quarta-feira, setembro 30

O sentido de todas as coisas


Para os jovens que procuram entender o mundo que os rodeia e buscam sabedoria, conhecimento ou, em resumo, o sentido de todas as coisas, uma das melhores maneiras de o poderem fazer é através da leitura. Ora, aqui começa a dúvida: ler o quê? Há quem afirme, como Italo Calvino ou Harold Bloom, entre outros, que devemos ler «os livros de onde vêm todos os outros livros» (pelo menos os da cultura ocidental). Isto é, os livros de sempre. Alguns dos nomes citados são os seguintes: Homero, Virgílio, Ovídio, Platão, Santo Agostinho, Dante, Chaucer, Camões, Shakespeare, Milton, Voltaire, Pascal, Racine, Dickens, Flaubert, Twain, Goethe, Tolstoi, Kafka, Borges, etc.
Esta ideia só tem um problema: rapidamente vamos constatar que, para entendermos na totalidade alguns dos livros que estes senhores escreveram, vamos ter de ler coisas que se escreveram sobre eles e, depois disso, relê-los. Meu Deus, mas isso leva uma vida inteira!, exclamamos nós. Ninguém disse que era fácil a demanda do sentido de todas as coisas. Como disse Calvino: «Não se lêem os clássicos por dever ou por respeito, mas só por amor. Salvo na escola.» Acrescento que não devemos tentar lê-los a todos, porque como, disse um dia um filósofo, «toda a experiência humana é um imenso livro do qual apenas temos tempo de ler alguns capítulos».
Perante isto, pensamos nós, bom mesmo, para nos facilitar a vida, era alguém ter sido capaz de escrever um livro possível de ler e onde estivesse escrito o sentido de todas a coisas. Houve até em tempos alguém que o fez - não, não é a Bíblia. Esta história está descrita num texto de Voltaire chamado Micromegas (vale a pena ler, até porque a dimensão da obra não é grande e, no entanto, o seu conteúdo é imenso). Este livro relata-nos a história de «um jovem de espírito de oito léguas de altura: entenda-se, por oito léguas, vinte mil passos geométricos de cinco pés cada um, que vivia num desses planetas que giram em volta da estrela de Sírio» e que, por mero acaso, veio parar ao minúsculo planeta Terra. Depois de algumas reflexões e muitas peripécias, que poderão apreciar quando lerem o livro, o jovem de espírito e de sabedoria gigante propôs-se escrever um livro em letra muito miúda, de maneira que os seres microscópicos chamados homens pudessem lê-lo, e onde estaria contido o sentido de todas as coisas. Este texto seria escrito para oferecer àqueles homens da Terra que achavam que sabiam o segredo de tudo e que tudo era feito unicamente para o homem. Feito isto, o livro O Sentido de Todas as Coisas foi levado como um tesouro para ser aberto apenas pelo secretário da Academia das Ciências de Paris. Qual não foi a surpresa quando este o abriu e viu apenas um livro em branco. «Ah! Bem que eu desconfiava…», disse ele.


Jaime Bulhosa

Indignação


Indignação é o vigésimo sétimo livro de Philip Roth, conta a história da educação do jovem Marcus Messner nas circunstâncias assustadoras e nas obstruções anómalas que a vida acarreta. É uma história de inexperiência, loucura, resistência intelectual, descoberta sexual, coragem e erro contada com toda a energia criativa e todo o engenho de que Roth é possuidor. É simultaneamente uma ruptura inesperada com as narrativas obsidiantes da velhice e suas experiências que são os seus livros mais recentes e um poderoso aditamento às investigações do autor sobre o impacto da história da América na vida do indivíduo vulnerável.
Edição: Dom Quixote
Autor: Philip Roth
Tradução: Francisco Agarez
Isbn:9789722038232
Pvp: 16.50€

terça-feira, setembro 29

Bestsellers religiosos


Bestsellers religiosos (livros onde figuram Cristo ou os seus apóstolos) têm estado, intermitentemente, no top de vendas dos Estados Unidos e alguns países da Europa, mas nunca no Irão, vá-se lá saber porquê.

