sexta-feira, janeiro 31

Vanity Press



Todos nós sabemos que a Internet, para além das muitas vantagens, traz consigo algumas desvantagens, como a de potenciar crimes e burlas. Na Internet o que não falta são blogues (páginas e Facebook), dos mais diversos assuntos e gostos, mas todos com uma coisa em comum: são escritos por pessoas, as quais podem ser enganadas. Existe um grande número de blogues pessoais que traduzem sobretudo o gosto pela escrita, desde a poesia, os aforismos, pensamentos, contos, etc. A maior parte dos autores dos blogues nesta área terá no seu íntimo, nem que seja secretamente, o desejo de um dia vir a ser escritor, editado e reconhecido. Independentemente de se ter noção da qualidade daquilo que se escreve, quem é que resiste à tentação de responder a um e-mail que elogia a nossa escrita e nos pergunta: «Por acaso nunca pensou em editar em livro os seus magníficos textos?», ou «Quer editar o seu livro?», «Quer editar os seus poemas?», «Quer editar os seus contos ou romance?»
O que aqui denuncio não sei se pode ser considerado crime, mas é no mínimo desonesto. Não posso revelar os nomes das pseudo-editoras, porque apenas disponho do testemunho de pessoas que vêm à livraria perguntar pelo seu livro. A resposta é invariavelmente a mesma: nunca recebemos esse livro nem sequer temos conhecimento da sua existência. Desiludidas por raramente encontrarem o seu livro numa livraria, estas pessoas acabam por desabafar e contar-nos como se sentem enganadas. O truque consiste no seguinte: as pseudo-editoras, aproveitando-se do desejo, natural, de quem gosta de escrever e tem um blogue ou uma página de Facebbok, envia um e-mail elogiando a escrita do autor e propondo-se a ajudá-lo a editar os seus «esplêndidos» textos. Em troca, com o argumento de que ele ainda é um ilustre desconhecido, pedem-lhe uma comparticipação nos custos da edição e distribuição. Os valores em causa não são grandes, na ordem dos 200 ou 250 euros. Se tiver em conta que poderá ver, no futuro, o seu livro editado e distribuído por todo o país, estes valores parecem ainda mais insignificantes. Não resistindo ao apelo, muito boa gente entra no negócio e só mais tarde se apercebe de que pagou esse valor por 20 exemplares, a que necessariamente tem direito como autor. Compra-se um serviço que oferece livros impressos digitalmente, com miseráveis revisões, péssimo papel e capas horrorosas que valem bastante menos do que o dinheiro que o autor adianta. Para além disto, o contrato que estas pessoas assinam não lhes concede direitos de autor, a não ser que exista no futuro uma segunda edição, coisa que nunca sucede, pois é raro as livrarias receberem sequer estes livros. Não sabemos se de facto se editam mais exemplares e se é feita uma posterior distribuição da mesma pelo mercado. Os seus autores não têm nenhum tipo de controlo neste tipo de edição, na maior parte das vezes feito totalmente por e-mail, não havendo nunca um contacto directo e presencial com os pseudo-editores. Fica aqui o alerta.

Jaime Bulhosa

Nota: este texto foi escrito em 2009, mas está mais actual que nunca.

22 comentários:

Mind Booster Noori disse...

Infelizmente isso é muito típico na área da música... não me surpreende que se faça o mesmo no campo da literatura :-(

David R. disse...

Essa situação é algo que está magistralmente ilustrada no "Péndulo de Foucault"

:)

Luís R. disse...

Parabéns pelo post. De facto, urge denunciar as práticas duvidosas, para não dizer ilegítimas, destes negócios, mas infelizmente a imprensa e blogosfera literárias não têm abordado a questão como deviam, por receio, indiferença ou ignorância (ignorância por demais patente quando confundem, por exemplo, a tecnologia POD com o modelo de negócio do vanity publishing). Enquanto isso, vão proliferando estas editoras da treta sem haver quem corte o mal pela raíz, informando e educando a sua potencial clientela sobre o que esperar caso opte por esta via à primeira vista "mais fácil".

Não termino sem deixar um link para o sempre útil "Writers Beware", um excelente guia de sobrevivência no que toca a estas e outras armadilhas:

http://www.sfwa.org/for-authors/writer-beware/

Safaa disse...

