terça-feira, junho 1

Dia Mundial da Criança


De manhã, a caminho da escola.

- Pai, sabes que hoje é o Dia Mundial da Criança?
- Sim, sei.
- Compras-me uma prenda?
- Não!
- Puxa, pai!
- Pronto, só se for um livro.
- Oh... é sempre a mesma coisa.

Nota: Onde foi que eu errei?

Jaime Bulhosa

6 comentários:

Ana Teresa Diogo disse...

E eu?... O meu filho de 18 anos, que frequenta o 11º ano, leu as primeiras 200 páginas de "Os Maias" e passou ao "fast food" dos resumos, substância tóxica a que a maioria dos estudantes recorrem. Consola-me ter gostado muito de "Uma Abelha na Chuva2!

Pó dos Livros disse...

Ana Teresa Diogo,

Tem graça o meu filho fez exactamente o mesmo. Será que são colegas? ;))))

Jaime

José Cipriano Catarino disse...

É como com a sopa, com a fruta: continue, que acabará por gostar. E se não vier a gostar, pelo menos não terá a desculpa do meio familiar.
Ana: o problema é que Os Maias são a primeira obra de leitura obrigatória! Até ao 11º ano, o aluno não faz um percurso que possa, eventualmente, tornar essa obra apetecível. A literatura foi quase completamente expurgada dos programas de Português. E para o ano, Memorial do Convento. Nada mais adequado para jovens (não falo dos V/ filhos) sem hábito, sem treino de leitura. Ora as questões do exame nem sequer exigem a leitura da obra. É natural que os miúdos se defendam como podem, com sebentas e peças de teatro.

Mendez disse...

Dêem os Parabéns aos vossos filhos. Eles merecem!

Eu na altura nem consegui passar da quinta página - passei logo as Edições Sebentas e afins.

José Cipriano Costa: O problema é que nem todos gostamos das mesmas coisas. Quanto ao Memorial do Convento também fui obrigado a tragá-lo no 10º Ano e o resultado foi um esforço horrível - parecia a luta da Mafalda (do Quino) com a sopa.

Não obstante por essa altura já tinha lido A Mãe, Infância, Ganhando o Meu Pão e a Família Artamonov de Maximo Gorky, Ressureição de Tolstoi e muita literatura (que dirá de menor importância) como as histórias de Sherlock Holmes, ou a ficção científica de Asimov e Philip K. Dick.

Nem todos damos para doutores e engenheiros é uma pena.

José Cipriano Catarino disse...

Ainda bem que todos temos gostos diferentes -- longe de mim defender o contrário. Só tentei dizer (i) que vale a pena insistir com os jovens para que leiam e (ii) que certas leituras obrigatórias surgem desgarradas nos programas actuais de Português. Isto nada tem a ver com doutores e engenheiros. Lembro-me de que quando a minha filha mais nova estava na adolescência -- hoje é engenheira -- insisti com ela para que lesse A Morgadinha dos Canaviais. Quando, dias depois, lhe perguntei como ia a leitura, respondeu: "Não li nem vou ler. Porque já li 8 páginas e ainda vêm a descer a ladeira." Isto confirma, parece-me, a opinião de Mendez: o importante é que se goste daquilo que se lê.

Mendez disse...

Ora aí está um tema que eu acho bastante curioso: "leituras obrigatórias surgem desgarradas nos programas actuais de Português". Eu já deixei o 12º ano à mais de uma década mas pelo que vejo continuasse a bater nos mesmos. Não será altura de se mudarem as obras a serem estudadas.