terça-feira, fevereiro 17

A imaginação de uma criança

O Vasco ainda não sabe ler, por isso eu leio-lhe de vez em quando um livro em voz alta. Gosto da alegria com que ele aceita esses dez minutos de entretenimento. Gosto de revisitar livros que já tinha lido aos mais velhos. Gosto quando o Vasco me pergunta o significado das palavras. Gosto quando me pergunta qual é o mais forte, se o Vento se o Sol.

Jaime Bulhosa

«Ler um livro... a partir dos seis meses de idade. Sabemos hoje que o desenvolvimento das potencialidades de uma criança que a vão tornar mais capaz em termos de linguagem, de leitura e de escrita, se processa desde o primeiro ano de vida.
Por isso, todas as oportunidades de cantar, contar histórias, fazer puzzles, garatujar, pintar, ou ler livros, são decisivas para o seu futuro.
Na verdade, a partir dos seis meses de idade as crianças começam a interessar-se por figuras e imagens e a associá-las a sons. É por isso que a partir desta idade se devem introduzir os primeiros livros (feitos de materiais seguros, como cartão grosso, esponja, pano ou de plástico), que devem conter figuras simples, coloridas e facilmente identificáveis. O adulto deve introduzir o jogo de apontar e nomear a figura, associando uma imagem e um som.
A introdução precoce dos livros infantis e adequando sucessivamente a técnica de leitura e o tipo de livros às diversas idades fomenta a familiaridade com o objecto livro e do seu manejo tornando-o numa referência quotidiana.
No que se refere ao conteúdo, diversifica e amplia a linguagem utilizada com a criança, amplia a realidade, estimula a imaginação, a associação de ideias, a capacidade de concentração, ajuda a lidar com emoções e medos, transmite regras e sistemas de valores. O livro é também uma ponte emocional entre as crianças e os adultos, ajudando-os a interagir e a estar juntos, ajuda a criar um ambiente de segurança; contribuindo para a vivência do livro como algo emocionalmente compensador e pode pertencer ao ritual de transição na hora de dormir.
A idade com que se inicia a leitura de livros às crianças é um factor que decididamente favorece o desenvolvimento da linguagem e do interesse e prazer que aquelas terão nessa actividade no futuro.
A estimulação precoce com livros e a interacção com os adultos no ambiente familiar está associada a um maior desenvolvimento da linguagem, a um maior interesse precoce por livros e a um desenvolvimento de aptidões essenciais para o futuro da criança.
Por isso a leitura de livros em voz alta às crianças (e a partir dos seis meses de idade), é a tarefa individual com mais impacto na capacidade de leitura e de adaptação escolar.
O grau de literacia relaciona-se directamente com os anos de sobrevivência, com a capacidade de entender mensagens na área da saúde, com a auto-estima, com a capacidade de melhorar os estilos de vida, de auto-manejo nas doenças crónicas, etc
Por estas razões, não se esqueça de ler uma história ao seu filho(a) todos os dias. Poucos gestos tão simples têm tão grande repercussão. Por isso ler às crianças é uma recomendação do seu médico. Porque a educação faz bem à saúde.
Os médicos que trabalham com crianças (Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral, Sociedade Portuguesa de Pediatria), em parceria com o Plano Nacional de Leitura e em articulação com a DGS e o Alto Comissariado para a Saúde, estão a elaborar um projecto de promoção da literacia precoce.»

SPP "Sociedade Portuguesa de Pediatria"

Projecto "Ler+ dá saúde"

3 comentários:

eMe-a-eMe disse...

Excelente video; ilustra na perfeição a mensagem do texto que o segue.
Cumprimentos, Maria Manuel Figueiredo

ritaR disse...

Excelente post!

Marco disse...

Perfeito!

O texto está mesmo uma beleza. Concordo plenamente com tudo, principalmente quando são abordadas as questões a seguir:
1)"O livro é também uma ponte emocional entre as crianças e os adultos..."
2)"A estimulação precoce com livros e a interacção com os adultos no ambiente familiar..."
3)"Por estas razões, não se esqueça de ler uma história ao seu filho(a) todos os dias."
Pude observar em várias ocasiões, em diversas turmas para as quais eu lecionava redação publicitária, que a produtidade dos alunos em sala de aula, no que tange à criação de textos para propaganda em exercícios que eu passava durante a aula, era diminuta para os que não se beneficiaram pelos três itens acima. Estes alunos não conseguiam "imaginar" com facilidade, fator crucial para a criação de uma peça publicitária seja ela para que mídia for.
Quanto mais conseguimos, como se diz popularmente, "dar asas à imaginação", conseguimos simultaneamente criar um texto com mais facilidade justmente porque "vajamos" no briefing do produto, serviço ou idéia com que estamos trabalhando.
Já a questão da "interação" se estende ao convívio com grupos, fator diretamente relacionado ao trabalho de publicidade, que só funciona bem através do relacionamento constante entre as pessoas que trabalham em uma agência de propaganda, em uma emissora de TV, em uma produtora de filmes ou em outra empresa qualquer. Se a pessoa tem dificuldade em se relacionar, como vai viver num meio onde "o brainstorm é constante?"
Em propaganda estamos o tempo todo "trocando" com nossos pares seja em que âmbito for: pontos de vista, a criação de um nome para o produto de nosso cliente, um título para um anúncio, o story board para um comercial, etc., etc., etc.
Portanto, o post não poderia merecer outra nota que não, "11", porque nota 10 é pouco.
Parabéns e um abraço do Marco.