Muito bom post! Fico contente por os próprios livreiros denunciarem a situação destas "pseudo-editoras" que têm proliferado assustadoramente nos últimos anos, graças a Internet e facilidades de impressão digital.

Tenho desenvolvido uma certa cruzada contra essas pseudo-editoras,e ainda recentemente encontrei mais um exemplo péssimo vindo do Norte (não sei bem porquê, mas a maioria destas empresas estão sediadas no Norte) em que se promovia um concurso de conto e poesia com direito a publicação numa "antologia de talentos". Ora foram seleccionados 80 (!!) autores que foram encafuados numa edição péssima, sem revisão, sem paginação digna desse nome. Preço final: 20 euros. Os autores não tinham direito a um exemplar grátis. O pagamento dos direitos equivalia apenas a um desconto de 20% com prazo de validade de 1 mês... É inacreditável a desfaçatez! E a pseudo-editora promoveu uma festinha de lançamento em que à custa de venda de exemplares a autores não só pagaram os eventuais gastos que tenham tido, como ainda meteram €€ no bolso. E quando se pergunta onde anda essa antologia à venda, ninguém sabe responder...


E há muitos outros casos. Dói-me ver pessoas que não têm noção de como o mercado de edição funciona a serem completamente roubadas por esses esquemas gananciosos e desonestos. Se algumas não passam dos 250 a 300 euros outras há as que têm assumido uma fachada bem mais sofisticada e cobram valores na ordem dos 1000 euros para cima.

Não ajuda o facto de as vantagens do sistema POD estarem constantemente a serem enfiadas no mesmo saco dessas empresas que recorrem a esse tipo de impressão. Uma coisa é o sistema que é bom, outra coisa é o aproveitamento desonesto que se faz desse sistema.

Isto tem muito que se lhe diga, mas é urgente lançar o alerta aos leitores e aspirantes a escritores incautos. No estrangeiro, o trabalho de vanity-presses já foi mais do que denunciado, mas em Portugal ainda há muito a fazer.

Safaa Dib

josé luís disse...

concordo plenamente com tudo o que foi dito - devia haver realmente uma fiscalização eficiente sobre isto... que é um conto-do-vigário como qualquer outro.

resta uma questão:
e se os editores, os verdadeiros e honestos, pensassem em serem eles a "oferecer" este serviço, aos preços reais? não haveria aspirantes a escritores interessados?

nd disse...

Coisa antiga. Por caso até existe, pelo menos, uma editora aí de Lisboa que tem edições paralelas, as do vigésimo premiado e as das outras. Refiro a daí porque não sou do Norte, nem do Sul, nem do Centro, e porque me parece ter sido a pioneira a fazer da promessa de génio o conto do vigário. Também as falidas Quasi tinham uma, embora mais encapotada que aquela outra. Uma vigarice confrangedora. Pelo vigarista e pelo vigarizado.

Anônimo disse...

Obrigada por este post.

(A Pó dos Livros é um encanto! Dei com ela por acaso esta semana e hei-de voltar muitas vezes.)

andreia am

Anônimo disse...

Para mim o único e eventual problema é se a editora vende ilusões (por exemplo prometer distribuição massiva ou publicitação).

Não o acontecendo, qual o problema de se fazer uma "edição de autor" mesmo que com outro nome?
Desde que o autor esteja consciente dessa situação, não vejo qualquer problema.

É que quem escreve tem, ou deve ter, a noção de que não é para ganhar dinheiro que se publica um primeiro ou mesmo um segundo livro.

O problema é que existem autores que se acreditam "Pessoa" e pensam que vão enriquecer.
E não falo dos inocentes (que será uma franja muito marginal).
Falo de pseudo-autores que se acham mais do que são.
Para mim esse é que é o problema, imodéstia.
Depois, mesmo que o livro seja fraco, é fácil atirar as culpas para o vil editor que foi aquele que lhe abriu a porta e concretizou o sonho.

A edição de autor sempre existiu.
Grandes autores começaram assim e isso sempre aconteceu, mesmo em Portugal.

Essas editoras (a quem chamam "pseudas") permitem a realização desse sonho a muitos que escrevem.
Porque não podem ter algum lucro (não são mecenas).
Se houver consciência da realidade, acima descrita, 250€ não me parece um preço excessivo para pagar pela realização de um sonho.
Se essas editoras não existissem, onde publicavam os novos autores?
As editoras (distribuidoras - essas sim as grandes negociantes de livros) não dão oportunidades a novos autores (quando muito permitem edições de autor de tiragem muito limitada a um preço exorbitante) e, pelo contrário, distribuem, publicitam e vendem de forma massiva livros de péssima qualidade.
(não são preciso exemplos, pois não?)

