sexta-feira, outubro 16

Os novos livreiros


O grupo Leya escolheu as estações de Sete Rios e de Santa Apolónia, em Lisboa, para instalar as suas primeiras máquinas de venda automática de livros da colecção BIS. Fomos saber como se têm comportado estes novos livreiros.

- Por favor, podia dizer-me se a tradução de A Morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstoy, é feita directamente da língua russa?

- Reeenheeec, reeenheeeec, … Por favor, introduza as moedas ou as notas.

- É a 1.ª edição?

- Reeenheeec, reeenheeeec, … Por favor, introduza as moedas ou as notas.

- Já leu? E gostou?

- Reeenheeec, reeenheeeec, … Por favor, introduza as moedas ou as notas.

- O livro é para oferta, podia embrulhar-mo?

- Reeenheeec, reeenheeeec, … Por favor, introduza as moedas ou as notas.

- Se a pessoa a quem eu vou oferecer o livro já tiver, posso trocar?

- Reeenheeec, reeenheeeec, … Por favor, introduza as moedas ou as notas.

-Ah, não responde! Então, queria o livro de reclamações, por favor.

- Reeenheeec, reeenheeeec, … Por favor, introduza as moedas ou as notas.


Nota: Agora sem brincadeiras, até acho uma ideia engraçada.

Jaime Bulhosa

5 comentários:

Anônimo disse...

Genial, mas que genial. Isto diz tudo. Tão tudo. Esta vossa ideia genial deveria existir em placards espalhados por todas as cidades do mundo. Não é necessário, contudo, pois gastar-se-ia muito dinheiro. Os Homens, ao contrário do que se julga, procuram cada vez mais a verdade dos livros que existe em livrarias como a vossa. Não em máquinas.

G-Souto disse...

Pois eu acho uma excelente ideia!
Os livros, esse bem 'precioso' ao alcance de todos, em qualquer lugar, a qualquer hora, sem preconceitos de 'intelectualite'.

Talvez que assim os portugueses passem a ler nos transportes públicos!

Ainda bem que acha graça à ideia! De outro modo, teria que o 'ver' como um livreiro 'fora do tempo'! o que não vem sendo o caso!

Rui Maldonado disse...

Não posso deixar de concordar que é algo impessoal e marcadamente virado para literatura de massas, mas mesmo assim não sou nada contra.
Pelo menos sempre poderá criar hábitos de leitura e se tiver sucesso, tornar-se em mais um canal de escoamento de obras literárias.

Menina Limão disse...

Vi pela primeira vez estas máquinas no metro de Barcelona, adorei, mesmo ao lado da máquina dos chocolatinhos. Estava lá o Saramago. Na dos livros, claro, para a outra já não servia.

Anônimo disse...

Seve disse...

Eu e um amigo sentados no comboio reparámos que só eu, ele e mais duas senhoras líamos, oh Luís mas já viste o que as senhoras estão a ler-a MARIA e a GENTE, que interessa Seve, é preciso é ler....

Seve