Segunda-feira, Agosto 31
Prateleira de livreiros
O Galo de Sócrates


A primeira é protagonizada por um galo, senhor de um ironia digna do próprio Sócrates, o genuíno, o filósofo. A segunda por uma mosca culta e tragicamente desencantada. Galo e mosca serão sacrificados. Em nome da humana estupidez.
Leopoldo Alas “Clarín” (1852-1901) é um dos melhores escritores espanhóis do seu tempo. E do nosso. Pois de então para cá o que é que mudou, além das moscas?
Tradução: de Horácio Vaz
80 pp. 13x13
ISBN 978-989-95833-2-0
pvp: € 7,50
Sábado, Agosto 29
Paralelo 42 é o primeiro volume da triologia U.S.A., que celebrizou John dos Passos como um dos maiores escritores norte-americanos do século XX ao fazer um esboço grandioso e caleidoscópio de uma nação em vias de se tornar uma superpotência. Tal como o paralelo que lhe dá título, este livro atravessa o coração dos Estados Unidos, ao seguir as vidas de cinco personagens nos anos que antcederam a Primeira Guerra Mundial. Mac, Janey, Eleanor, Ward e Charley são oriundos de diferentes partes do país e de diferentes estratos socio-culturais, e todos eles perseguem a sua versão do sonho americano. As suas histórias e percursos, que ora convergem ora divergem, são entrecortados por técnicas narrativas experimentais - como o recurso a colagens de notícias ou a fragmentos de um fluxo de consciência autobiográfico -, permitindo ao leitor construir, a cada página, um mapa detalhado da psique americana.
Sexta-feira, Agosto 28
Teoria Geral das Lágrimas

- O que acha de uma Teoria Geral das Lágrimas? Sinto-me talhado para trabalhar nisso.
- É uma hipótese – disse-me ele -, mas ser-lhe-á muito difícil encontrar uma bibliografia.
- Que não seja por isso. Toda a história me apoiará com a sua autoridade – respondi-lhe eu, com um tom de impertinência e de triunfo.
Mas como ele, impaciente, me lançava um olhar de desprezo, resolvi de imediato matar em mim o Discípulo.
100 portas de Lisboa

«Pó dos Livros: Os Clientes habituais tratam-no por senhor Carlos, e Carlos Loureiro é uma autoridade no mundo dos livros. Com mais de 20 anos de experiência, é o que um livreiro deve ser: alguém que acompanha, conhece e aconselha. E este é um dos grandes trunfos da livraria Pó dos Livros. Mas há mais: o bom gosto da decoração, a diversidade na oferta, as bonitas edições da Tinta da China, editora ligada aos proprietários, o café e o fundo editorial.»
Nocturnos
kazuo Ishiguro explora nesta obra os temas do amor, da música e da passagem do tempo. Um livro para quem se recusa a perder a esperança e insiste em ver o lado positivo de tudo o que sucede. Lições de vida e a vida em lições de mestria narrativa, de um autor já descrito pelo New York Times como «um génio extraordinário e original».Das piazze italianas às colinas de Malvern, de um apartamento londrino à zona «reservada» de um luxuoso hotel de Hollywood, encontramos nestas páginas uma singular galeria de personagens – de jovens sonhadores a músicos de café e a vedetas em declínio – num momento particular de reflexão e de reavaliação das suas vidas.
Terno, íntimo e cheio de humor, este quinteto de histórias é marcado por um motivo recorrente: o esforço para preservar o sentido do romance na vida. É um livro para quem se recusa a perder a esperança e teima em ver o lado positivo de tudo o que de bom e mau sucede. Lições de vida e a vida em lições de mestria narrativa.
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Autor: Kazuo Ishiguro
Tradução: Rui Pires Cabral
Edição: Gradiva
ISBN: 9789896163228
PVP: 14.00€
Quinta-feira, Agosto 27
Blues

Que punge o azul. E só a si se empolga.
pvp: 16.00€
Publicado por Isabel Nogueira
Quarta-feira, Agosto 26
Na ardósia da escola.
Pensamento do dia
Livreiro anónimo à beira do suicídio
Segunda-feira, Agosto 24
Venho para comprar tudo