Bem Hur (1880), Lew Wallace
Quo Vadis (1896), Henryk Sienkiewicz
In His Steps (1897), Charles M. Sheldon
The Big Fisherman (1942), Lloyd C. Douglas
The Robe (1943), Lloyd C. Douglas
Kingdom Come (2007), Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins

Os Meus Livros


A revista Os Meus Livros já está na blogosfera. A partir de agora, o Guia da Leitura marca também presença em http://oml.com.pt/blogs/

Na perspectiva do livreiro

Felizmente sou pai de três rapazes e muito provavelmente este livro não me aparecerá em casa. Mesmo que aparecesse, não seria morte de homem...
A Professora de Piano, de Janice Y.K. Lee, que eu não faço ideia de quem seja (pode até ser um pseudónimo de um escritor ou escritora famosa que necessita como os outros de vender para viver), é a última novidade da chancela Livros D’Hoje. Não vou tecer críticas à obra em causa, porque não a consigo ler, uma vez que o livro se encontra selado e, como se costuma dizer, «gostos não se discutem». Acontece que este livro vem envolto num plástico transparente que guarda uma preciosa oferta, uma flor para o cabelo (com ganchinho e tudo), como anuncia bem explícito um autocolante cor-de-rosa colado no dito plástico. Sob a perspectiva de livreiro, este tipo de produto de marketing (produto que se vende por todos os motivos e mais alguns excepto pela sua verdadeira finalidade) é óptimo, a não ser pelo facto de não o podermos aconselhar aos nossos clientes, uma vez que não o podemos folhear. Também não dá muito jeito para o expor nas mesas, porque a bem-dita flor não permite o seu empilhamento. Pouco mais posso dizer sobre este romance, salvo aquilo que o texto da contracapa permite deduzir: «Will Truesdale, um inglês recém-chegado a Hong Kong, mergulha numa relação apaixonada com Trudy Liang, uma bela socialite euro-asiática [tal e qual como a rapariga da capa].» Para quem tem filhas adolescentes: já sabe como pode conseguir uma flor de plástico para o cabelo por apenas 13.99 €.
-
Jaime Bulhosa

segunda-feira, setembro 28

Lançamento


O Poder da Música


Daniel Barenboim descreve de forma luminosa e vibrante uma vida dedicada à busca do conhecimento e da compreensão não apenas da música e da vida mas de uma atrvés da outra.
A orquestra do Divã Ocidental-Oriental, um dos projectos mais aclamados e inovadores de Barenboim, é um testemunho eloquente do poder que a música pode exercer sobre as nossas vidas. E revela de que modo a compreensão e a prática da música entre os jovens israelitas, palestinianos e árabes de outros países, no âmbito da orquestra, pode contribuir para fomentar a interdependência entre eles e, em última análise, para promover a paz entre todos os seres humanos.
---
«Este livro não é para músicos nem para não músicos; é para espíritos curiosos que tenham o desejo de descobrir os paralelos entre a música e a vida [...] O poder da música assenta na sua capacidade de falar a todos os aspectos do ser humano. em suma, a música ensina-nos que está tudo ligado.»
Daniel Barenboim
---

Título: Está tudo Ligado
Autor: Daniel Barenboim
Tradução: Francisco Agarez
Revisão: Sandra Pereira
Ediçâo: Bizâncio, 2009
ISBN:9789725304341
PVP: 15,00€
---
Daniel Barenboim nasceu em Buenos Aires em 1942; em 1952, mudou-se com a família para Israel. Debutou como pianista aos 7 anos e desde então tem tocado com, e dirigido, as principais orquestras do mundo.(...)
Tem sido distinguido em todo o mundo pelo seu trabalho em prol da paz no Médio Oriente. Em 1999, com o intelectual e académico palestiniano Edward Said, fundou a orquestra do Divã Ocidental-Oriental, que reúne jovens músicos de Israel e de países árabes, com o objectivo de fomentar o diálogo entre as várias culturas do Médio Oriente. em 2007, foi nomeado mensageiro da paz da ONU e recebeu a medalha de ouro da Royal Philhamonic Society, um dos galardões mais prestigiados da música clássica. (...)

sexta-feira, setembro 25

Finalmente depois de esperar 2666 dias


O mais longo poema


Parcelles D’espoir à L’echo de Ce Monde é supostamente o mais longo poema manuscrito moderno do mundo. Iniciado a 4 de Agosto de 2006, pelo seu autor o notário público francês Patrick Huet. É composto por 7547 versos e tem quase 1 km de comprimento, mais precisamente 994,1m. O poema assume a forma de um acróstico em que a iniciais de cada linha colectivamente formam os 30 artigos da Declaração dos Direitos do Homem de 1948.

Capítulos Soltos

Abriu uma nova livraria independente a Capítulos Soltos. Se viver em Braga ou passar por lá não esqueça de lhes fazer uma visita. Podem saber mais e ver fotografias da loja aqui.

