quinta-feira, novembro 12

Papel a Mais


Na sua génese, Papel a Mais estava pensado para ser um livro de poesia, reunindo alguma da produção poética de Resendes Ventura de 1993 até 1998, completando-se com o conjunto «3 Rédea-soltas». Com o adiamento da publicação, sentiu o autor necessidade de se explicar num texto introdutório, «Papeis de um Livreiro – uma Introdução a Papel a Mais», onde, entre elementos biográficos de carácter mais pessoal, R.V. vai discorrendo sobre a sua condição de livreiro desde 1969, num país de grande atraso cultural e fracos índices de leitura, onde tem sido difícil implementar elementos reguladores que permitam um acesso eficaz de todos à leitura.
As reflexões sobre a problemática do livro e da leitura continuam em «Post--Scriptum Redundante a Papel a Mais», no texto «Elogio da Redundância», escrito já em 2009, pouco antes de se iniciar a publicação da obra.
Papel a Mais é claramente um livro de afectos, afectos manifestados de diversas formas. Neste sentido tem especial destaque uma parte do livro designada por «Escrita Amiga»: surgindo entre o núcleo principal da obra e o «Post-Sriptum Redundante», encontramos um conjunto assinalável de textos inéditos de escritores relevantes, amigos do autor. São eles Armando Côrtes-Rodrigues, Avelino de Sousa, Eduíno de Jesus, Fausto Lopo de Carvalho, Luísa Ducla Soares, Maria Alberta Menéres, Maria de Lourdes Belchior, Matilde Rosa Araújo, Onésimo Teotónio Almeida, Sebastião da Gama, Silva Duarte, Urbano Bettencourt, Urbano Tavares Rodrigues e Teresa Rita Lopes. José Ruy colabora com uma ilustração.
Cada parte do livro separa-se da seguinte através de um desenho da autoria de Resendes Ventura, daqueles que o autor vai deixando espalhados nas páginas dos diversos cadernos que sempre o acompanham, criados entre 2002 e 2008, a fase mais produtiva dos seus «traços a tinta negra».
Conhecedor profundo dos meandros do livro, já que em 2009 completa quarenta anos de actividade livreira, reflectindo, muitas vezes publicamente, sobre as questões do livro em Portugal nas suas diversas dimensões, o autor dá, assim, um precioso contributo para o estudo deste sector, dando a ver/ler a posição e a voz do livreiro, esse agente cultural importantíssimo e, infelizmente entre nós, quase sempre ignorado e votado ao ostracismo pelo poder, pelas instituições e seus decisores.
Papel a Mais é, pois, um livro a ser lido por aqueles que gostam de poesia, mas, acima de tudo, deve ser lido por todos os agentes culturais e institucionais que se movem no meio do livro e da leitura e desejam fazer sobre ela uma reflexão séria: decisores do poder central e local, livreiros, bibliotecários, jornalistas culturais e críticos literários, editores e distribuidores livreiros, investigadores do livro e da leitura, promotores, animadores e mediadores de leitura, professores e educadores, enfim, todos os que se interessam pelo livro, procurando que o número de leitores seja algo em permanente crescimento.
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Edição: Esfera do Caos
Autor: Resendes Ventura

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito boa tarde,

Gostaria de saber se me conseguiriam dizer o poema "Amor Cego" que se encontra no livro?

É que falaram-me dele e estou a tentar encontrar na Internet e nada.

Obrigada