- Vende-se bem?
Dadas as circunstâncias, não lhe respondo imediatamente, mas ele insiste:
- Você estaria disposto, se fosse o caso, a vender tudo?
Desconfio. No entanto, dou brilho aos sapatos, arreganho a dentadura, penteio-me.
- Venho para comprar tudo.
Agora sim, presto atenção. Engraxo-lhe os sapatos, etc. Ele continua:
- Tudo depende, evidentemente, do preço. Mas faço-lhe uma oferta generosa.
- Diga, então.
- Dois milhões.
Mentalmente dou pulos, em silêncio dou gritos de alegria. Comprometi-me a vender tudo. Tiro os livros, entrego-lhos, embrulho também os da montra, a caixa, os lápis, as canetas, o cabide. O senhor insiste.
- Eu disse tudo.
- Tudo? O que é tudo?
- Tudo, tal como eu disse.
- As paredes?
- Sim, creio que nos entendemos bem, você fixou o preço e eu não desisti. Eu disse tudo. As paredes, o tecto, o rés-do-chão, o 1.º piso, as outras paredes, os outros tectos, enfim: tudo.
Encolhi os ombros.
- Bom, digo-lhe, sendo assim vou andando. Disponha. É tudo seu.
- Mas onde pensa que vai? Você também faz parte do «tudo», o dinheiro que eu lhe dei, o chão que pisa, o ar que respira, o mundo que o rodeia. Eu comprei TUDO.
Relato de um sonho de livreiro transformado em pesadelo
Beloved

Sexta-feira, Agosto 21
Sinto-me tão completo...
Quem terá sido o gajo que teve a ideia peregrina de inventar a frase que diz que, para que a tua vida seja completa, terás de cumprir três tarefas: «plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro»? Cheira-me a rigor germânico ou a sabedoria oriental, que é como quem diz: uma chinesice qualquer. Eu sei que quem inventou o descanso foi um grande homem. Agora, inventar adágios sem pensar nas consequências? Isso até eu.Plantar uma árvore, ainda vá que não vá, no meio de tanto caroço cuspido, algum deve ter germinado. Ter um filho, quem quiser assumir um monte de responsabilidades, com um bocadinho de sorte e a colaboração de outra pessoa, a coisa faz-se. Agora, escrever um livro? E se eu não tiver nada para dizer? E se não me apetecer dizer nada? Melhor: e se o que tiver para dizer não interessar nem ao menino Jesus? Sou menos completo do que os outros que já o fizeram? Para além do mais, esta ideia é perigosa e propaga-se mais do que a gripe A, tendo em conta a quantidade de gente que anda por aí a escrever livros. Há uns que até o anunciam antes de o terem escrito, para que, no caso de lhes acontecer alguma coisa (bate na madeira), possam dizer que só não chegaram ao fim por mero azar. A ideia de que cada um de nós tem o direito de ser ouvido é completamente inexequível. Como dizia o filósofo mexicano Gabriel Zaid: «Numa hipotética assembleia universal, não teríamos tempo de vida suficiente sequer para nos cumprimentarmos uns aos outros.» E porque não, em vez de escrever um livro, escrever num blogue? Eh pá! Espera aí… O gajo se calhar até tem razão, falhou foi na terceira hipótese. Sinto-me tão completo...
Quinta-feira, Agosto 20
Os livros são objectos venerados

