sexta-feira, julho 24

Os livros, objectos insondáveis



Como as mulheres que andam sempre acompanhadas com as suas malas de mão, cheias de objectos estranhos tão insondáveis como tentar conhecer a razão por que Eva comeu a maçã e que levam os homens a tentar adivinhar para que servem, assim andava eu, enquanto criança, curioso por saber por que razão andava o meu pai sempre com um ou dois livros debaixo do braço. Carregava-os para todo o lado, nos transportes públicos, para o trabalho, para a sala de espera do dentista, para o futebol, para a praia, para a repartição de finanças, para a casa de banho, para a cama, enfim, para todo o lado. Perguntei-lhe a razão. Disse-me: «A qualquer altura do dia pode surgir um momento, uma necessidade, um tempo livre para ler.» E acrescentava: «Quem gosta de se instruir nunca é ocioso. Ler é a melhor forma que conheço para confirmar a primeira e evitar o segundo».

Jaime Bulhosa

12 comentários:

Anônimo disse...

Sou mulher a ando sempre com um livro na mala, logo não andamos todas "cheias de objectos estranhos"...

CJ disse...

Eu sou a junção das duas realidades apresentadas, ando quase sempre com uma mala na qual transporto 3 ou 4 livros, e sempre caderninho e canetas. Se me questionarem sobre as razões desta prática, sinceramente não consigo explicar, é uma necessidade de ter sermpre comigo "material" que me permita fazer duas das coisas que mais gosto na vida.
Enfim, só tenho pena que muitas pessoas não se façam acompanhar sequer de um livrinho.

Fernando Frazão disse...

Recomendo algum cuidado à CJ porque se anda com 3 ou 4 livros mais um caderninho e canetas na mala mais cedo do que tarde vai ter problemas de coluna.
Não é suposto a cultura trazer esse tipo de problemas
Para os evitar, mesmo correndo o rico de parecer muito burguês, trago sempre mais livros do que quatro, mais jornais e revistas no banco do pendura do carro.
Sempre que saio selecciono um deles e leio.
Claro que isso me traz problemas quando alguém se senta ao meu lado e normalmente me admoesta dizendo que "o teu carro está um nojo".
Invarialvelmente respondo torto.
Melhor companhia não há.

Anônimo disse...

Sou mulher e às vezes penso que "carrego" o meu mundo dentro da minha mala. Desse mundo fazem parte os livros. Sou como o seu pai: não dou um passo, seja para onde for, até ao super mercado, a pensar nas filas para pagar, que não leve um livro comigo. :)

C.

Cassandra disse...

Tenho todos os cantos da minha vida cheios de livros. Até consigo gostar das salas de espera dos consultórios...ponho a leitura em dia. Quando vejo uma casa sem livros espalhados, fico sempre desapontada...

Pó dos Livros disse...

Cassandra,

Isso mesmo. Uma casa sem livros espalhados não é casa. ;)

Jaime

Patty disse...

Para além de passear normalmente os meus livros, não há sitio onde vá com os rapazes, já a entrar na adolescência, que não vá tudo de livro debaixo do braço.
E normalmente somos alvo de olhares desconfiados, os outros a olhar para o ar ou para as Nintendos, nós a ler calmamente, a partilhar piadas ou alguma frase mais interessante.
E fico muito orgulhosa por passar os meus vícios à descendência!

CJ disse...

Caro Fernando, bem observado...mas já tenho problemas de coluna. Isto já deve vir dos tempos de escola, em que tinha que carregar com uma mala cheia de livros pesadérrimos.
As nossas malas, os nossos carros, as nossas casas, dizem muito daquilo que somos, por isso quando entro num carro em que seja difícil encontrar lugar para sentar devido à quantidade de livros e Cd's, sinto-me muito melhor, num ambiente mais próximo, do que ao entrar num carro todo arrumadinho e vazio de cultura.

Vera disse...

Comigo andam sempre livros :-)

desidério disse...

A livraria é excelente, mas o blog não fica atrás.

Parabéns e força para continuar

bea disse...

Concordo com a máxima de seu pai. O livro é boa companhia. Além do mais que ele apontava, fala sem barulho algum, propicia um silêncio de vida.

Celeste Silveira disse...

Comigo andam sempre livros. Tenho vergonha de dizer com quantos ando atrás. É que aquilo tem uma ordem... e sabe-se lá quando eu é que eu possa ficar retida em algum sítio e ficar privada de leitura? Enfim... Já para não falar na carrada de livros que levo de férias. Que muitas vezes quase chegam à metade do peso máximo que se pode levar de bagagem... gostava de ser diferente, pois gostava, mas já não consigo!