E no caso da poesia não se fala.

Esclareço que não sou dono de nenhuma editora :)

Pó dos Livros disse...

Caro anónimo,

Penso que os diversos artigos escritos sobre este assunto são suficientemente explícitos. Se não pensa da mesma forma está no seu direito.

Obrigado

Jaime Bulhosa

Antonia Ruivo disse...

Obrigado pelo alerta, talvez as pessoas passem a ter mais cuidado e não entrem em castelos de espuma,tenho um blogue já fui contactada por algumas editoras das quais nunca ouvi falar nem lhe encontro rastro sem ser num qualquer sitio da net, nunca caí em tentação, acho que um autor por mais que ame o que faz tem que se saber auto avaliar e publicar só por publicar tira toda a virtude que um livro nos pode trazer, talvez um dia publique talvez venha a pagar para o fazer mas só se existir por detrás da minha escrita uma editora credível no mercado e outro ponto do qual não prescindo é eu ao ler-me não sentir que estou a enganar os meus potenciais leitores,acho que esta devia ser a regra de quem escreve auto critica sem grande pavoneio ou vaidade deixar que sejam os outros a avaliar o que escrevemos e ter a noção que metade dos comentários que deixam nos blogues nada mais são que um gesto de amizade ou até mesmo um captar de atenção.

Safaa Dib disse...

Caro Anónimo,

Queria só prestar um esclarecimento relativo aos termos usados.

Edição de autor é um objecto inteiramente diferente e nunca foi posta em causa a sua legitimidade nesta discussão em torno de pseudo-editoras.

Edição de autor é uma edição custeada pelo próprio que recorre a gráficas e/ou serviços de impressão que lhe entregam, com toda a transparência, orçamentos e condições em que o livro é produzido. Graças a serviços como a lulu, tem sido possível a elaboração de edições de autor, até por parte de autores já publicados em editoras tradicionais.O próprio autor responsabiliza-se pela promoção, paginação, design, distribuição, mas com a vantagem de poder imprimir um livro de qualidade a baixo custo, sem necessidade de tiragens.

Hoje em dia, feitas bem as coisas, para se obter um livro já não é preciso depositar dinheiro nas mãos de uma empresa que vai investir esse dinheiro no seu próprio bolso, do que propriamente na qualidade do livro em si.

E já referi num outro texto meu sobre estas pseudo-editoras que, conquanto os aspirantes à publicação tenham conhecimento do tipo de negócio em que se vão comprometer, está no seu perfeito direito dispensarem a quantia que considerarem necessária para a publicação.

Mas o que está aqui em causa, e isso é perfeitamente explícito no texto de Jaime Bulhosa, são as tácticas destas "pseudo-editoras" que induzem o autor em erro ao julgar que o seu livro irá ter distribuição nacional ou que será, por exemplo, publicitado na comunicação social.

E acho pertinente relembrar que publicar um livro não é sinónimo de ser-se escritor. Hoje em dia, mais do que nunca, temos provas de que isso é verdade.

Quanto ao seu comentário sobre as editoras a que denomina de distribuidoras, revela generalizações falaciosas, pelo que mais não direi sobre esse assunto.

Safaa Dib

Anônimo disse...

Caro Saffa Dib,

Reconheço-lhe razão nas generalizações que fiz sobre as grandes editoras (mea culpa).
Mas a dificuldade é mesmo encontrar a excepção.

Curiosamente o meu comentário motivou-se na generaliação que no post inicial se faz das "pseudas editoras".
E, portanto, neste sentido penso também concordará comigo.
Existem, também nesses casos, excepções.

No mais, quanto a tácticas, essas sim falaciosamente conscientes, penso que estamos todos de acordo na sua condenação.

Nas demais discordâncias de opinião, respeito naturalmente as suas.

Grato pela sua atenção.

Anonimo (Filipe)

CatarinaGarcia disse...