Boa sorte.

quinta-feira, setembro 24

Borboletras


Chegaram finalmente os livros da colecção Borboletras da Caminho.
Esvoaçaram um bocadinho em frente à montra e lá resolveram entrar. Nós gostámos de os receber e agora passeiam escada acima, escada abaixo entre as estantes do infantil e a montra. O Aldo e a menina andam atrás das catatuas do Professor Baltazar, o Pinguim e o ursinho quase que adormeceram a contar peixes coloridos do "Viva O peixinho!" e a Handa foi com o bebé apanhar mais frutas para encher o cesto.
Entretanto e como as "borboletras" não são de grandes segredos, já nos contaram que vêm mais a caminho da Pó dos livros. Cá as esperamos.


Débora Figueiredo

No domingo vou votar, só não sei em que círculo



A Divina Comédia («Comédia» não porque tenha qualquer tipo de graça, mas porque termina bem, no Paraíso, e naquela época o termo usava-se em oposição à Tragédia) de Dante Alighieri é constituída por três partes: «O Inferno», «O Purgatório» e «O Paraíso». Deixemos as últimas duas partes e centremo-nos na primeira: O Inferno de Dante é constituído por Nove Círculos, onde se encontram Três Vales, Dez Fossos e Quatro Esferas. Essa organização foi baseada na teoria medieval de que o universo é formado por círculos concêntricos. Dante descreve-nos o Inferno como um cone invertido, localizado no interior da Terra. Os seus nove círculos estão dispostos uns sobre os outros de acordo com uma hierarquia de pecados, onde no início se encontram os pecadores menos graves e no fim, ou cada vez mais nas profundezas da terra, os pecadores mais graves. À medida que o poeta Virgílio acompanha Dante na descida pelos infernos, desde o primeiro círculo, O Limbo (círculo onde se encontram aqueles que nasceram antes de Cristo e os que não foram baptizados e que não são propriamente pecadores, mas também não podem ir para o Céu, pois não tiveram fé em Cristo), até ao nono e último círculo, onde se encontra Lúcifer; nós, leitores, vamos tomando consciência da diversidade e gravidade dos pecados e pecadores possíveis de encontrar.
O que é que isto tem que ver com o facto de eu ir votar no próximo domingo: nada, até porque não acredito no inferno de Dante. Contudo, não pude deixar de fazer algumas associações entre as almas condenadas de Dante e os nossos políticos do passado e do presente. Pondo de parte qualquer hipótese de eles poderem concorrer pelo Purgatório e muito menos pelo Paraíso, concluo que no domingo vou votar para um círculo do Inferno. Qual? Isso eu não sei.

-
Jaime Bulhosa

O Relatório de Brodeck


De regresso à sua aldeia, Brodeck retoma o seu antigo trabalho de escrivão. Um dia, um estrangeiro vai viver para a povoação, mas os seus modos e hábitos estranhos levantam suspeitas; o seu discurso é formal, faz longas e solitárias caminhadas e, apesar de ser extremamente cordial e educado, nada revela sobre si próprio. Quando o estrangeiro começa a retratar a aldeia e os seus habitantes em quadros pouco lisonjeiros mas perspicazes, os aldeãos matam-no. As autoridades, que assistiram impávidas ao linchamento, ordenam a Brodeck que escreva um relatório que branqueie o incidente. À medida que escreve o relatório oficial, Brodeck passa também para o papel a sua própria versão da verdade numa narrativa paralela. Numa prova ponderada e evocativa, ele entrelaça a história do estrangeiro na sua própria e dolorosa história e nos segredos sombrios que os habitantes da aldeia cuidadosamente escondem. Passado num tempo e lugar não definidos, O Relatório de Brodeck mistura o familiar com o desconhecido, mito e história, num romance poderoso e inesquecível.
-
Edição: ASA
Autor: Philippe Claudel
Tradução: Isabel ST. Aubyn
N.ºPág. 255
Isbn:9789892305783
Pvp: 14.50€

quarta-feira, setembro 23

Faz o que eu te digo, não faças o que eu faço.



Dez regras essenciais para ser um livreiro de sucesso:

1– Que as tuas despesas não sejam superiores a 15% das receitas.
2- Não tentes orientar a leitura dos teus clientes, deixa andar.
3- Quem compra um livro, compra dois.
4– Os bons livros são aqueles que se vendem.
5– Os livros devem apenas ser folheados e não lidos. Todo o conhecimento estorva a missão essencial da vida que é ganhar dinheiro.
6- Nunca contes o enredo de um livro a um cliente ou perdes uma venda.
7- Quando quiseres afastar alguém empresta-lhe dinheiro ou aconselha-lhe um bom livro
8- Não fies aos escritores e aos outros também não.
9– Um livro fica sempre bem em qualquer móvel.
10- Aos ladrões e aos santos todos os temas lhes interessam.


