quinta-feira, fevereiro 18

A última palavra


Há pessoas que para esconder a sua ignorância desenvolvem uma capacidade de resposta assinalável. Eu conheci um livreiro que achava que metade do mundo andava a enganar a outra metade e fazia questão de ter sempre a última palavra.

- Por favor, eu queria Le Requiem, de Jean Cocteau?

Passado um momento.

- Aqui tem.

- Desculpe! Eu não pedi Le Requim, de Jean-Michele Cousteau.

- Desculpe mas pediu!

O cliente irritado.

- Não! Eu pedi o poeta, romancista, dramaturgo e artista Jean Cocteau, não o Oceanógrafo.

- E eu tenho culpa que você tenha uma péssima pronúncia.


Jaime Bulhosa

3 comentários:

Ana C. Nunes disse...

Se eu fosse livreira, imagino que me acontecesse algo semelhante, porque também tenho a mania de dar sempre a última palavra. Mas o cliente, esse, nunca mais deve ter voltado à loja em questão.

Esparsa disse...

Esta cena faz-me lembrar uma outra que me foi contada por um amigo meu e que me relatou o seguinte: um tipo qualquer armado ao pingarelho, resolveu entrar no velhinho, e mui pitoresco, café-bar Estádio e pedir a um dos seus sempre extenuados, impacientes e carrancudos empregados, nada menos que um Bloody Mary. O empregado anuiu prontamente com um grunhido e, passados alguns segundos, tornou ao cliente e (literalmente) lhe atirou com um copo para cima do balcão, dizendo:
- Aqui está o Brandy Mel!


ps- para quem não sabe o café-bar Estádio (impossível para mim de descrever aqui em tão poucas palavras) fica no bairro alto perto do largo da Trindade, se não me falha a geografia

C.M. disse...

Cliente "perdu"...