quarta-feira, julho 29

pouca inspiração e um bom conselho


Desde manhã a pensar num post para o blogue, a inspiração não veio e a uma hora do fecho da Pó dos livros rendi-me às evidências. Escolhe um livro que gostes de ler naqueles momentos em que a livraria está sossegada, copia o texto da contracapa, coloca as referências devidas (título, autor, tradução, editora, ano de publicação), junta uma imagem da capa e por hoje é tudo. Apenas uma ressalva, o livro não foi escolhido "ao calhas" vale mesmo a pena lê-lo.

Grandes Momentos da História da Humanidade - Catorze Miniaturas, de Stefan Zweig, Tradução de Fernando Ribeiro, Edição Esfera dos Livros 2009 - pvp 22.00 euros.


Da contracapa - "(...) Stefan Zweig dá-nos a conhecer 14 momentos fundamentais que marcaram a História da Humanidade, resgatando-os do esquecimento. Momentos fatais que, pela sua singularidade e raridade, determinaram o curso da História.
O autor descreve a descoberta do Oceano Pacífico; a conquista de Bizâncio; a «ressurreição» de Händel em 1741; a composição da Marselhesa por um génio esquecido; Napoleão e Wellington em Waterloo; a criação da elegia de Mareinbad de Goethe; a descoberta de Eldorado; o indulto de Dostoievski, momentos antes da sua execução; a instalação do cabo telegráfico entre Inglaterra e França; A Fuga Para Deus, uma peça em três actos com Tolstoi; a conquista do Pólo Sul; a viagem de Lenine para a Rússia em 1917".

Débora Figueiredo

terça-feira, julho 28

Onde se fala de...bordados

Título: Emborderies
Autor: Marjane Satrapi
Edição: Pantheon Books
ISBN: 9780375423055
PVP: 16.95€

Da autora de Persepolis chega-nos este olhar divertido e elucidativo sobre a vida sexual das mulheres iranianas. Em Emborderies, Marjane Satrapi reúne para uma tarde de chá e conversas a sua avó sem-papas-na-língua , a sua estóica mãe, e a sua glamorosa e excêntrica tia com as amigas e vizinhas. Naturalmente, o assunto encaminha-se para o amor, o sexo e os caprichos dos homens.
Ao longo da tarde, estas mulheres vibrantes partilham os seus segredos, as suas mágoas a as suas frequentemente ultrajantes histórias sobre, entre outras coisas, como fingir a virgindade, como escapar a um casamento combinado, como aproveitar os milagres da cirúrgia plástica e como disfrutar de ser uma amante. Simultaneamente hilariantes e reveladoras estas são histórias sobre até onde as mulhres estão dispostas [ou são compelidas] a ir para encontrar um homem, manter um homem ou, mais importante que tudo, manter as aparências.
Cheia de surpresas, esta incursão nas vidas privadas de umas quantas mulheres fascinantes, cujas histórias de vidas e amores nos parecerão ao mesmo tempo profundamente familiares e diferentes das nossas, certamente trará sorrisos de reconhecimento às faces de mulheres de todo o lado - e ensinar-nos-á a todos uma coisinha ou duas.

segunda-feira, julho 27

20 (-2)

20 (-2) - e não 18, porque as antologias se fazem com números redondos (?) - são os poetas que nos traz Manuel de Freitas, numa antologia sem pretensões a consensos nem representatividade. "Esta antologia, portanto, está-se nas tintas para a posteridade. Trata-se, isso sim, de uma viagem estritamente pessoal por uma parte talvez muito significativa do nosso século XX, onde se acolhem (ou se preferirem, me visitam) poetas portugueses nascidos entre 1900 e 1950. Apenas isso. (...)
De uma maneira ou de outra, é sobretudo a morte o que se dá a ler, a suspeita de que, daqui a vinte ou trinta anos, esta antologia mais não será do que um brando esquecimento, para enfado de alfarrabistas." (do prefácio)
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O POEMA ENSINA A CAIR

O poema ensina a cair
sobre vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede

até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma.

Luiza Neto Jorge
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ECONOMIA TRÁGICA

Assim me dou. Como trapo à lama
da rua onde cansei meus passos
Onde os anos passaram como abraços
cercados pelo mundo.

