo. Derrete-me este "mundo de alegria" que lhe cultivo e que ela respeita porque gosta.

Anônimo disse...

É uma ideia estapafúrdia. A "divisão da alegria" foi o termo usado pelas directores dos campos de concentração nazis para designar a zona em que as prisioneiras eram prostituídas aos soldados do campo. Ignorância da História dá normalmente nisto...

Anônimo disse...

Ideia estapafúrdia é alguém lembrar-se de fazer um comentário destes quando se fala de crianças. E forçar a associação da ideia Divisão (no sentido militar) a secção infantil e livros. Isso sim é pura ignorância.

Anônimo disse...

Só porque os nazis supostamente usaram esse termo não se pode chamar "secção da alegria", ou mesmo divisão, a outra coisa totalmente diferente? Não concordo que seja assim tão estapafurdio!