Os livros são objectos venerados. Porquê? Porque se lê pouco e porque muito pouca gente lê. E aquilo que é feito por uma pequena “elite” tende a ser desejado ou copiado. Infelizmente, não tanto quanto se desejaria. Mesmo aqueles que não lêem, por uma razão ou outra, têm a noção de que é importante ler. Imaginemos que vai mudar de casa e começa a juntar tralha para deitar fora: jornais, revistas velhas, bijutarias, etc. Não faz isso aos livros, pois não? Os livros colocam-se direitinhos numa caixa e levam-se para a casa nova. Nem mesmo um livreiro – que, na maior parte das vezes, vê o livro apenas como uma mercadoria – é capaz de deitar livros fora. Ele sabe que a partir do momento em que o lê, o livro deixa de ser só uma mercadoria. Não se deve destruir livros, destruir um livro é quase como assassinar, silenciar alguém que está lá dentro e que quer falar connosco, para nos contar uma história (a sua ou de outro), amores, desamores, aventuras, inventos, ideias, horrores que devemos denunciar, transmitir e recordar. Foi por isso que na história da humanidade, por diversas vezes e nos momentos mais conturbados, se destruíram bibliotecas inteiras. «As ideias perigosas não vêm de muitos livros, mas de um só.» Li esta frase escrita por alguém num livro guardado algures.
Quarta-feira, Agosto 19
A Sombra da Águia

A história é baseada num acontecimento real: em 1812, durante a Campanha da Rússia, num combate adverso para as tropas napoleónicas, um batalhão de antigos prisioneiros espanhóis, alistados à força no exército francês, tenta desertar, passando-se para os russos. Interpretando erroneamente o movimento, o Imperador encara-o como um acto de heroísmo e envia em seu auxílio uma carga de cavalaria que terá consequências imprevisíveis.
Ao mesmo tempo divertido e trágico, A Sombra da Águia revela-nos uma visão mordaz e descarnada da guerra e da condição humana. Uma pequena pérola com a assinatura do mais importante escritor espanhol da actualidade.
Edição: Porto Editora
Páginas: 120
Tradução: Helena Pitta
ISBN: 978-972-0-04515-7
PVP: 14.00€
Cum camandro...
Terça-feira, Agosto 18
Editores piratas

Por vezes questiono-me sobre como é possível que surjam alguns títulos no mercado. Nesses momentos lembro-me de ouvir recorrentemente os editores queixarem-se de como os custos sobre os direitos dos livros estrangeiros (os chamados advances, a descontar nos royalties) são muitas vezes incomportáveis, alegando ser este um dos principais impedimentos à edição em Portugal de um grande número de livros importantes. Queixam-se também da existência de editores, normalmente refractários, que pura e simplesmente não pagam os advances e os royalties.
Como em quase tudo na vida podemos, pelo menos, ter duas perspectivas sobre a mesma realidade: talvez seja benéfica para o leitor a presença no mercado português de alguns títulos traduzidos, que de outra maneira não teria acesso, mas esta prática não deixa de ser uma deslealdade para com os editores cumpridores. Não necessito de referir que se trata de uma prática totalmente ilegal. Só como curiosidade, uma vez ouvi a história de um editor estrangeiro (não sei se é verdade, nem o nome) que, questionado sobre a sua prática ilegal de não pagar direitos, respondeu: «O meu conceito de editora é igual à ideia que algumas prostitutas fazem das outras mulheres: todas são prostitutas, mas poucas se animam a exercer.» O mesmo editor, questionado sobre o facto de as suas edições e traduções serem de péssima qualidade, e uma vez que não podia alegar que os custos eram excessivos, respondeu: «Os livros são como as mulheres, se as tratamos bem atraiçoam-nos.» Não sei qual o tipo de argumento que usam por cá os editores piratas, mas sei que se forem deste calibre têm os dias contados.
Inherent Vice

