segunda-feira, dezembro 7

Os Corvos


«Durante anos, em visitas que se repetiam por dias fixos, entravam na livraria duas mulheres, uma paralítica e outra cega. A primeira era conduzida, na sua cadeira de rodas, pela cega.

Queriam ver um livro de reproduções de Van Gogh. Enquanto passava as folhas do livro a paralítica dizia:

- Aqui há um grande campo de trigo com espigas douradas, enquanto uns corvos sobrevoam como negros presságios.

- Que maravilha! Dizia a cega.

Não tenho dúvidas que as duas viam o quadro. Eram mulheres cultas, sensíveis, simpáticas e alegres.»


Héctor Yánovar livreiro e poeta argentino.

Um comentário:

Anônimo disse...

E o que será que pressagiariam (oh palavrinha dificil) os negros corvos??
CBorges