sábado, outubro 10

Que saudades do tempo em que um livro não era um artigo


- Está sim… é do serviço de apoio ao cliente da ****?
- É sim.
- Estou a ligar-vos porque tenho uma dúvida acerca do preço de um livro que acabei de receber.
- Qual o número de cliente?
- É o ****.
- Só um momento… Qual é número da factura?
- É o ****.
- Só um momento… Qual é o artigo?
- O título do livro é ****.
- Não! Diga-me antes o número do artigo?
-O Isbn do livro?
-Sim.
- É o ***.
- Só mais um momento… O artigo em causa é o último da factura?
- É sim.
- Diga-me então, por favor, o que é que se passa de errado com este artigo?
- Com o livro, quer você dizer?...
- Sim… com o artigo!
- Bem, passemos adiante… O que se passa é que acabo de receber um livro que está facturado com o preço de 4.75 euros, o que me parece uma impossibilidade, tendo em conta que é uma novidade, 1.ª edição e ainda para mais tratando-se de uma tradução.
Evidentemente do outro lado os termos: “novidade”, “1.ª edição” e “tradução” não têm qualquer significado.
- Não estou a perceber qual o problema com este artigo, não é esse o preço que está na factura?
- Sim!?...
- Então qual é o problema?
- O problema é exactamente esse… Fui confirmar o preço do livro e verifiquei que existe um engano, da vossa parte, a nosso favor. O preço correcto do livro é de 13 euros.
- Ah!... Como é que sabe o preço deste artigo?
Obviamente estamos a falar com um(a) funcionário(a) de telemarketing que para além de não estar familiarizado(a) com a linguagem dos seus clientes, nunca ouviu falar na Internet.
- Fui ver na Internet.
- Talvez seja melhor eu verificar?
- Se calhar é melhor.

Até hoje a factura não foi corrigida, fazendo com que a honestidade da minha colega não tenha servido para nada. Felizmente desta vez quem ganhou fomos nós.

Nota: Não divulgo o nome do(a) funcionário(a), porque não me parece ser o(a) principal culpado(a), nem o nome da empresa por razões óbvias.
-
Jaime Bulhosa

4 comentários:

jaa disse...

Não é "um livro", meu caro. Tantos códigos deixaram bem evidente que o livro é um artigo definido.

Paula disse...

É triste!

Moura Aveirense disse...

:) acho que já sei qual é a empresa ;) já tive experiências semelhantes, parece que vender pipocas ou livros é a mesma coisa, dá-me uns nervos!

João Ventura disse...

Esse tempo era o mesmo em que alguém fazia parte do "pessoal" e não dos "recursos humanos"...