Thomas Ruggles Pynchon, Jr. Nasceu em Long Island, 8 de Maio de 1937 é um dos mais originais escritores norte-americanos vivos. Famoso por criar livros longos e complexos - às vezes com centenas de personagens e dezenas de histórias paralelas -, ele é um dos principais expoentes do romance pós-moderno, juntamente com William Gaddis, John Barth, Donald Barthelme, Don Delillo e Paul Auster.
Vencedor do National Book Awards, seu nome é constantemente citado como condidato ao Prémio Nobel de Literatura. Em 1988, foi premiado pela Fundação MacArthur. O crítico literário Harold Bloom nomeou Pynchon um dos quatro romancistas anglófonos "canonizáveis" de seu tempo - ao lado de Don DeLillo, Philip Roth e Cormac McCarthy.
Sua ficção abrange diversos campos, como física, matemática, química, filosofia, parapsicologia, história, mitologia, ocultismo, música pop, banda desenhada, cinema, drogas e psicologia, unindo-os de maneira picaresca, humorística, absurda, poética e sombria. A preocupação central da obra de Pynchon é explorar a acumulação e a inter-relação entre estes diferentes conhecimentos, que resultariam numa realidade entrópica tangível apenas pela paranóia. Ele também é conhecido pela reclusão em que vive, o que gerou diversos rumores sobre sua real identidade. Nunca concedeu entrevistas e as únicas fotos conhecidas dele datam da sua juventude.
Segunda-feira, Agosto 17
O autógrafo
«Num caloroso meio-dia uma rapariga pediu um livro de êxito. Antes que o embrulhassem o Dr. Sánchez, cliente habitual que estava lendo junto à caixa, tomou um ar displicente e disse à jovem atónita:- Permita-me que lho dedique? Sou o autor.
E antes mesmo de esta lhe poder responder, já havia escrito: «À minha doce amiga…» - Como é o seu nome?
O Dr. Sánchez era capaz de autografar, sempre como autor, livros de Homero, Platão e Pascal.»
Memorias de un librero, Héctor Yánovar
Jaime Bulhosa
Poesia
«A única diferença entre o céu e o inferno é que no céu se lê poesia e no inferno explicam-na.»Livreiro anónimo depois de ter lido um livro de poesia e não ter percebido nada.
Pornografia e Obscenidade

«O que elas são depende por completo da pessoa, como é hábito. O que é pornografia para um homem, faz-se riso do génio para outro.
Ao que se diz, a própria palavra significa «pertencente às prostitutas» - o sinal da prostituta. Mas o que é hoje em dia uma prostituta? Se for uma mulher que exige dinheiro ao homem para ir com ele para a cama – a verdade é que em tempos idos muitas esposas se venderam, e muitas prostitutas existem que se entregam de graça quando para aí lhes dá. Se uma mulher não guardar em si um leve traço de prostituta, regra geral é insonsa e vulgar. E provavelmente muitas prostitutas têm um leve traço de generosidade feminina num ponto qualquer do seu carácter. Por que havemos de ser tão drásticos e tão severos? A lei é uma coisa enfadonha, e o seu julgamento nada tem a ver com a vida.»
Título: Pornografia e Obscenidade
Autor: D.H.Lawrence
Tradução Aníbal Fernandes
Edição Frenesi
ISBN:9789898006127
Pvp: 10.00 €
Quinta-feira, Agosto 13
sugestões estreladas
"Pequeno Guia do Céu", Bernard Pellequer, Gradiva - pvp 9.50 €
"Descobrir o Universo", Coordenação Teresa Lago, Gradiva - pvp 16.00€
"Astronomia num minuto-140 perguntas e respostas", João Vieira e Jorge Fonte, Opera Omnia - pvp 12.50 €.
"Ciência a brincar 4-Descobre o Céu", Constança Providência, Nuno Crato, Manuel Paiva e Carlos Fiolhais, Bizâncio - pvp 9.50 €
"Cosmos", Carl Sagan, Gradiva - pvp 25 €
Débora Figueiredo
Merda d'artista
---Quarta-feira, Agosto 12
na montra de Agosto
Apareceram reis e princesas, belas e monstros, corridas entre a lebre e a tartaruga, outros animais e mais histórias que tais, a Condessa de Segúr, grandes aventuras e algumas viagens. A Caracolinhos de Ouro e os três ursos não param quietos, o rapaz dos hipópotamos conversa com o Robison Crusoe sobre ilhas desconhecidas, o lobo já pediu desculpas ao casaquinho vermelho por causa daquela dentada tão despropositada, e até o rei Rique, acompanhado pelo princípe Farhad, rumaram numa visita à exposição de "pontos" que a Bruaá inaugurou mesmo no meio da montra.
No andar de baixo continua a festa e há personagens e histórias espalhados pelos quatro cantos da Pó dos livros. Agora, o dificíl é mesmo escolher quais vão passar as férias connosco e habitar a nossa memória o resto da vida.
Boas férias.