O "Mitos da Arte" (http://www.mitosdaarte.com/) é outro, enviaram emails a tudo qnt tinha blogs de arte, independentemente da qualidade do trabalho (aliás, quem criou o livro tem o pior trabalho do livro todo)a pedirem 220 eur para editar uma antologia de pintura com apoios do museu berardo, chiado etc. No final ofereciam um livro a quem pagou para entrar.
Acontece que ficou uma publicação com um design (se é q se pode usar essa palavra) horrível, apesar de terem garantido q era um desginer a fazê-lo (eu perguntei imensas coisas por email à pessoa q estava a fazer o projecto porque uma amiga caiu nisso e ainda o tentei evitar mas ela lá gastou as poupanças dela...).
Ou seja, ela pagou 220 por uma folha com a fotografia dela mais um trabalho num quadrado pequeno em baixo e com letras grandes que mais parece um trabalho da preparatória feito em word. E eu, que vou a imensas livrarias, ainda não o vi em lado nenhum à venda.
Se forem ver o livro, houve mais de 40 pessoas a concorrer, mais os apoios todos para a publicidade (q tb nunca vi). Façam a conta e vejam bem o lucro!!

Tecto de Nuvens disse...

Queria dar os parabéns pela pertinência do post. A questão das pseudo-editoras ou das pseudo-edições on demand, tem sido uma luta diária por parte da nossa editora desde que foi fundada em 2007. É frequente os nossos orçamentos ou as nossas condições serem preteridas em favor de preços mais baixos ou de condições mais favoráveis ("na outra garantem-me que o livro vai ser vendido em todo o país"), que nós sabemos não serem reais e, como tal fraudulentas. O problema é que somos considerados parte interessada e muitas vezes os nossos conselhos de muita prudência não foram considerados. Daí a minha satisfação de ver esta denúncia feita, acho que o mundo editorial só tem em ganhar em denunciar situações menos claras.
E já agora, nós que só fazemos publicações on demand, fazemos orçamentos, assinamos contratos de edição de autor e só mandamos os livros para impressão após os autores terem visto os ficheiros de miolo e capas e terem dado uma permissão por escrito.
A totalidade da edição é pertença do autor.
Não garantimos a ninguém que o livro vai estar à venda nas livrarias, quando solicitado negociamos com as livrarias pretendidas, mas muitas vezes não há sequer, por parte dos livreiros, disponibilidade para analisarem os exemplares - e temos obras com muita qualidade e autores que, por meios próprios, conseguem em 2 ou 3 meses vender 2000 a 3000 exemplares.
Se algum potencial autor estiver a ler isto, fica a informação: é possível realizar o seu sonho de publicar, de ter um livro com qualidade e a um preço acessível, mas há o preço a pagar tem de ser realista, o contrato deve existir e devem ter oportunidade o analisar, e se pagam a edição os livros são vossos. Avncem para as edições de autor mas sejam prudentes nas vossas escolhas.

Teresa Cunha, editora

bonecadetrapos disse...

Concordo na generalidade do que diz sobre "Pseudo-editoras". Em tempos, antes de ser "bonecadetrapos" editei.
E vivi o que por aqui se diz. Os meus livros são "invisíveis" já que não aparecem em lado algum.
Enquanto Boneca não terei esse problema: as bonecas não publicam a não ser em espaços virtuais, até ao dia em que, optem por voltar ao baú de onde, provavelmente, nem deveriam ter saído.

Saudações com estima. Pó dos Livros é casa de letras. Na qualidade e no rigor que se impõem, na ética com que se posicionam.

*___bonecadetrapos___*

Anônimo disse...

Li este post com atenção , e devo dizer que tenho um blogue de poesia e nunca fui contactado por nenhuma editora no sentido de vir a publicar . Escrevo muito e nem tudo o que publico é fruto do acaso , dá-me trabalho , não escrevo sob inspiração , mas sob transpiração . Grande parte da poesia publicada na blogoesfera não é boa , segundo os meus critérios , do desabafo ao intimismo estereotipado há de tudo .
As sociedades contemporâneas criaram a ilusão de que se pode ser o que se quer , e de facto não é assim , nem toda gente pode ser bailarino , cantor ou escritor, escrever implica recursos culturais , e muita gente que p anda pela blogoesfera não os tem .
Sou autor publicado com uma tiragem de 500 livros , vendi o que me competia no lançamento , a editora onde publiquei é uma editora nascente , sabe que não contará comigo para vender mais um livro que seja , tem de fazer o seutrabalho , que aliás é consignado num contrato . No entanto , sinto um desconforto por estar no meio de gente cujo trabalho é discutível e duvidoso , o que me faz pensar que existe ali uma ausência de critérios , o que é um critério , sem dúvida ! Mas , as editoras de poesia , também fabricam os seus autores , e os dão ao conhecimento . As pequenas editoras nem chegam aos jornais .
Creio , no entanto , que não somos um país de poetas mas de poetrastos.
~atenciosamente
_____ L Rodrigues

pedro teixeira neves disse...