Héctor Yánover em Memorias de un Librero

Em tempo de eleições


- Queria um livro de Kafka?

- Qual é o título que deseja?

- Pode ser um qualquer, é só para perceber porque é que dizem que este país é Kafkiano.

Os Gropes

Desde a sua fundação no século XII por Awgard, o Pálido, um viking não excessivamente viril, o clã dos Gropes viveu governado, com proveito e mão de ferro, pelas mulheres. E eis que no início do terceiro milénio tudo muda, numa história sangrenta que envolve dinamite numa velha mina, matadouros faça-você-mesmo, vendedores dúbios de carros semi-novos, uma viagem de Londres a Barcelona via Riga, na Letónia, uma mãe particularmente extremosa, touros, porcos e até mesmo um Doppelganger…


Edição: Teorema
Autor: Tom Sharpe
Tradução:Luís Ruivo domingos
N.ºPág. 219
Isbn:9789726958727
Pvp:15.00€

terça-feira, setembro 22

Como é que passaste dos quarenta sem ter lido?...

Sou capaz de nomear, sem qualquer tipo de ajuda, centenas de nomes de livros importantes do século vinte. Do século dezanove, provavelmente, algumas dezenas. Do século dezoito, a coisa começa a ficar mais difícil e, assim de repente, lembro-me do Cândido, de Voltaire, de Jacques o Fatalista, de Diderot, A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, de Laurence Sterne, e de mais uns tantos, se me esforçar um pouco. A partir daqui, começo a abrir buracos temporais e lembro-me da Fedra de Racine, do Paraíso Perdido, de Milton, Dom Quixote, de Cervantes, Os Lusíadas, de Camões e Hamlet, de Shakespeare. Depois começo a saltar séculos: A Divina Comédia, de Dante, Confissões, de Santo Agostinho, a Eneida, de Virgílio, a Odisseia e a Ilíada, atribuídas a Homero. Dos milhões de livros que se escreveram desde a antiguidade clássica, apenas alguns ficaram na memória da história. O tempo é um filtro inexorável no que toca a seleccionar as obras de referência. Se pudesse viajar na máquina do tempo e saltar de repente para o século vinte e três, gostaria de poder perguntar a um homem comum títulos de livros importantes do século vinte. Aposto que ele não enumeraria mais do que dois ou três. Desafio a que me digam quais os livros importantes do século vinte, aqueles que ficarão na memória das sociedades futuras. Com um bocado de sorte até já os li e não necessitarei mais de ouvir: «Como é que passaste dos quarenta sem ter lido?…»
--
Jaime Bulhosa


segunda-feira, setembro 21

Jovens Corações

Michael Davenport e Lucy Blaine são um casal jovem e atraente. Michael formou-se em Harvard e tem a ambição de uma carreira literária; Lucy é bonita, discreta, culta e muito rica.
Recém-casados, mudam-se para Nova Iorque no início dos anos 1950. Michael trabalha no seu primeiro livro de poemas, enquanto sustenta a família com um medíocre emprego diurno - paradoxalmente, em nome da sua liberdade criativa, recusa-se a tocar no dinheiro da mulher. Nesses anos, em que a contracultura Beat começa a dar os primeiros sinais, Michael e Lucy descobrem, por acidente, a nova boémia artística nova-iorquina. Embora deslocados e inseguros face à sofisticação e licenciosidade deste leque de fascinantes possibilidades sociais, sabem que encontraram o que procuravam. Porém, o curso dos acontecimentos e das relações (incluindo a deles, Michael e Lucy Davvenport) deixá-los-á sempre algo aquém das suas expectativas.
Jovens Corações em Lágrimas demostra mais uma vez a inegualável mestria de Richard Yates, o grande cronista do sonho Americano e das suas depressões.



Título: Jovens Corações em Lágrimas
Autor: Richard Yates
Tradução: Miguel de Castro Henriques
Revisão: Carlos Pinheiro
Capa: Rui Rodrigues, a partir de Hotel Room de Edward Hopper
Edição: Quetzal Editores, 2009
ISBN: 978925648155
PVP: 25,95€

sexta-feira, setembro 18

Qual o pior início de um romance?


