segunda-feira, dezembro 14

Casa da Misericórdia

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ETIMOLOGIAS
É a minha debilidade que te vence,
a essência mais pura do martírio.
Ao conhecermo-nos éramos tão jovens,
mas já te abri esta ferida:
uma porta por onde tu cada vez
vais mais longe e, então, voltas mais tarde.
Amor vem de um impulso,
de forçar e torturar. De cavalgar.
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O VENDEDOR DE ROSAS
Solitário e furtivo, o homem do ramo
anda por locais nocturnos à procura de casais.
Encontrei-o nas ruas ao pé da Rambla
com umas rosas sem cheiro a rosas
numa noite que não tem cheiro a noite.
E perdi-me pelas traseiras da vida.
Uma mulher na sombra que não és tu
roubou-te os olhos e chora. A cidade
é uma exacta e monstruosa cópia.
Como se o Cúpido já estivesse velho,
passa cuspindo o vendedor de rosas.
Enquanto se afasta penso: ao teu amor
não lhe perdoes nada. Nem o seu final.
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Título: Casa da Misericórdia
Autor: Joan Margarit
Tradução: Rita custódio e Alex Terradellas
Edição: Ovni, 2009
ISBN: 9789898026071
PVP: 13.70€

Um comentário:

Solange Moreira Diaz disse...

Belissimo poema. Muito mais lindo na lingua portuguesa!