Onde está:
«Assim me dou. Como trapo à lama»
Substituir:
«Assim me dou. Como trapo à alma»
E fica:

Assim me dou. Como trapo à alma
da rua onde cansei meus passos.
Onde os anos passaram como abraços
cercados pelo mundo.
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Ruy Cinatti

Título: A Perspectiva da Morte: 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX
Selecção e Prefácio: Manuel de Freitas
Edição: Assírio & Alvim, 2009
ISBN: 9789723713015
PVP: 30.00€

Isabel Nogueira

sexta-feira, julho 24

Mais um livro de Carlo Cipolla a não perder

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Título: Três Histórias extra vagantes
Autor: Carlo M. Cipolla
Tradução: Joaquim Soares da Costa
Edição: texto&grafia, 2009
ISBN: 978998285010
PVP: 10.00€
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Depois do divertidíssimo Allegro ma Non Troppo, a texto&grafia edita agora Três Histórias extra vagantes, do historiador económico Carlo Maria Cipolla. No seu estilo irónico, o autor dá-nos conta das habilidades de uma poderosa confraria de banqueiros na Florença do séc. XIV, traz-nos a história de uma burla dos europeus aos turcos no séc. XVII e comenta dois tratados franceses de comércio e indústria dos séc. XVII e XVIII.
Vale realmente a pena ler estas três histórias divertidas e documentalmente verdadeiras. Aliás, esta colecção (Biblioteca Universal) da texto&grafia oferece-nos diversos pequenos textos que se lêm de um fôlego, com gosto e proveito. Eu gostei de História de Roma, de Pierre Grimal e O Renascimento, de Peter Burke, mas não só de Historia vive a colecção.
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Isabel NogueiraI

quinta-feira, julho 23

a ler




"Que o Diabo Leve a Mosca Azul" de John Franklin Bardin , edição Relógio D'Água - um título sugestivo e uma capa que não se consegue ignorar, um belissímo prefácio de Ana Teresa Pereira, a música a soltar-se das páginas que passam e está instalada uma vontade irresistível de o ler.


Do prefácio de Ana Teresa Pereira : "(...) Entre 1946 e 1948, escreveu três romances que se parecem com pesadelos. The Deadly Percheron, que teve algum sucesso; The Last of Philip Banter, que teve menos. Para o terceiro, Devil Take, não encontrou editora nos Estados Unidos, mas o editor inglês Victor Gollancz encontrou-o no escritório de um agente, e publicou-o sem qualquer revisão.
Nos anos setenta, Julian Symons (escritor e coordenador da colecção policial da Penguin) resolveu publicar The Jonh Franklin Bardin Omnibus, com os três romances. Estes estavam completamente esquecidos, e o autor desaparecera «como uma das suas personagens»; nem mesmo o agente conhecia o seu endereço. Finalmente encontraram-no, a viver em Chicago, onde editava uma revista.
Devil Take the Blue-tail Fly é um dos livros mais belos (foi escrito ao som das Variações Goldberg e a música ficou no texto) que já li. É também um dos mais terríveis. Quase insuportável. Uma viagem ao que há de mais escuro na mente humana: uma personagem que se entrega apaixonadamente à criação e com a mesma alegria feroz à destruição; uma personagem que está sozinha do princípio ao fim (como todos nós) e se entrega a uma dança feroz consigo mesma, uma dança de morte. A um jornalista que lhe confidenciou ter ficado aterrorizado ao ler uma passagem perto do final do livro, Bardin disse que lhe acontecia o mesmo sempre que o relia.
John Franklin Bardin escreveu que não há diferença entre um romance policial e um romance «sério» (o que deveria ser evidente, mas em 2009 ainda não é). Há bons livros e maus livros. Um bom livro é o que nos faz experimentar um mundo novo. Devil Take é uma experiência muito perturbadora. Como observou Patricia Highsmith, todos nós, nalguma altura da vida, conhecemos estes sentimentos , mas damos um passo atrás, e não nos atrevemos a pensar no que teria acontecido se não o fizéssemos; os que conseguirem ler este romance não o esquecerão tão cedo (...)"