Quem sabe destas coisas (não é o meu caso) diz que para se escrever um livro, principalmente um romance, é necessário respeitar uma série de regras básicas que não podem nunca ser menosprezadas (também convém ter algum talento). Essas regras variam um pouco conforme os autores. No entanto, uma delas está sempre presente: o primeiro parágrafo ou frase de arranque do livro é essencial para o seu sucesso. Um mau começo pode afastar, desde logo, os leitores. Para terem uma ideia, deixo-vos alguns exemplos reais de inícios de livros no mínimo duvidosos:

«Ele cheirava a carne de porco. A carne de porco podre, de facto, muito.»

«A sua flatulência levantava-o como um garanhão orgulhoso.»

«Desde que me conheço como gente que tenho hemorróidas.»

«Embora flanqueada por dois soldados espadaúdos e morenos, Paula desviou o seu olhar para o saxofonista gordinho.»

«Robert era novo nestas coisas da prisão, e sentiu-se assustado, confuso. Mas no momento em que ele pôs os olhos em 472825994, tornou-se um prisioneiro do amor.»

«Nicole deixou cair dos seus ombros a blusa de seda que envolveu a perna esquerda de James, que, habilmente, cortou um pedaço de queijo.»

«O cabelo de Scarlet era vermelho como as minhas persistentes feridas gangrenadas.»

«As ondas pesadas no vasto oceano de tinta preta enviaram um borrifo salgado sobre a proa do navio de três mastros, deixando gotas de água sobre a pele de alabastro, exposta acima do corpete da mulher alta. Reven ficou chorando no convés as suas lágrimas salgadas, misturando-as com a tempestade do mar.»

«Sim, ela era uma mulher que tinha sido homem, mas ela ainda sabia como piscar as suas pestanas.»

«Ele agarrou o meu sutiã como um Concord que levanta voo, mas eu não estava preparada para o amor.»


Jaime Bulhosa

Os Grandes Livros

A Odisseia, a Divina Comédia, os Lusíadas - a grande literatura pode ser lida por todos nós, com uma pequena ajuda. Numa viagem fascinante ao longo de 2500 anos, Anthony O’Hear mostra-nos o caminho, na companhia de livros tão poderosos, emocionantes e cheios de erotismo como qualquer best-seller moderno.Começamos por Homero, o pai da literatura ocidental. Depois, a tragédia grega, Platão, a Eneida de Virgílio e as Metamorfoses de Ovídio, fonte inesgotável de inspiração para a literatura e as artes plásticas europeias.Através de Santo Agostinho passamos à Divina Comédia de Dante, um desvio ao mesmo tempo tenebroso e sublime pelo Inferno e pelo Purgatório, terminando na sua arrebatada visão do Paraíso. Chaucer, Camões, Shakespeare, Cervantes, Milton, Pascal, Racine e Goethe completam a tábua das personagens desta história fabulosa. Em qualquer dos casos, O’Hear traça um esboço paciente dos seus temas, aborda passagens cruciais e explica a importância imorredoura destas obras.Mais do que uma grande obra de referência, esta é também uma história narrativa contada com um profundo amor pela literatura - e uma crença inabalável na sua capacidade de inspirar e enriquecer os nossos mundos.

Edição: Aletheia
Autor: Anthony O’Hear
Tradução: Maria José Figueiredo
N.º Pág. 517
Isbn:9789896221737
Pvp: 19.00 €


quinta-feira, setembro 17

Ufa!


Entra uma senhora já com alguma idade:
- Qual é a parvoíce que você me vai aconselhar para ler desta vez?
- (Atrapalhado) Desculpe, qual foi mesmo o livro que eu lhe aconselhei?
- O Sexus do Henry Miller.
- E não gostou?
- Eu não disse isso.
Jaime Bulhosa

Página web Caderno Afegão

Fotografias, sinopse da obra e biografia da autora, disponíveis no website promovido pela editora. Caderno Afegão é o mais recente título da colecção de viagens da Tinta-da-China, coordenada por Carlos Vaz Marques

A melhor frase sobre sexo na literatura

«Sexual intercourse began in nineteen sixty three.»
(which was rather late for me)

Philip Larkin in Annus Mirabilis

quarta-feira, setembro 16

Nick Cave e David Byrne

Nick Cave – A Morte de Bunny Munro

«Depois do suicídio da mulher, Bunny Munro, caixeiro-viajante, parte com o filho numa viagem pela costa sul de Inglaterra e cedo descobre que tem os dias contados. Mais do que para vender cosméticos, Bunny viaja em busca da sua alma.»

