quinta-feira, setembro 10

Uma ideia optimista

OS SERES HUMANOS SÃO DIFERENTES DAS SUAS ESPÉCIES ANTEPASSADAS

Agora que nos afastámos do nosso caminho as falsas noções de “Deus”, enfrentamos a questão da qual ele nos protegia: Se os seres humanos não são a “espécie escolhida”, seremos pelo menos capazes de transcender a natureza da qual emergimos?
A nossa inclinação mais natural deveria ser a de nos matarmos uns aos outros de uma forma ou de outra. Desde o plâncton até aos paquidermes, o mito da natureza como uma colaboração sustentável e afectuosa é tão absurdo como o mito de um Criador.
A menos que nos revelemos diferentes de todas as outras espécies, continuaremos a competir com os outros habitantes do planeta por uma parcela desproporcionada dos seus recursos – e a competir entre nós pelos despojos desta guerra em curso. É assim a vida.
Acredito que os seres humanos podem ser diferentes das espécies antepassadas e as infindáveis comparações entre o comportamento humano e o comportamento das outras espécies são, em última análise, enganadoras. E espero que o facto de as colónias de esponjas fazerem guerras intermináveis com as colónias de outra cor não signifique que os humanos estejam condenados a fazer o mesmo.
Estou optimista porque acredito que, tendo-se libertado do mito do significado intrínseco, os seres humanos conseguirão alcançar a capacidade de gerar sentido, e que esta capacidade única nos dê a oportunidade de desobedecermos às ordens da biologia.

Douglas Rushkoff, analista de media, guionista de documentários e autor de Get Back in the Box: Innovation fom the Inside Out.
Ideias Optimistas, Coordenação John Brockman uma edição tinta-da-china

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