"Que o Diabo Leve a Mosca Azul", John Franklin Bardin, Relógio D'Água, 2009 -pvp 12.00 euros. Prefácio de Ana Teresa Pereira, Tradução de Carlos Correia Monteiro de Oliveira e Capa de Carlos César sobre gravura de Peter Maynard.
Débora Figueiredo

terça-feira, julho 21

jacto - uma nova "companhia" literária

"Imagens fortes, ideias incisivas: em formato portátil e em viagem low cost, na Jacto" são as palavras da editora Angelus Novus para a sua nova colecção (Jacto). Aqui na Pó dos livros gostámos dos dois primeiros volumes - "Para Que Servem os Direitos Humanos?" de Pádua Fernandes e "Outubro" de Rui Bebiano - e já reservámos bilhetes para a próxima viagem "Emergindo da Censura" de J.M. Coetzee.

Podem espreitar aqui as entrevistas com os autores - Pádua Fernandes(entrevista I e II ) e Rui Bebiano (entrevista I e II).
"Para Que Servem os Direitos Humanos?", Pádua Fernandes, Angelus Novus, pvp 7.50 euros.
"Outubro", Rui Bebiano, Angelus Novus, pvp 8.50euros.
Débora Figueiredo

segunda-feira, julho 20

Livros para ouvir

Em geral, chegamos ao prazer da leitura, na infância, ouvindo ler. Para recuperarmos o prazer de ouvir ler, três excelentes audiolivros: da editora Boca, Um Estranho Em Goa, o romance de José Eduardo Agualusa, lido por Fernando Alves e A Alegria de Gostar, "poemas de amor para crianças de todas as idades", do colombiano Jairo Aníbal Niño, com narração de Changuito e Oriana Alves; da editora MHIJ, O Nariz, um conto cómico-satírico de Nikolai Gógol, pela voz de Jorge Silva Melo.
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Isabel Nogueira
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Título: Um Estranho Em Goa
Autor: José Eduardo Agualusa
Voz: Fernando Alves
Banda Sonora: Amélia Muge e António J. Martins
Capa: Pedro Serpa sobre desenho de François Delaunay
Ilustrações: José Eduardo Agualusa
Edição: Boca, 2009
ISBN: 9789899526341
PVP: 15.50€

Título: A Alegria de Gostar
Autor: Jairo Aníbal Niño
Tradução: Changuito
Narração: Changuito e Oriana Alves
Banda Sonora: Amélia Muge
Ilustração: Gémeo Luís
Edição: Boca, 2006
ISBN: 9789899526303
PVP: 12.50€


Título: O Nariz
Autor: NiKolai Gógol
Tradução: Nina Guerra e Filipe Guerra

Voz: Jorge Silva Melo
Capa: Filipe Abranches
Edição: MHIJ, 2009
ISBN: 9789898027207
PVP: 16.50€


sábado, julho 18

na montra


Na montra desta semana passeiam dois monstros muito divertidos: um troll e um grufalão.

Como hoje é sábado e não há escola, o troll resolveu sair do livro (sim, este troll vai à escola!) e passear pela Pó dos livros acompanhado dos seus corajosos amigos toupeira e cabritinho.

O grufalão vi-o passar à bocado pela estante dos 3 aos 6, muito assustado, e disse-me que estava a fugir de um ratinho muito feroz.

Não sei o que andam os dois a fazer agora, mas espero que regressem à montra até ao final do dia.




"Como vencer um troll", de Nick Ward, Livros Horizonte - pvp11.00 euros

"O Grufalão", Julia Donaldson e Axel Scheffler, Verbo - pvp 8.99 euros

Débora Figueiredo

quinta-feira, julho 16

Published Books vs Importance


«Espero não abalar a minha credibilidade de livreiro se disser uma verdade improvável, por mais indiscutível que ela seja: a de que só por alguém escrever um livro de 5 xelins não passa a valer milhões.»

Livreiro anónimo a partir de uma frase de Laurence Sterne, em Vida e Opiniões de Tristram Shandy

Letras a Rimar

Uma introdução ao alfabeto com todas as letras a rimar! Cada letra tem rimas em que a mesma é trabalhada, sendo complementada com actividades de relacionação e reconhecimento, e também com grafismos, completando a introdução à escrita das letras.