Edição: Alfaguara
Autor: Nick Cave
N.º Pág. 290
Isbn: 9789896720063
Pvp:16.50 €



David Byrne – Bicycle Diaries

«Desde do início da década de 80, David Byrne elegeu a bicicleta como o seu principal meio de transporte na cidade de Nova Iorque. Duas décadas depois descobre a bicicleta articulada e começa a levá-la com ele em tournée. Neste livro David Byrne descreve-nos, através da sua bicicleta, as várias cidades do mundo por onde passou. Com uma mistura muito pessoal de humor e curiosidade, David Byrne regista os seus pensamentos sobre a globalização, world Music, planeamento urbano, moda, política, arquitectura e desenvolvimento cultural.»

Edição: faber and faber
Autor: David Byrne
N.º Pág. 297
Isbn:9780571241026
Pvp: 15.00 €

terça-feira, setembro 15

Caderno Afegão




«Este livro é um acto de coragem. É um acto de optimismo, também. Paul Theroux explica na introdução a "O Velho Expresso da Patagónia" que "os viajantes são essencialmente optimistas, ou então nunca iriam a lado nenhum". É esse optimismo que permite a Alexandra Lucas Coelho afastar quaisquer receios com uma espécie de fatalismo paradoxalmente empreendedor: "não há nada a fazer". Mesmo quando por instantes se lhe infiltra na mente a dúvida acerca do desconhecido que a certa altura a transporta, sabe-se lá para onde, numa terra onde "um estrangeiro é um acepipe". "Não há nada a fazer." E a viagem continua. Vamos com ela aos jardins de Babur. Descobrimos com ela – num país masculino, onde até na morgue há frigoríficos distintos para os cadáveres de homens e mulheres – a herança da extraordinária rainha Gowar Shad. Mergulhamos o olhar no azul intenso de Band-e-Amir, um milagre atribuído a Ali, primo e genro do Profeta, que continua a proporcionar a quem o visita os bens mais escassos num país em guerra: tranquilidade e alegria.Aquilo que aqui, a ocidente, a milhares de quilómetros de distância, é apenas um borrão sem nome, uma massa de ideias vagas e de lugares-comuns, geopolítica e geoestratégia, toma a forma de gente concreta, ganha contornos, espessura, rosto. O facto de Alexandra Lucas Coelho escrever tão bem faz o resto. É o meio de transporte em que viajamos por um lugar aonde, é quase certo, nunca iríamos de outro modo.»

Carlos Vaz Marques

Edição: tinta-da-china
Autor: alexandra Lucas Coelho
Tema: Literatura de Viagens
Prefácio: Carlos Vaz Marques
Coordenação: Carlos Vaz Marques
1.ª edição: Setembro de 2009
N.º de páginas: 336
Formato: 14.5x20 cm
Isbn: 9789896710071
pvp: 17.90 €

sábado, setembro 12

Especialistas

Um dos maiores receios que tenho, enquanto estou, no exercício da minha actividade de livreiro é a possibilidade, constante, de ser confrontado com a minha ignorância. Em todas as actividades existem especialistas: aqueles que conhecem o que mais ninguém conhece. Nas livrarias aparecem três tipos de especialistas: os que procuram os livros raros, os que procuram os livros extremamente raros e os que procuram os livros não publicados. É precisamente este último tipo de especialista que mais me assusta. Os outros dois tipos, por mais complicados que sejam os seus pedidos, necessariamente, acabarei por ter uma resposta.

- Queria Viagens na Minha Terra, de Eça de Queirós.
- Queria os Contos Completos. – De quem? - Há mais do que um com o mesmo título?
- Queria a Antologia. - Antologia do quê? - Há muitas é?...
- Queria a Bíblia Anarquista.
- Queria a Bíblia Não Ficcionada.
- Queria o livro escrito por Jesus Cristo. - Será a Bíblia? - não, é qualquer coisa como: Este Jesus Cristo Que Vos Fala, de Alexandra Solnado.
- Queria um livro que me explique porque é que o meu filho me odeia.
- Queria um livro que me explique porque que é que o meu marido se apaixonou pela secretária.
- Queria o livro Como Ganhar o Euromilhões.
- Queria A Mente do Poder. - Não será O Poder da Mente? - Não, esse eu já tenho.
- Queria Os Pássaros Fritos, - não será Os Pássaros Feridos?
- Queria o Jerusalém, de Mia Couto. - Não será o Jesusalém?
- Queria o livro Não Sei – Não sabe o quê? - Não Sei! - Isso, já sei que não sabe! - Não sei é o título do livro!?... - Eu sei lá!?... - Isso mesmo!
- Queria O Gato Marado e a Andorinha Sei Lá - Não será O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado?
- Queria um livro sobre imitações. – Como de imitações? – Sim, para aprender a imitar passarinhos… e essas coisas.
- Queria um livro das Origens. – Origens do quê? - Das minhas origens.

