quinta-feira, fevereiro 11

A Rua da Estrada



A Rua da Estrada emerge sobre os escombros da dupla perda da “cidade” e do “campo”. Da cidade, ficou a representação comum de uma sociedade plural e intensa num território densamente construído e com limites definidos, um "interior” confinado, rodeado pelos espaços ditos naturais, da floresta ou da agricultura. Do lado de fora, guarda-se a imagem de um espaço rural, habitado por visões do mundo fechadas sobre si e sobre poderosas identidades. Nada mais falso. As transformações dos campos são tão radicais como as transformações das cidades. Hoje a urbanização progride de a um ritmo avassalador e já não está exclusivamente dependente da aglomeração e da proximidade física. As infraestruturas percorrem territórios imensos que tornam possível um sem número de padrões de localização. Construções e formas de organização social. O urbano é um "exterior” desconfinado e instável, por contraposição à imagem da cidade amuralhada.
A Rua da Estrada é a imagem perfeita desta metamorfose. Mais do que lugar, ela emerge como resultado da relação, do movimento. O fluxo intenso que a percorre e o seu melhor trunfo e a sua própria justificação. Sem fluxo não há troca nem relação. Génese primordial da velha cidade. Dizia alguém explicando as manobras de sedução que praticava para tornar o seu negócio visível para quem vai na estrada: O problema é fazê-los parar.

Álvaro Domingues (Melgaço, 1959), geógrafo, formou-se na Faculdade de letras da Universidade do Porto em 1981. É professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.
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Edição: Dafne
Autor: Álvaro Domingues
n.ºpág.: 257
Fotografias: Álvaro Domingues
Isbn:9789898217066
pvp: 17.00€

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