Um livro destinado ao público infantil, pré-escolar: 4 anos, nas crianças mais curiosas, 5, 6 e mais anos nas restantes. Mas o interesse do projecto não se esgota com o domínio da leitura e da escrita: as rimas dão-lhe a mais-valia pedagógica necessária para avançar nos anos seguintes do 1º Ciclo do Ensino Básico
Autor: Margarida Pina Pereira~
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 48
Editor: Papa-Letras
ISBN: 9789898214065

pvp: 8.00€

Só pelo convite já vale a pena


terça-feira, julho 14

Exposição - José de Guimarães

(Para mais informações clique na imagem da lem)



África – Diálogo Mestiço: Colecção de Arte Tribal Africana
15 Jul a 30 Set 09
Todos os dias: 11h-19h

José Maria Fernando Marques nasceu em 1939, em Guimarães, cidade que lhe emprestou o nome artístico pelo qual hoje é conhecido. Frequentou a Academia Militar e licenciou-se em engenharia no Técnico. Em 1967 foi para Angola no cumprimento do serviço militar e por lá ficou sete anos. Será no continente africano que a sua arte se desenvolve e se define ficando indelevelmente contaminada pelos tons, formas e temas encontrados. É também por essa altura que descobre a arte africana e adquire as primeiras peças. A colecção de arte africana de José de Guimarães, apresentada sob o título África – Diálogo Mestiço, patente no Páteo da Galé, resulta da paixão e de um olhar atento em torno da compreensão das origens e dos modos de fazer arte. Subjacente a esta exposição, comissariada por Rui Mateus Pereira, está o encontro entre um dos mais internacionais e reconhecidos artistas plásticos portugueses e a arte intemporal que conheceu em África.

Grande chatice

- Mãe! qual foi o primeiro homem na Terra? - Não digas, já sei. - Não foi um homem foi uma mulher. - O homem teve que sair de dentro da mulher, não é?

- Vasco, qual é que nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?

- Oh! essa é fácil, foi a galinha.

- E de onde nasceu a galinha?

- Eh pá, pois é…! Grande chatice!
-
Jaime Bulhosa


Um guia amplamente ilustrado que permite acompanhar os grandes eventos geológicos e biológicos que, mais frequentemente, remodelaram a terra, desde a origem do Sistema Solar até aos nossos dias. Dos dinossauros aos Mamíferos, dos insectos às aves, das algas às flores. A extraordinária variedade de formas vivas surgidas sobre a Terra recordam-nos como é importante a saúde do nosso planeta e quanto nos devemos empenhar para o preservar.

História da Terra
Geologia, Ecologia, Biologia
Edição/reimpressão: 2002
Páginas: 124
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-70488-7

PVP: 16.90€

segunda-feira, julho 13

Pensamento do dia

«Insistir em editar ou tentar vender livros considerados de fraca qualidade que não vendem é teimosia. Teimosia sem inteligência é tolice soldada na ponta da estupidez.»

Livreiro anónimo a partir de uma frase de Vitor Hugo em O Último
Dia de Um Condenado

O Que Parece É


sábado, julho 11

Qual é a cor dos teus sonhos?

«"Necessito de qualquer coisa que provoque uma emoção. A emoção é o que me faz mexer. Não é do domínio do sentimento. É como se me picassem com um alfinete."
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"Nunca sonho durante a noite, mas no meu ateliê estou em pleno sonho. É quando trabalho, quando estou acordado, que sonho"
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"Se me dizem 'qual é a sua cor preferida?', a questão quase que não tem sentido para mim: gosto e procuro o contraste das cores."
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Os siêncios de Miró são lendários: as suas mãos traduziam, com brio, a sua visão do mundo. Estas entrevistas têm, então, um grande valor documental. Percorremos os seus ateliês e Miró puxa-nos para a arena da sua actividade criativa: acto poético, incansável luta contra o conformismo e resposta ao apelo da matéria. Nestas suas recordações, cruzamos Buñuel, Breton, Dali, Matisse, Picasso... entre outras figuras maiores da Arte do séc. XX.
Miró, o Encantador, ocupou o seu espaço pictural de formas, linhas e cores à procura de "libertar a pintura para melhor cultivar o sonho"...»



