quarta-feira, março 11

No futuro e-Book, Kindel e outras coisas do género


Estamos no ano de 2060, algures em Lisboa, numa casa de classe média com todas as comodidades modernas, casa inteligente, cheia de computadores e chips por todos os lados, encontra-se também, juntamente com esta inteligência artificial, uma velha biblioteca de livros. Conversam dois irmãos, uma rapariga de 20 anos e um rapaz de 15.

Rapaz: - O que é que o avô fazia com todos estes livros?

Rapariga: - Lia-os, evidentemente.

Rapaz: - Como! Então deve ter levado anos? Quero dizer, é muito mais fácil e rápido carregar num botão e ter imediatamente acesso a toda informação essencial de que precisas.

Rapariga: - Tens razão. Mas no tempo dele era assim, queriam um pouco mais.

Rapaz: - Um pouco mais… o que queres dizer com isso?

Rapariga: - Eles queriam tudo, não apenas uma parte, do que podemos chamar conhecimento.

Rapaz: - Qual é a diferença?

Rapariga: - Imagina que estás na escola na disciplina de Nostalgia e te davam a ler um livro inteiro, tinhas que o ler todo, não apenas um resumo. É como nos filmes, tens de o ver todo para depois fazeres o thrailer.

Rapaz: - O quê! Fazer todo o trabalho chato sozinho.

Rapariga: - Exactamente, no tempo dos avós era assim. Não podias simplesmente carregar num botão e já está! Tinhas de ser tu próprio a pensar.


Jaime Bulhosa

2 comentários:

Navel disse...

A tecnologia não é boa nem má, depende do uso que lhe damos... Muito provavelmente os livros como os conhecemos vão conviver com os novos e-readers. Afinal, o futuro é o que fizermos dele ;)

the-door-to-my-imaginarium disse...

haha gostei da história!

...no tempo em que for avózinha vou por os netos a pensar e não a fazer ginástica no dedo (mas nessa altura se calhar nem me ligam como fazemos aos avós deste tempo!)