Jaime Bulhosa

sexta-feira, setembro 11

Porque ler é muito importante

- Filho tens que ler mais, ler é muito importante.

- Pai! Se ler é assim tão importante, porque é que nunca vejo ninguém na televisão a fazê-lo?


Livreiro anónimo pai.

quinta-feira, setembro 10

Hoje a Pó dos livros está...


Obrigado a todos

Para verdadeiros cinéfilos.

Existem milhões e milhões de livros escritos e a grande maioria foi escrita apenas nos últimos 150 anos da história da humanidade. É verdade que muitos também se perderam para todo o sempre e alguns não fizeram falta nenhuma. Talvez não exista nenhuma área do conhecimento humano sobre a qual não haja pelo menos um livro escrito. Tanto assim é que há quem se dedique a escrever livros sobre assuntos obscuros e bizarros (podem ver aqui neste post alguns exemplos). Por este facto, por mais que conheça livros, há sempre mais um que me consegue supreender. O último é um livro para verdadeiros cinéfilos:

CLUCK!: The True Story of Chickens in The Cinema, de Jon-Stephen Fink, Virgin Books, 1981. Finalmente, para todos os cinéfilos, uma completa filmografia ilustrada de todos os filmes onde as galinhas vivas, mortas ou cozinhadas aparecem (incluindo todos os filmes onde a palavra “galinha”, assada, frita ou guisada, é mencionada).
-
Jaime Bulhosa

Uma ideia optimista

OS SERES HUMANOS SÃO DIFERENTES DAS SUAS ESPÉCIES ANTEPASSADAS

Agora que nos afastámos do nosso caminho as falsas noções de “Deus”, enfrentamos a questão da qual ele nos protegia: Se os seres humanos não são a “espécie escolhida”, seremos pelo menos capazes de transcender a natureza da qual emergimos?
A nossa inclinação mais natural deveria ser a de nos matarmos uns aos outros de uma forma ou de outra. Desde o plâncton até aos paquidermes, o mito da natureza como uma colaboração sustentável e afectuosa é tão absurdo como o mito de um Criador.
A menos que nos revelemos diferentes de todas as outras espécies, continuaremos a competir com os outros habitantes do planeta por uma parcela desproporcionada dos seus recursos – e a competir entre nós pelos despojos desta guerra em curso. É assim a vida.
Acredito que os seres humanos podem ser diferentes das espécies antepassadas e as infindáveis comparações entre o comportamento humano e o comportamento das outras espécies são, em última análise, enganadoras. E espero que o facto de as colónias de esponjas fazerem guerras intermináveis com as colónias de outra cor não signifique que os humanos estejam condenados a fazer o mesmo.
Estou optimista porque acredito que, tendo-se libertado do mito do significado intrínseco, os seres humanos conseguirão alcançar a capacidade de gerar sentido, e que esta capacidade única nos dê a oportunidade de desobedecermos às ordens da biologia.

Douglas Rushkoff, analista de media, guionista de documentários e autor de Get Back in the Box: Innovation fom the Inside Out.
Ideias Optimistas, Coordenação John Brockman uma edição tinta-da-china

O Tambor de Lata

O dia do seu terceiro aniversário é uma data decisiva na vida de Oskar, o pequeno que não queria crescer. Não só é o dia em que toma a decisão de deixar de crescer, mas é também quando recebe o seu primeiro tambor de lata, objecto que se converterá num companheiro inseparável num percurso em que ecoam os compassos da história alemã antes e depois da II Guerra Mundial. A crítica mordaz, a ironia desapiedada, o humor corrosivo e a liberdade criadora com que Günter Grass constrói esta obra-prima tornam O Tambor de Lata num dos livros mais importantes da história da literatura.
-
Edição: Dom Quixote
Autor: Günter Grass
N.º Pág. 696
ISBN: 9789722032223
PVP: 22.99€

