
- Procuro um livro.
- Que livro é que procura?
- Um livro para ler...
- Pois, calculo que sim.
- O pior é que não me lembro do título.
- E de que é trata, mais ou menos?
- É sobre uma rapariga, coitadinha, que nasceu num país islâmico, casada à força pela família. Aos dezoito anos, tornou-se na quarta mulher de um homem de cinquenta e dois anos. Em quinze anos, teve oito filhos. A vida desta mulher não tem qualquer valor. Deixada pelo marido é apanhada pelas redes de tráfico sexual e a sua vida transforma-se num caos de violência e escravatura. Sem perceber porquê é levada para a prisão de Twhid, cenário de um calvário que se prolongaria muito para além dos três meses previstos de encarceramento…
- Espere aí, espere aí! – Interrompe o livreiro, a já longa descrição. – Não se lembra do título, mas também não tem a mínima importância. Pelo resumo, saídos apenas este ano, consigo-lhe mais de 20 títulos, com exactamente a mesma história. Só varia o título, a autora e a editora. Que me diz?...
- Que livro é que procura?
- Um livro para ler...
- Pois, calculo que sim.
- O pior é que não me lembro do título.
- E de que é trata, mais ou menos?
- É sobre uma rapariga, coitadinha, que nasceu num país islâmico, casada à força pela família. Aos dezoito anos, tornou-se na quarta mulher de um homem de cinquenta e dois anos. Em quinze anos, teve oito filhos. A vida desta mulher não tem qualquer valor. Deixada pelo marido é apanhada pelas redes de tráfico sexual e a sua vida transforma-se num caos de violência e escravatura. Sem perceber porquê é levada para a prisão de Twhid, cenário de um calvário que se prolongaria muito para além dos três meses previstos de encarceramento…
- Espere aí, espere aí! – Interrompe o livreiro, a já longa descrição. – Não se lembra do título, mas também não tem a mínima importância. Pelo resumo, saídos apenas este ano, consigo-lhe mais de 20 títulos, com exactamente a mesma história. Só varia o título, a autora e a editora. Que me diz?...
6 comentários:
A Tereza Coelho chamava-lhes os livros das "casadas vivas"...
Maria João,
Muito bom! ehehehe.
Jaime
Eh, João, tiraste-me as palavras das pontas dos dedos! Ao ler isto foi logo do que me lembrei, da Tereza...
Bom, não sei se era para rir, mas dei uma forte gargalhada :P
Seve disse...
Conheceram vocês as mulheres alentejanas dos anos 50, 60, 70 ....mulheres do povo, claro, não as mulheres dos "donos" do povo...
trabalhei numa editora em que havia um vasto catálogo de d"desgraçadinhas", era o que lhes chamávamos... mas o texto está muito gráfico, as coisas são mesmo assim...
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