quinta-feira, agosto 20

Os livros são objectos venerados


Os livros são objectos venerados. Porquê? Porque se lê pouco e porque muito pouca gente lê. E aquilo que é feito por uma pequena “elite” tende a ser desejado ou copiado. Infelizmente, não tanto quanto se desejaria. Mesmo aqueles que não lêem, por uma razão ou outra, têm a noção de que é importante ler. Imaginemos que vai mudar de casa e começa a juntar tralha para deitar fora: jornais, revistas velhas, bijutarias, etc. Não faz isso aos livros, pois não? Os livros colocam-se direitinhos numa caixa e levam-se para a casa nova. Nem mesmo um livreiro – que, na maior parte das vezes, vê o livro apenas como uma mercadoria – é capaz de deitar livros fora. Ele sabe que a partir do momento em que o lê, o livro deixa de ser só uma mercadoria. Não se deve destruir livros, destruir um livro é quase como assassinar, silenciar alguém que está lá dentro e que quer falar connosco, para nos contar uma história (a sua ou de outro), amores, desamores, aventuras, inventos, ideias, horrores que devemos denunciar, transmitir e recordar. Foi por isso que na história da humanidade, por diversas vezes e nos momentos mais conturbados, se destruíram bibliotecas inteiras. «As ideias perigosas não vêm de muitos livros, mas de um só.» Li esta frase escrita por alguém num livro guardado algures.
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Jaime Bulhosa

2 comentários:

Mafalda Branco disse...

Olá Jaime!
Gostei muito deste post. Sem dúvida que um livro não se "assassina", pelo contrário, ama-se e cuida-se como se fosse um tesouro, mas vivo, sempre.
Bem-haja!
Mafalda Branco

menina limão disse...

Conheci recentemente alguns casos de amigos que veneram livros como nós, mas que são capazes de os dar depois de os ler. Juro que não entendo, mas não levanto ondas quando mos dão a mim.