sábado, agosto 1

Carta a Bosie


"Caro Bosie, Depois de muito ter esperado em vão, decidi-me a escrever-te, tanto para teu bem como para o meu, pois não gostaria de pensar que passei dois longos anos na prisão sem ter recebido um única linha tua, tão-pouco notícias ou mensagens, a não ser aquelas que me causam dor. (...)"
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Começa assim a longa carta que Oscar Wilde escreveu a Alfred Douglas. A carta foi escrita na prisão de Reading, onde cumpria pena por "ultraje aos costumes" e nunca chegou a ser enviada porque não lhe foi permitido. Quando terminou a pena, Oscar Wilde entregou o manuscrito ao seu amigo jornalista Robert Ross e aqui começa a segunda parte da história desta carta. "(...)Segundo o próprio Ross, este teria então mandado a Douglas, não o manuscrito original, conforme as instruções de Wilde, mas uma das cópias passadas à máquina, o que Douglas sempre negou ter recebido. Em 1905 , Ross publicou extractos que correspondiam a menos de metade da carta, sob o título De Profundis, e uma versão um pouco maior apareceu na Collected Edition de 1908. Em 1908, Ross ofereceu o manuscrito original ao Museu Britânico, com a condição de que o seu acesso não fosse facultado a pessoa alguma dentro dos próximos cinquenta anos. A segunda cópia feita à máquina em poder de Ross, e eventualmente deixada em testamento a Vyvyan Holand, forneceu o texto para a «primeira versão completa e exacta» que Sr. Holland publicou, de novo sob o título De Profundis, em 1949. Evidentemente que todos acreditaram que a cópia feita à máquina e o manuscrito eram idênticos e que esta edição era, na verdade, completa e exacta. Mas na realidade não era nem uma nem outra coisa. Continha várias centenas de erros (...). *
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Podemos agora, ler uma tradução da versão integral e correcta que foi publicada em 1962, no volume epistolar "The Letters of Oscar Wilde"com a publicação do livro "Carta a Bosie" de Oscar Wilde, edição Vega, e comovermo-nos com esta carta a que Albert Camus se referiu como "um dos mais belos livros que nasceram do sofrimento de um homem.".**
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*Da nota introdutória de Rupert Hart-Davis.
**Da contracapa do livro.




"Carta a Bosie" de Oscar Wilde, Edição Vega 2009, Tradução de Maria Célia Coutinho, pvp - 12.60 euros.

Débora Figueiredo

Um comentário:

Anônimo disse...

bosie casou-se, morreu velho, um homem gordo,sem brilho, nunca mais se referiu a oscar wilde, nem á sua grandeza,nem ao facto de ter sido intimo de um dos maiores génios da literatura... um fim vulgar, para um homem que afinal sempre foi vulgar...até nos seus afectos