Caro Jaime,
Tem razão naquilo que aponta a essas pseudo-editoras, mas razão parcial tão-somente porque de forma parcial aborda o problema. Problema, refira-se, que me parece muito mais grave quando a prática que denuncia é levada a cabo por aquilo a que poderíamos chamar «verdadeiras editoras», por oposição às suprecitadas. Ora, o Jaime saberá também como eu, ou qualquer pessoa que trabalhe/ frequente o mundo literário, que há muito isso acontece. Basta recordar a por vezes polémica Hugin. Gostava, de resto, de ouvir a sua opinião a este respeito. Editar a todo o custo, nesses termos que referiu, justifica-se se tiver como fim a sobrevivência, digamos assim, de uma chancela-mãe, esta sim, verdadeiramente empenhada na publicação de literatura com qualidade (enfim, com toda a subjectividade do conceito...) Conhecerá por certo a história de uma editora de poesia que trilhou esse amargo caminho! Abraço, pedrotneves

Leonardo Cordeiro disse...

http://iniciodosmeuscontos.blogspot.pt/
Me segue ?

Emília disse...

Caro Jaime,

Foi bom ler este seu post, real e actual.
A minha filha editou , aos 27 anos, o seu 1º livro com a Chiado Editora, tendo tudo sido tratado por e-mail até ao dia da apresentação do livro em Lisboa. Nesse dia houve uma curta reunião com o editor da altura, num café (!).O contrato de edição foi feito e assinado e propunha a edição de 500 exemplares, PVP de 12€. Desses, o autor deveria adquirir e pagar previamente 120, portanto a minha filha transferiu para a editora 1.440€ ainda antes de ver o livro sair da tipografia(!)
Cinco anos depois terminou a cessão de direitos do autor ao editor e, nessa altura,procurámos saber se poderiamos fazer a aquisição dos exemplares sobrantes, para não ficarem ao pó no armazém, uma vez que o editor só pagou direitos autorais de 177 livros vendidos, segundo relatórios de vendas, enviados por e-mail. Pelas nossas contas, 177 vendidos+120 aquiridos pelo autor antecipadamente, totalizam 297. Deveriam sobrar 203 exemplares não vendidos.A direcção comercial da Chiado Editora, depois de uma troca de e-mails, propõe a venda dos exemplares sobrantes a 6€ e diz que são 283 (!). Quando estavamos quase a efectivar o pagamento por transferência, diz-nos (sempre por e-mail)outro signatário do departamento comercial ,que os livros estão deteriorados, em muito mau estado, por vicissitudes ocorridas no armazém durante o processo de alterações na editora, não estando em condições de nos serem enviados.
Propõem, como compensação, fazer uma 2ª edição (!!)
Do proffionalismo da Chiado Editora tenho uma longa colecção de dúvidas...
Agradeço a atenção.
MEmília Homem da Costa

Anônimo disse...

Seria tão mas tão útil desenvolver, com exemplos concretos, este asslato à bolsa dos "autores".

Jorge Pinto Guedes disse...

Boa noite,
Felizmente nem todas as editoras da chamada nova geração, ou da era da impressão digital, são assim e é conveniente clafificar as coisas.
Existem editoras, como a Mindaffair,cujo escaparate digital é o www.almalusa.org, da qual sou director geral, que publicam edições de autor sem qualquer custo - em nenhuma ocasião - para o autor (excepto provas impressas, o que é normal). Efectivamente o recurso à impressão digital e ao print on demand, a par com uma gestão muito racional dos nossos recursos permite-nos utilizar este método com um assinalável sucesso, tendo já mais de 20 edições de autor publicadas em pouco mais de 8 meses (sem contar com as que estão para trás).
Atentamente,
Jorge Pinto Guedes

Anônimo disse...

Da editora chiado só tenho tristezas. Pena que não li este post antes.
E NUNCA atendem ao telefone!