"A Bela e o Monstro", Jean-Marie Leprince Beaumont e Inês de Oliveira, Porto Editora - pvp 14.50 €.
"Os três ursos", Marisa Núñez e Minako Chiba, OQO - pvp 11.99 €.
"As aventuras de Robison Crusoe", Daniel Defoe, Edições Nelson de Matos - pvp 16.00 €.
"O rapaz dos hipopótamos", Margaret Mahy e Steven Kellog, Livros Horizonte - pvp 9.43 €.
"A lebre e a tartaruga", Helen Ward, Caminho - pvp 12.60 €.
"O General Dourakine" e "Os desastres de Sofia", Condessa de Ségur, Colares Editora - pvp 19.80 e 13.90 €.
"O Rei Rique e outras histórias", Ilse Losa e Júlio resende, Porto Editora - pvp 9.90 €.
"O ponto", Peter H. Reynolds, Bruaá - pvp 13.00 €.
"O casaquinho vermelho", Lynn Roberts e David Roberts, Dinalivro - pvp 9.98 €.
Terça-feira, Agosto 11
Editores ignoram livro famoso
A jornalista Susana Torrão teve a ideia, já de si pouco original, de plagiar um livro (como todos nós sabemos, o que mais se vê por aí são livros quase totalmente plagiados e editados com sucesso comercial), de forma a criar um logro e enganar os editores mais incautos. A experiência consistiu no seguinte: Susana Torrão criou uma nova autora imaginária, de nome Isabel Sousa, supostamente nascida em 1959. Agarrou no livro Até ao Fim, de Vergílio Ferreira, alterou-lhe o título para um pouco sugestivo “Vigília”, deu outros nomes às principais personagens, fez contactos com algumas editoras, enviou umas cópias do “original” e ficou à espera das respostas. Surpresa! (só se foi para a autora do artigo), porque passados seis meses ninguém se mostrou interessado em editar o livro nem deu pelo plágio. Quem conhece minimamente o mercado editorial sabe que as coisas não funcionam assim. Não basta enviar um original para uma editora e de imediato ter a garantia que o lêem. Possivelmente, só no tempo de Vergílio Ferreira, e mesmo assim duvido. É certo que aumentou muito o número de editoras desde 1943 data de edição do primeiro livro de Vergílio Ferreira O Caminho Fica Longe, mas aumentou ainda mais o número de pessoas que deseja ser publicado.
O artigo deixa transparecer, negligentemente, a ideia de que os editores portugueses são incompetentes, uma vez que deixam fugir por entre as suas mãos autênticas maravilhas da literatura, textos que nem sequer, na maior parte dos casos, se dão ao trabalho de ler.
Antes de publicar este artigo, a jornalista da revista Sábado deveria ter pesquisado um pouco mais sobre como Vergílio Ferreira terá conseguido editar o seu primeiro livro; deveria ter procurado responder a perguntas como: Terá Vergílio Ferreira enviado simplesmente o manuscrito para as editoras? Será que não conhecia ninguém no meio editorial? O seu primeiro livro não teria tido já referências? (Só foi publicado quatro anos depois de ter sido escrito.) Faz hoje sentido editar o livro Até ao Fim como primeiro livro de um autor?
Mais, não deveria Isabel Sousa - a ficcionada autora já com cinquenta anos de idade, com pretensões a escritora - ter publicado, nem que fosse num blogue ou numa qualquer publicação local, artigos, poemas, contos, ou outros textos que de alguma forma deixassem rasto e permitissem aos editores fazer uma avaliação prévia? Enfim, perguntas para as quais seria necessário haver respostas, se se quisesse dar credibilidade à pseudo-autora e tornar a experiência efectivamente engraçada. O resultado da experiência de Susana Torrão, que nada acrescenta, não poderia ter sido outro se não a total ausência de interesse por um manuscrito entre dezenas e dezenas de outros que os editores recebem por ano. O artigo apenas vem demonstrar, que os escritores não nascem do nada (nem apenas do talento). E os editores sabem-no bem.
Segunda-feira, Agosto 10
Agosto
Dois livros de Eudora Welty, no ano do centenário do seu nascimento (1909-2001).
Boas leituras.


