sexta-feira, maio 21

Feira do Livro de Lisboa: esticar, esticar

Nós entendemos que os protestos dos pequenos livreiros (feitos aqui, aqui e aqui) sobre a decisão da APEL de prolongar mais uma semana a data de fecho da Feira do Livro de Lisboa não tenham chegado às televisões, aos jornais e às revistas, e a ver vamos se chegam às revistas sobre livros. Porém, custa-nos muito mais entender que não tenham chegado aos blogues ditos da «especialidade». Bem vistas as coisas, o protesto até chegou aos ouvidos de quem se visava. Quanto aos blogues da especialidade, que até agora, incompreensivelmente, fizeram silêncio sobre o assunto, só eles saberão quais os seus critérios editoriais. Sobre este tema, gostaríamos de chamar a atenção para o oportuno artigo (de onde retiramos o título do post) da jornalista Sara Figueiredo Costa, no blogue Cadeirão Voltaire.

5 comentários:

Anônimo disse...

Sabe o que acho mais incompreensível? Que editores e livreiros permitam que uma entidade como a APEL represente os seus interesses.Isso sim, é que acho incompreensível.

Anónimo que tem todo o interesse em manter o anonimato

Anônimo disse...

Um DEBATE NECESSÁRIO E URGENTE que seguimos e partilhamos com muito interesse. Dissemos NÃO ao prolongamento da Feira do Livro de Lisboa, bem como à happy hour, por respeito aos livreiros com quem sempre contámos e queremos continuar a contar. Estamos no seu prolongamento, apesar do mail da APEL a "permitir" (ao que isto chegou!) que fechássemos antes da nova data de encerramento geral, pelo muito respeito que nos merecem os nossos leitores.

Luís Guerra
(director comercial / Assírio & Alvim)

Rui Pedro Lérias disse...

Caro Luís Guerra,

Tretas. De boas intenções está o inferno cheio.

A Assírio e a Antígona, por exemplo, deveriam ter sido coerentes com a sua opinião e simplesmente fechado as portas na data prevista. Respeito pelos leitores é tornar possível que haja uma rede de distribuição de livros por todo o país aberta todo o ano.

E os livreiros deviam fazer uma lista das editoras que não foram à feira do livro ou que não entraram em descontos loucos e começar a favorecer os seus estoques.

As livrarias têm sido demasiado passivas nisto tudo. Eu, que abri uma nova loja, em parte livraria especializada, percebi bem o recado das editoras portuguesas e estou a investir em estoque espanhol, inglês e em breve francês. Só um louco investe exclusivamente em vender artigos de um distribuidor que vende muito mais barato ao lado. Sejam livros, seja o que for.

As editoras perderam a noção da realidade. As livrarias têm, em bons momentos, margens de lucro anual de 2 a 3%. O mês da feira do livro é suficiente para as levar ao prejuízo.

Claro que é positivo que tenha a noção do que estão a fazer - ao contrário da maioria das editoras. Mas, a meu ver, não chega.

Pedro Lérias

Rui Pedro Lérias disse...

Quanto ao silêncio do eixo FJViegas - Blogtailors - etc, etc. - só surpreende quem se quiser supreender.

Foi ler o FJV na sua coluna do Correio da Manhã a elogiar o alargamento da feira por mais uma semana, sem mas nem talvez. Um elogio rasgadíssimo.

A Pó dos Livros foi parcialmente acarinhada por este mainstream bloguístico, ao contrário, por exemplo, da Trama, sistematicamente votada ao esquecimento.

Mas valores mais altos se alevantam, e nem esse carinho chega...

É preciso, por exemplo, uma lei sobre o preço de distribuição dos livros pode tentar disciplinar o far-oeste que se tornou o mercado do livro em Portugal

Porque os livros não são artigos quaisquer.

Todos os bancos são obrigados a fornecer dinheiro nos seus ATM's em iguais condições. Porque não as distribuidoras e editoras? Porque é que a encomenda de um livro da FNAC tem direito a um tipo de desconto e uma encomenda da Pó dos Livros direito a outro tipo de desconto?

Pó dos Livros disse...

Caro Rui Pedro Lérias,

«Todos os bancos são obrigados a fornecer dinheiro nos seus ATM's em iguais condições. Porque não as distribuidoras e editoras? Porque é que a encomenda de um livro da FNAC tem direito a um tipo de desconto e uma encomenda da Pó dos Livros direito a outro tipo de desconto?»
A Pó dos Livros nem pedia tanto. Já se contentava com: encomedas iguais em número, descontos iguais em percentagem. ;)

Jaime