quinta-feira, julho 23

a ler




"Que o Diabo Leve a Mosca Azul" de John Franklin Bardin , edição Relógio D'Água - um título sugestivo e uma capa que não se consegue ignorar, um belissímo prefácio de Ana Teresa Pereira, a música a soltar-se das páginas que passam e está instalada uma vontade irresistível de o ler.


Do prefácio de Ana Teresa Pereira : "(...) Entre 1946 e 1948, escreveu três romances que se parecem com pesadelos. The Deadly Percheron, que teve algum sucesso; The Last of Philip Banter, que teve menos. Para o terceiro, Devil Take, não encontrou editora nos Estados Unidos, mas o editor inglês Victor Gollancz encontrou-o no escritório de um agente, e publicou-o sem qualquer revisão.
Nos anos setenta, Julian Symons (escritor e coordenador da colecção policial da Penguin) resolveu publicar The Jonh Franklin Bardin Omnibus, com os três romances. Estes estavam completamente esquecidos, e o autor desaparecera «como uma das suas personagens»; nem mesmo o agente conhecia o seu endereço. Finalmente encontraram-no, a viver em Chicago, onde editava uma revista.
Devil Take the Blue-tail Fly é um dos livros mais belos (foi escrito ao som das Variações Goldberg e a música ficou no texto) que já li. É também um dos mais terríveis. Quase insuportável. Uma viagem ao que há de mais escuro na mente humana: uma personagem que se entrega apaixonadamente à criação e com a mesma alegria feroz à destruição; uma personagem que está sozinha do princípio ao fim (como todos nós) e se entrega a uma dança feroz consigo mesma, uma dança de morte. A um jornalista que lhe confidenciou ter ficado aterrorizado ao ler uma passagem perto do final do livro, Bardin disse que lhe acontecia o mesmo sempre que o relia.
John Franklin Bardin escreveu que não há diferença entre um romance policial e um romance «sério» (o que deveria ser evidente, mas em 2009 ainda não é). Há bons livros e maus livros. Um bom livro é o que nos faz experimentar um mundo novo. Devil Take é uma experiência muito perturbadora. Como observou Patricia Highsmith, todos nós, nalguma altura da vida, conhecemos estes sentimentos , mas damos um passo atrás, e não nos atrevemos a pensar no que teria acontecido se não o fizéssemos; os que conseguirem ler este romance não o esquecerão tão cedo (...)"


"Que o Diabo Leve a Mosca Azul", John Franklin Bardin, Relógio D'Água, 2009 -pvp 12.00 euros. Prefácio de Ana Teresa Pereira, Tradução de Carlos Correia Monteiro de Oliveira e Capa de Carlos César sobre gravura de Peter Maynard.
Débora Figueiredo

3 comentários:

Paula disse...

Parece-me um romance bastante interessante e forte.
Não sei se será o meu género mas fiquei bastante curiosa.
Quando passar numa livraria vou, por certo, pegar nele e dar uma vista de olhos ;)
Obrigado pela partilha!

DriM's.Ateliê disse...

Oi! Vim visitar e gostei muito do seu blog! Ja te linkei lá no meu!
Supr bejito,
da DriM
http://drimsatelie.blogspot.com/

menina limão disse...

bem, tudo na descrição é irresistível, tratarei de o adquirir, monsieur.