quarta-feira, setembro 9

Os Dabney - Coord. Maria Filomena Mónica


Em 1806, a família Dabney desembarcou nos Açores, mais especificamente na ilha do Faial, onde o patriarca desempenharia a função de cônsul. A actividade diplomática andou a par dos negócios e do comércio, da filantropia também, e os Dabney integraram-se rapidamente na comunidade açoriana, abandonando o arquipélago apenas em 1892. No período de um século, esta família protestante foi o eixo de um dinamismo cultural que envolveu o convívio e a correspondência com diversas personalidades da época. A testemunhá-lo, o riquíssimo espólio de cartas, diários e outros documentos coligidos por Roxana Dabney. A presente antologia reúne textos que hoje se revestem do maior interesse e eloquência, constituindo a visão estrangeira e esclarecida a partir da qual Maria Filomena Mónica traça um retrato da sociedade insular no século XIX.
-
Edição: tinta da china
Coordenação: Maria Filomena Mónica
N.º Pág. 541 - Encadernado
ISBN: 9789896710064
Pvp: 23.90 €

terça-feira, setembro 8

Os cinco maiores romances de sempre


Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust – 3.000.000 de palavras
Atlas Shrugged, Ayn Rand – 645.000 palavras
Guerra e Paz, Lev Tolstoy – 560.000 palavras
Infinite Jest, David Wallace – 479.198 palavras
O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas – 464.234 palavras
--
Jaime Bulhosa

segunda-feira, setembro 7

A Música da Fome


Ethel Brun é filha de um casal de exilados, formado por Justine e Alexandre, um homem afável e irrequieto que muito jovem deixou a ilha Maurícia e que, na alegre Paris dos anos 20 e 30, se dedica a delapidar a herança em negócios pouco recomendáveis. Na infância, o único prazer de Ethel é passear pela cidade com o seu tio-avô, o excêntrico Samuel Soliman, que sonha ir viver para o pavilhão da Índia Francesa construído para a Exposição Colonial. E, na adolescência, Ethel conhecerá algo parecido com a amizade pela mão de Xenia, uma colega de escola, vítima da Revolução Russa e que vive quase na miséria.
O bem-estar de Ethel começa a resvalar quando, nas refeições que o seu pai oferece a parentes e conhecidos, se repete cada vez mais o nome de Hitler. Serão os primeiros sinais do que ameaça a família Brun: a ruína, a guerra, mas, sobretudo, a fome. Ela marcará o despertar da jovem Ethel para a dor e o vazio, mas também para o amor, num romance em torno das origens perdidas, durante uma época que culminou com um apocalipse anunciado.


Editor: Dom Quixote
Autor: Le Clézio
Título: A Música da Fome
ISBN: 978-972-20-3825-6
Páginas: 192
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm
Colecção: Ficção Universal
PVP: 15.00€

quarta-feira, setembro 2

Livros abandonados...

De acordo com um inquérito realizado por uma revista Inglesa de consultório de dentista (não me perguntem o nome da revista, porque tirei nota de tudo menos do nome da bendita), vinha uma lista dos dez livros que mais vezes terão sido abandonados a meio da leitura:

1- Harry Potter and the Goblet of Fire, J.K. Rowling
2- Ulysses, James Joyce
3- Vernon God Litle, D.B.C. Pierre
4- Captain Corelli’s Mandolin, Louis de Bernière
5- Cloud Atlas, David Mitchell
6- The Satanic Verses, Salman Rushdie
7- The Alchemist, Paulo Coelho
8- War and Peace, Lev Tolstoy
9- The god of Small Things, Arundhati Roy
10- Crime and Punishment, Fyodor Dostoievsky

Nota: A maior parte destes livros são frequentemente citados como sendo dos melhores e mais lidos de sempre.
-
Jaime Bulhosa

Uma História da Guerra

Mais um livro de referência em edição de bolso:
-
«Eloquente e enciclopédico, John Keegan percorre a história dos conflitos da humanidade, caracterizando diferentes épocas e sociedades. Desde os rituais de combate da Idade da Pedra até à destruição em massa dos tempos modernos, passando pela organização das legiões romanas, pelo ideal de luta do Islão ou pela incontida violência dos cavaleiros das estepes, Keegan revela-nos os diversos modelos da prática de guerra, a par das grandes inovações da tecnologia militar: a descoberta do bronze e do ferro, a domesticação do cavalo, o carro de guerra e a arte da cavalaria, a introdução da pólvora e as armas de destruição maciça.»
-
Edição: tinta-da-china
Título: Uma História da Guerra
Autor: John Keegan
ISBN: 9789896710088
PVP: 12.90€

terça-feira, setembro 1

Cinco livros para levar para outro planeta


- Dicionário Português-Inglês

- O Príncipe de Nicolau Maquievel

- Jacques o Fatalista de Denis Diderot

- O Ninho de Víboras de François Mauriac

- How to Start Your Own Country de Erwin S. Strauss


Jaime Bulhosa