terça-feira, agosto 4

Preguiça


Vim de férias e, naturalmente, a imaginação para escrever no blogue não abunda, pois é inversamente proporcional à preguiça. À imagem do que acontece com os grandes escritores (embora não esteja a tecer comparações), também eu precisava de um pequeno incentivo para escrever este post, podia ser um cigarrinho. É sabido que muitos escritores recorriam a pequenas ajudas para estimular a inspiração. Por exemplo: Balzac bebia cerca de 40 chávenas de café por dia e, quando não trabalhava, mastigava grãos de café (o duplo expresso e o Benzendrine não tinham sido ainda inventados). Jack Kerouac inalava benzedrine ou ingeria os seus ingredientes activos. Robert Southey, para escrever e traduzir, inspirava óxido nitroso (gás hilariante) e não percebeu porque é que se riu tanto enquanto traduzia a História das Guerras Peninsulares. Como afirmou mais tarde: «tenho a certeza de que no paraíso o ar é como este maravilhoso gás, uma autêntica viagem (trip, no original) da felicidade.» Aldous Huxley, ao que parece, não inventou a droga «soma» no seu livro Admirável Mundo Novo – a droga de facto existe; se ele a tomava ou não, não sabemos. William S. Burroughs, como o próprio comentou no filme Drugstore Cowboy, tinha no dilaudid (um derivado da morfina) a sua droga de eleição, sendo o supositório rectal a forma de ingestão preferida do escritor (a agulha, segundo Bourroughs, não era essencial).
Eu poderia continuar a nomear escritores famosos e a falar da sua relação com o álcool, as mulheres ou as ervas ilícitas, arriscando a que esta lista se tornasse infinita. Mas acho que já perceberam a ideia...
Jaime Bulhosa

Um comentário:

Ricardo Cabaça disse...

Parabéns pelos prémios e por este texto!