sexta-feira, dezembro 18

Às vezes o silêncio é o melhor comentário


- Queria oferecer um livro a uma senhora, porém ela lê José Saramago.
O livreiro questiona-se sobre a adversativa e um pouca a medo, pergunta:
- Será que a senhora já leu o último livro de José Saramago, o Caim?
- Por amor de Deus! Ela lê Saramago, mas não chega a tanto...
- Pois, foi uma má ideia. Talvez me possa ajudar um pouco mais e dizer-me outros autores que a senhora goste de ler?
- Não sei, não tenho a certeza… O filho falou-me num escritor japonês, um tal Murakami.
- Sim, Huraki Murakami, excelente escolha, temos vários títulos à sua disposição...
- Mas tem a certeza de que é bom?
- Garanto! li alguns e adorei. A crítica diz muitíssimo bem.
- Não sei, não estou segura… É que a senhora lê Saramago.
- Pode ficar descansada.
- Se o senhor garante!?... Não sei se você percebe, a senhora é licenciada e professora universitária?
- Percebo! Posso sugerir-lhe outros nomes importantes, como Roberto Bolaño, William Faulkner, Philip Roth…
- Não sei?… O que é que acha se eu lhe oferecer o último livro da Margarida Rebelo Pinto?

10 comentários:

No vazio da onda disse...

[ silêncio ]

SCP disse...

Adorei. E estas coisas acontecem MESMO!

Maria disse...

Tem tudo a ver... naturalmente!

:)))

Moura Aveirense disse...

Credo... é preciso ter uma paciência para certos comentários... A variedade é de louvar, mas comparar a escolha Saramago ou Murakami com Margarida Rebelo Pinto...

fallorca disse...

Quem anda à chuva, molha-se, Jaime :)

Margarida Graça disse...

Pois... coclusão: o leitor tem todos os direitos, incluindo o de: ler o que lhe aprouver! E o crítico o dever de ler para criticar!
Eu... nunca li nada da escritora MRP!

Carlos. Branco. disse...

Isso já aconteceu varias vezes comigo, chegar em uma livraria e ficar discutindo que livro levar, se devo ou não devo experimentar novos autores, maior erro é não levar na minha opinião.

http://opoestadeplutao.blogspot.com/

Moika disse...

LOOOOOL

Impagável...

nd disse...

E para diante ainda há-de ser pior. Há anos, e não apenas desde
a última ministra, está em andamento o programa do Governo, através do M.E. COMO FAZER DE 100% DE UM POVO 99% DE CLONES ILITERATOS, ou seja, desses já não se diz carne para canhão, diz-se carne para globalização. Se hoje há gente que nunca viu uma galinha, com alguma boa-vontade amanhã só conhecerão Camões das tabuletas toponímicas, sem saberem sequer quem foi. De resto, está a promover-se uma "literatura" adequada a tal futuro. Sem dúvida, que o programa acima está a ter êxito.

tonsdeazul disse...

:) Não esperava nada por este final!!! Genial!