"O Vento e Outros Contos", Eudora Welty, Antígona, 2008 - pvp 16.00 euros.
"O Coração dos Ponders", Eudora Welty, Relógio ´D'Água, 2009 - pvp 12.00 euros.
Débora Figueiredo
Sexta-feira, Agosto 7
O fim dos livreiros

A proliferação dos novos aparelhos para leitura de livros digitais (e-books) é tal que não passa um dia em que os Blogtailors (coitados, já devem estar desorientados...) não tenham de anunciar um aparelho novo, maravilhoso, extraordinário, mais leve e com maior capacidade que os anteriores. O sucesso parece garantido. A partir de agora são muitos os que vaticinam o fim do livro tradicional e, consequentemente, o fim dos livreiros e das livrarias. O raciocínio é simples: basta transferir para o mercado dos livros o que aconteceu no mercado dos discos. Se a linha de pensamento for assim tão linear, eu iria ainda mais longe e acrescentaria o fim de muitas gráficas, distribuidoras, editoras e, por fim, de muitos autores. A pirataria vai ser tal e os direitos de autor tão completamente vandalizados, que os escritores (aqueles que vivem apenas da escrita), à semelhança dos músicos, terão de passar a fazer espectáculos ao vivo. Só assim poderão garantir a sua sobrevivência. É claro que, consequentemente, os editores passarão a ser os seus agentes culturais (se é que já não o são frequentemente). Com este cenário tão dramático, não me resta outra alternativa senão começar a pensar num novo emprego. Como já trabalho nos livros há muitos anos, não é fácil imaginar-me a fazer outra coisa. Não posso desesperar: afinal de contas, muitos outros antes de mim, por uma razão ou outra, tiveram que mudar de profissão, acabando por ser bem-sucedidos. Só tenho de escolher entre vir a ser, por exemplo, ditador ou economista (duas profissões muito bem vistas nos dias que correm).
É por isso que deixo aos meus colegas, para que também eles se possam orientar, uma lista de nomes de pessoas que, em tempos, foram nossos colegas de profissão:
George Orwell – de livreiro a guerrilheiro.
Mao Tsé Tung – de bibliotecário a ditador.
Casanova – de bibliotecário a Don Juan.
Achille Ratti – de livreiro a Papa Pio XI.
David Hume – de livreiro a filósofo empírico iluminado.
William Blake – de livreiro a artista pobre mas sem dívidas.
Marcel Duchamp – de bibliotecário boémio francês a artista americano ainda mais boémio.
Archibald Macleish - de bibliotecário a três vezes prémio Pulitzer.
Ideias Optimistas

Qual é a sua ideia optimista? E porquê?
Foi este o mote que deu origem às entusiásticas ideias reunidas neste livro. O progresso da humanidade alicerça--se, em grande medida, nas perspectivas e propostas optimistas dos grandes cientistas e pensadores. Procurando alhear-se de evidências pouco promissoras e ignorando previsões catastróficas, eis um conjunto de textos de mais de cem eminentes personalidades que imaginam um futuro luminoso e ousam afirmá-lo: dentro de um século, o homem poderá habitar outros planetas; iremos encontrar brevemente a cura para o cancro; os jovens adultos de hoje viverão, em média, até aos 120 anos de idade; é possível alcançar a imortalidade; seremos capazes de garantir a sobrevivência dos recursos naturais do planeta; dentro de algumas gerações, serão inventadas máquinas que se reproduzirão a partir da energia solar;
o terrorismo irá extinguir-se…
Depois de «Grandes Ideias Impossíveis de Provar» e de «Grandes Ideias Perigosas», «Ideias Optimistas» propõe-nos um futuro auspicioso, afastando nuvens negras, desanuviando perspectivas e contribuindo para dar alento a todos os leitores.
Edição: Tinta da china
Tradução: Jorge Palinhos
Prefácio: Daniel C. Dennett
coordenação: John Brockman
1.ª edição: Julho de 2009
n.º de páginas: 400
formato: 14x21 cm
isbn: 9789896710026
pvp: 19.9 euros
Quinta-feira, Agosto 6
Pensamento do dia

