terça-feira, fevereiro 3

P.D.C.

Já se tinha feito anunciar, não tínhamos era uma data exacta para oficialmente lhe dar as más-vindas. Sabemos que é omnipresente, porque ouvimos dizer que também está em Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, África, Ásia, Oceânia e até nas Américas. Não tem rosto, mas conhecemos-lhe o nome, chama-se CRISE e é casada com um fulano fraco, cobarde, chamado FALTA DE CONFIANÇA, a quem foi diagnosticada uma doença altamente contagiosa, a DEPRESSÃO. Andam sempre acompanhados de um puto malcheiroso, irritante e muito ranhoso, chamado RECESSÃO.
Não batem à porta nem pedem licença, simplesmente entram e instalam-se. Depois, de mansinho, começam a fazer das suas. Ontem, por exemplo, aqui venderam-se menos cinco livros, na outra ponta da cidade, menos dez e do outro lado do rio, menos quinze, e assim por todo o lado. Mas, de facto, só damos por eles quando ganham corpo e nos telefonam:
[Maria, 40 anos, há dez nos livros] – Olá! sou eu, é só para me despedir e dizer que foi um prazer trabalhar convosco. Se souberem de alguma coisa, digam, por favor!
[Lurdes, 50 anos, há oito nos livros] – Então, já souberam? Pois, mudei de ramo, agora estou no ramo dos subsídios, dizem que já estou velha.
[Jorge, 60 anos, há 25 nos livros, orgulhosamente] - Não foram eles que me mandaram embora com a desculpa da dita, fui eu que já estava farto, PUTA DE CRISE!.
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Jaime Bulhosa

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