quarta-feira, fevereiro 10

O monge


- Já li Homero, Platão, Dante, Milton, Shakespeare, Camões, Pascal, Montesquieu, Voltaire, Dickens, Balzac, Zola, Dostoiévsky, Tolstói, Kafka, Pessoa, Sartre, Foucault, Roth, sei lá, e tantos outros, mas continuo um ignorante.
- Isso é impossível!...
- A sério. Quanto mais leio menos sei!

Quando o velho monge espanhol, enclausurado no seu quarto do mosteiro despojado e nu de qualquer conforto, depois de ter levado a vida mais santa e regrada que se pode imaginar, pressentindo o chamamento da morte, se coloca de joelhos e reza - «Senhor, em termos de humildade, venha quem vier que eu não temo ninguém.» -, logo ouve uma voz a perguntar-lhe, vinda das paredes ao lado (aquilo que julga ser a voz do Eterno): «Porque presumes tu com tanta vaidade que nessa matéria és melhor que os outros?»


Livreiro anónimo lidando mal com a falsa modéstia.

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