Memórias de um livreiro
Este é um livro de um livreiro pretensioso. Estas são as primeiras linhas desse livro. Estas palavras constituem as primeiras da primeira página. E todas as palavras, linhas, páginas formam o livro. Vocês, hipotéticos leitores, têm ideia de como escrever um livro é terrível para um livreiro? Um livreiro é um homem que quando descansa lê; quando lê, lê catálogos de livros; quando passeia, detém-se diante das montras de outras livrarias; quando vai a outra cidade, a outro país, visita outros livreiros e editores. Então, um dia, este homem decide escrever um livro sobre o seu ofício. Um livro dentro de outro livro que irá juntar-se aos outros no escaparate, os expositores das livrarias. Outro livro para arrumar, marcar, limpar, repor, excluir definitivamente.Antes de aparecer a primeira edição deste livro, encontro-me junto de um grande vendedor de enciclopédias e conto-lhe que estão para sair as minhas memórias de livreiro. - Eu também vou escrever umas – responde-me. – Vão chamar-se Vinte e cinco anos a vender livros e mais a puta que os pariu.
Héctor Yánover em Memórias de Um Livreiro, Anaya & Mário, 1994
Quarta-feira, Agosto 5
Os novos livreiros
Cliente: - Por favor, tem o Photomaton & Vox de Herberto Helder?
Livreiro: - Desculpe! não estou a ver qual é o livro. Mas ajude-me, em qual dos canais de televisão esse senhor está agora a passar?
Nota: A culpa não é só dos livreiros se tivermos em conta que esta é a realidade de grande parte da inspiração da edição em Portugal.
Jaime Bulhosa
Pensamento do dia

Terça-feira, Agosto 4
Colares
Eu sou suspeita para falar deles, gosto dos livros da Colares Editora. Sempre que chegam à livraria, não resisto a pegar-lhes e ficar a vê-los. Gosto das capas, do interior, dos arranjos gráficos, da colecção, do papel, do "aspecto artesanal" e até, confesso, das facturas da editora (são amarelas, bem impressas e parecem mais uma página de um livro do que uma factura).
Para além do objecto, gosto das várias histórias da gastronomia que vão publicando, de passear por entre civilizações, regiões, utensílios e ingredientes, das pequenas curiosidades, das receitas e especialmente das memórias dos cheiros e sabores que nos ficam quando os acabamos de ler.
Preguiça

Eu poderia continuar a nomear escritores famosos e a falar da sua relação com o álcool, as mulheres ou as ervas ilícitas, arriscando a que esta lista se tornasse infinita. Mas acho que já perceberam a ideia...
Curso de Jornalismo Literário, por Paulo Moura
A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao


Vencedor do Pulitzer Prize for Fiction 2008
Melhor Romance de 2007, pela New York Magazine
Vencedor do National Book Critics Circle Award (fiction)
John Sargent Sr. First Novel Prize
Anisfield-Wolf Book Award e Dayton Literary Peace Prize
Eleito "Notable Book" pelo New York Times
"Best of the Month" na Amazon US (Setembro 2007)
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04148-7
Segunda-feira, Agosto 3
Quando for grande quero ser um livreiro assim.
Jaime Bulhosa
Sábado, Agosto 1
Na montra

Débora Figueiredo
Carta a Bosie

Podemos agora, ler uma tradução da versão integral e correcta que foi publicada em 1962, no volume epistolar "The Letters of Oscar Wilde"com a publicação do livro "Carta a Bosie" de Oscar Wilde, edição Vega, e comovermo-nos com esta carta a que Albert Camus se referiu como "um dos mais belos livros que nasceram do sofrimento de um homem.".**