Esta É a Cor dos Meus Olhos
Miró / Conversas com Georges Raillard
Edição: 90 Graus, 2006
Tradução: José Mário Silva
ISBN: 9789728964047
PVP: 16.00

quinta-feira, julho 9

As 10 piores capas de livros de sempre

As capas que se seguem foram eleitas as 10 piores capas de livros de sempre, nos Estados Unidos. A Pó dos livros propõe que nos ajude e participe na selecção das 10 piores capas de sempre da edição de livros em Portugal. Para isso, necessitamos que nos envie (para o e-mail podoslivros.jaime@sapo.pt ) uma imagem ou, se não tiver, o título, autor e editora da capa que considera a pior que já alguma vez viu. Tem de ter em consideração quatro factores essenciais:

1.º Mau gosto
2.º Pior grafismo
3.º Incongruência com o tema
4.º Um tiro ao lado em relação ao público-alvo

Mais tarde faremos uma pré-selecção que submeteremos à votação dos nossos leitores, para eleger os dez felizes contemplados.

Nota: Convém estar atento a pequenas subtilezas de “bom gosto” de algumas das capas, reparem na relação título capa ou onde por exemplo a moça n.º 6 tem a sua mão.

N.º1

N.º2
N.º3
N.º4
N.º5
N.º6
N.º7
N.º8
N.º9
N.º10

Biblioteca Juvenil

As Edições Nelson de Matos acabam de editar a Biblioteca Juvenil com novas traduções de clássicos como: As Aventuras de Robinson Crusoe de Daniel Defoe, As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift, As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain, entre outros.


(Faça clique na imagem para ver mais)

quarta-feira, julho 8

The Book Seer


Acabou de ler um livro e gostaria de ler livros semelhantes? Experimente o The Book Seer para obter sugestões.

(Via Estante do livro)

terça-feira, julho 7

Não se zangue! a Pó dos Livros tem solução para tudo.


- Olhe, vou ser muito sincero, estou farto deste país de m…, são todos uns malandros, estes tipos do governo, e os da oposição não são melhores, anda meio mundo a ver se engana outro meio mundo. Mas também lhe digo - nos outros países não é melhor, sim, porque já vivi noutros países e a m… é a mesma.

- Pois, não está fácil.

- Não é uma questão de facilidade, a crise não justifica tudo, é uma questão de princípios. Sabe, as instituições deste país estão a cair de podres, por mim arrasava com tudo. Mas não vale a pena, já não há remédio - a não ser… que você tenha aí um livro que me resolva a situação, eh, eh, eh (riso malicioso).

- Por acaso até acho que tenho.

- Como?!...

- How to Start Your Own Country, de Erwin S. Strauss.


Nota. Ora! diga lá se trabalhar numa livraria, não é uma maravilha.
-
Jaime Bulhosa

segunda-feira, julho 6

Uma boa notícia



O regresso da Phala, agora em formato digital.

Que língua estranha é esta?


Uma pessoa adulta e com uma formação média ou elevada reconhece entre dez mil e 15 mil palavras. Tendo em conta que a língua portuguesa terá cerca de um milhão de palavras, isto quer dizer que utilizamos apenas 1% a 1,5% dos seus recursos vocabulares.
Este facto deixa-me perplexo perante a forma como por vezes olhamos para os jovens e lhes condenamos a utilização de novas palavras ou perante as polémicas à volta do acordo ortográfico. O aparecimento de umas poucas novas palavras ou a alteração da grafia de outras tantas não tem qualquer expressão na imensidão de palavras que podemos usar. Por exemplo, um livro com cerca de 200 páginas (escrito por um bom escritor) não terá mais de 50 mil palavras; não contando com as palavras repetidas e os artigos, sem rigor, um livro deve conter 12 mil palavras diferentes (por isso é que recorremos tantas vezes ao dicionário).
Quer isto dizer, também, que poderíamos escrever várias versões do mesmo livro recorrendo apenas a sinónimos (entre outras coisas, por isso é que uma tradução pode transformar um livro noutro completamente diferente). O resultado, contudo, poderia soar mais a um dialecto africano ou a um dialecto de uma tribo nativa da América do Sul do que propriamente a português. Deixo-vos um exemplo de uma frase escrita com palavras portuguesas que muito raramente ou nunca são usadas:

«Acuí-cuí, minha darona usa acudó.»

