sexta-feira, março 19

Bullying, inspiração literária


Embora esta história nada tenha que ver com livros, é inspiração para literatura - e da melhor.
Um dia destes, fui passear com o Vasco. Depois de o ir buscar à escola, parámos num parque infantil ali perto. Encontravam-se lá muitas outras crianças a brincar, na sua maioria entre os três e os cinco anos de idade. De repente, uma mãe, furibunda, com uma criança dos seus dois ou três anos ao colo a chorar, grita:

- Qual de vocês deu um estalo ao meu filho?
Em todo o parque se fez silêncio. As crianças, ingénuas e assustadas, em uníssono:
- Eu não fui! Não fui eu! Nhã foi Antónhio…
Até que uma diz, quase com as lágrimas nos olhos:
- Fui eu…
A "mãe" da criança ofendida, muito alterada, levanta a voz e, dirigindo-se para criança de quatro anos que se tinha acusado, como se falasse para um adulto, diz:
- Ouve lá! Queres levar também um murro?
Entretanto, uma senhora que tomava conta do Rodrigo (o culpado e futuro arguido) intervém:
- Desculpe, mas não devia dar tanta importância ao assunto. Afinal, trata-se de duas crianças.
A mãe, sem condescendência de nenhum tipo, atira:
- Eu trabalho com crianças e sei muito bem o que digo. Isto trata-se de um caso de bullying!
- E você é uma idiota e anda a ver muita televisão!
- Ai sim! Ainda por cima ofende-me… Fique sabendo que vou chamar a polícia!
Fiquei para ver. E não é que chamou mesmo...

Nota: Uma amiga juíza, quando lhe contei este episódio, falou-me de como os tribunais portugueses estão entupidos de casos deste tipo, de pura estupidez.
Jaime Bulhosa

3 comentários:

Anônimo disse...

SOCORRO! estamos onde? perderam a noção dos limites?

R. disse...

Ainda por cima "trabalha com crianças". Assustador...

Anônimo disse...

trabalho num centro cultural e este sábado houve um concerto para bebés e como é habitual os cantores antes do espectáculo, de forma cantada, explicam qual deve ser o comportamento dos pais durante todo o espectáculo. Uma das minhas colegas, que é nova, por lá, ficou muito espantada com isso. Ela com certeza irá entender, com o tempo, que é bem mais fácil "controlar" os bebés do que os pais e que muitas vezes são os pais que precisam de ser "educados". Este episódio corrobora com o que vamos vendo até nos sítios e com as menos improváveis. lamentavelmente.