quarta-feira, fevereiro 4

Manuel Alberto Valente e o preço dos livros


Verifiquei que se gerou alguma polémica em torno de um artigo de opinião de Manuel Alberto Valente sobre o preço dos livros em Portugal, face ao preço dos livros praticado no estrangeiro. Uns dizem que são mais caros, outros dizem que não. Eu tenho uma opinião sobre este assunto e que vai muito na direcção do que defende Manuel Alberto Valente.
Tanto cá como lá, o preço dos livros é calculado de acordo com os custos de produção (direitos, materiais, tradução, revisão, paginação, etc.) e principalmente com o número de exemplares impressos, e isso varia com a dimensão de cada mercado. Não creio que haja demasiada especulação quando se estipula o preço dos livros em Portugal (comercialmente, não interessa aos editores praticar um preço demasiado elevado). Sinceramente, penso que pagamos o preço justo, ou possível. Mas a meu ver a questão não se põe. Os livros até podem ser caros, mas só para quem quer adquirir o objecto. Porque a leitura, essa, é gratuita, basta pensarmos na quantidade de bibliotecas, ou até de livrarias, onde se pode estar confortavelmente a ler sem ninguém chatear. Contra nós falo, mas quem quiser ler gratuitamente pode fazê-lo na Pó dos livros, até temos sofá e um café. Depois, se fizer questão de ficar com o livro para recordação, pode adquiri-lo. Nós agradecemos.


Jaime Bulhosa

10 comentários:

Rita disse...

E ainda há as feiras do livro, os alfarrabistas, a Feira da Ladra, etc. Embora tenha lido muitos livros emprestados de bibliotecas, sou das que gosta dos objectos, e mais de metade da minha biblioteca é constituída por livros manuseados, velhos, antigos, as pechinchas que vou encontrando.

fallorca disse...

Ganda malha! eheheh
E tanto assim é, que entrei no blogue e pedi-lhe emprestado um capítulo do melhor escritor do mundo.

Silvestre Gavinha disse...

Não li o Artigo de Manuel Alberto Valente, mas aqui no Brasil temos a mesma questão. O livro impresso aqui, o objeto, é caro. Para a maioria das pessoas é muito caro.
Talvez não tenhamos tantas bibliotecas como aí. Mas temos livrarias onde se pode ler e temos ótimos sebos. Temos ainda um site maravilhoso que reúne não sei quantos mil sebos de todo o Brasil e onde se compram livros, inclusive raros e esgotados por ótimos preços em ótimo estado.(www.estantevirtual.com.br)
Sou daquelas que compram, compulsivamente, em velocidade maior a que consigo ler. Mas sei o quanto custa.
Marie

Anônimo disse...

não se estava à espera de outro tipo de comentário vindo de si, uma vez que não lhe convém antagonizar os editores; principalmente os pequenos editores de quem é muito amigo... Assim não vamos lá, realmente...
Pedro Carvalho

Marco disse...

Caro amigo Jaime:
Escrevo novamente para comentar sobre um assunto de tão relevante importância. Pelo que pude observar em diversos países da Europa, os livros aí têm preços infinitamente mais em conta do que no Brasil.
Ora, me parece um contra-senso que num país onde há pouquíssimos anos as pessoas estão incorporando o hábito da leitura, os livros sejam oferecidos por preços abusivos. Mas é o que acontece.
Não estou desprezando os custos de produção e outros custos até porque trabalho constantemente com serviços gráficos e conheço o procedimento de orçamento para edição de livros.
Considerando que uma pessoa receba em euros e compre em euros, os preços aqui são bem maiores. Bons livros aí são vendidos por 12, 15 ou 20 euros. Aqui dificilmente encontramos um livro por menos de 35 ou 40 Reais.
Comparando o valor médio de um livro no Brasil e em Portugal, podemos dizer que aqui, ele custa em torno de 9% do salário mínimo vigente (R$417,00), quando em Portugal, esse percentual é de 3% em média.
Para os padrões europeus os livros ainda podem estar caros, mas comparativamente ao Brasil... Não sei não.
Para agravar mais a situação ainda temos aqui difundida (principalmente no meio universitário) a “cultura da Xerox”. Tira-se Xerox de livros no Brasil sem o menor pudor, tanto por parte dos alunos como pelas papelarias ou centrais de Xerox montadas nas próprias universidades.
Um professor, pesquisador, historiador ou quem quer que seja que trabalhe na área literária, se empenha para escrever uma obra e esta é copiada milhares de vezes sem nenhum escrúpulo por quem a copia e por quem a manda copiar. Agora eu pergunto: Como fica essa questão se o aluno não tem dinheiro para comprar um livro?
Um abraço.
Marco

fallorca disse...

«...uma vez que não lhe convém antagonizar os editores; principalmente os pequenos editores de quem é muito amigo... »
Porque será que as insinuações se encapam sempre sobre a cobardia do anonimato? Não se exige o BI, suponho, mas dispensa-se, suponho também, a baixeza do anonimato.

Pedro disse...

Pois, ms porque é que não se editam edições de bolso de livros recentes? Edições mais baratas, claro está.

Marco disse...

Você disse tudo, Pedro. "Edições mais baratas". Será que isso interessa a algumas editoras? Digo isso porque não são todas que agem assim, obviamente, mas as edições de bolso, mais em conta industrialmente, proporcionam lucro menor, consequentemente.
Um abraço.
Marco.

Anônimo disse...

oh fallorca, diz o roto ao nu. Além do que ao menos eu assinei com o meu nome, enquanto que o seu perfil não nos diz nada, nem sequer o seu nome, e desculpe lá mas o meu BI não é para aqui chamado.
Pedro Carvalho

O diabo está nos detalhes disse...

tratando-se de alguma da literatura estrangeira traduzida por cá, eu costumo comprar o original (francês, inglês ou espanhol): não só evito más traduções como o preço que pago é por vezes metade do que me é pedido pela edição em português.