Nota: De acordo com o dicionário de sinónimos da Porto Editora, esta frase quer dizer: «Sim, minha mãe usa peruca.»
-
Jaime Bulhosa

Revista Booktailors


No Bosque do Espelho


Recorrendo a histórias pessoais e a reflexões literárias ricas em humor e erudição subtil, Alberto Manguel leva-nos a reflectir sobre as delícias e responsabilidades da leitura – uma viagem despoletada pela humanidade do autor, pela sua curiosidade insaciável e extraordinária abrangência da percepção do mundo. «Divertido, intimamente comprometido e, no entanto, subversivo. [...] Manguel é o Don Juan das bibliotecas.» George Steiner, The Observer «Esplêndido [e] eloquentemente escrito. [...] É a capacidade de Manguel de apreciar a riqueza do banquete cultural do mundo que faz desencadear a sua escrita mais elevada e original.» The Times Literary Supplement «[Manguel] é sobretudo um entusiasta do prazer dos livros, e o seu entusiasmo, tal como exposto na sua impressionante colecção de textos, é cativante. [...] Irradia a sua sagacidade engraçada e o amor pelo paradoxo... Soberbo.» Germaine Greer

Edição: Dom Quixote
Autor: Alberto Manguel
ISBN: 978-972-20-3833-1
Páginas: 224
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm
Colecção: História & Sociedade
Ano de Edição: 2009
Encadernação: Brochado
Preço com IVA: 15.00 €

quinta-feira, julho 2

O anti-booktrailer do Manual de civilidade para meninas


«Tende tantos amantes quantos os que desejares; não contai porém aos novos o que fazeis com os velhos. E reciprocamente.»


«Se o senhor vosso pai vos disser, com furibunda voz: - não és minha filha!, não lhe deveis retorquir: - Há quanto tempo o sabia!» Pierre Louÿs


Se quiserdes de facto ser muito popular, podereis escolher dois caminhos: seguir o livro de Pierre Louÿs escrito em 1917 ou o filme realizado em 1947.

Jaime Bulhosa


12 livros sobre os quais dizemos: já li, vou ler, tenho que ler e continuam na mesa de cabeceira.


- Picwick Papers de Charles Dickens

- O Homem Sem Qualidades de Musil

- Guerra e Paz de Lev Tolstói

- As Benevolentes de Jonathan Littell

- Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski
-
- A Vida e Opiniões de Tristram Shandy de Laurence Sterne

- Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust

- Romance de Genji de Murasaki Shikibu

- Dom Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes

- Os Lusíadas de Luís de Camões

- Odisseia de Homero
-
- Bíblia Sagrada de A.A.V.V.

Nota: Evidentemente como livreiro já os li e reli a todos.
-
Jaime Bulhosa

Livros

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando p’ra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
-
Caetano Veloso

quarta-feira, julho 1

na montra

TRÁS!-uma história exemplar de Adam Stower. Uma odisseia de acidentes que começa com um bater de porta e não se sabe bem como vai acabar. Divertido, inesperado, disparatado e cheio de pormenores para descobrir.
Pó de Estrelas - uma dança de palavras à volta do universo, com planetas, estrelas, cometas, nebulosas, buracos negros, constelações e muito mais. Os poemas são de Jorge Sousa Braga e as ilustrações de Cristina Valadas. Para ler, ouvir, ver, cantarolar, dizer alto, decorar e repetir vezes sem conta.

O Big Bang
Eu não estive lá
mas deve ter sido assim
Só não sei se foi o fim do princípio
ou o princípio do fim.

(pág14)

Pólo Norte
O que tem a Ursa Menor
que a Ursa Maior não tem?
Uma nebulosa em redor
uma nova um pulsar?
O que a Ursa Menor tem
é a Estrela Polar

(pág 30)

TRÁS!-um história exemplar, Adam Stower, Livros Horizonte, 2006. (11.00 euros)

Pó de Estrelas, Jorge Sousa Braga e Cristina Valadas, Assírio & Alvim, colecção Assirinha, 2007 (13.00 euros)

Débora Figueiredo

Uma pergunta


Os nossos clientes gostam dos livros deles e nós também. O que é que se passa com a editora que ultimamente não conseguimos encomendar os seus livros?

A History of Histories

Este livro é uma extraordinária história de como nós entendemos e interpretámos os últimos dois mil e quinhentos anos, desde o pai da História, Heródoto, até às crónicas medievais, passando pela épica descrição da queda do Império Romano de Edward Gibbon até aos documentários da TV dos dias de hoje. Este livro único explora os relatos que definiram os grandes eventos da História, mostrando os que eles nos dizem sobre o seu tempo e o nosso.

Editor: Penguin
Autor: John Burrow
Isbn: 978-0-14028-379-2
Pvp: 16.25 €