segunda-feira, junho 7

Imbeciclopédia VII


Acredito que existem pelo menos duas coisas que são infinitas, o universo e a estupidez humana, e em relação à primeira tenho algumas dúvidas.

Albert Einstein


As coisas que lemos:


A Birmânia (hoje Mianmar) é um país onde a adivinhação é uma arte praticada por muita gente. Diz-se que os birmaneses, por se encontrarem geograficamente entre a China e a Índia, as duas grandes fontes dessa tradição, foram particularmente hábeis em combinar a sabedoria oculta desses vizinhos, fazendo com que os seus mestres, ainda hoje, tenham grandes «poderes».
Em tempos recentes, a astrologia e as práticas ocultas também foram determinantes para a vida de Ne Win (Chefe de Estado da Birmânia entre 1958-1988) e para a sobrevivência da sua ditadura militar. Como acontece com a maior parte dos povos asiáticos, também os birmaneses crêem que um facto não é inevitável e que o vaticínio de uma desgraça permite que ela seja evitada por quem devia ser atingido por ela. Não só granjeando boas acções, mas também fazendo com que aconteça qualquer coisa que aparentemente seja semelhante à desgraça prevista e que por isso satisfaz, digamos assim, as exigências do Destino. Ne Win foi um mestre dessa arte.
Uma vez, por exemplo, um dos astrólogos de confiança de Ne Win aconselhou-o a precaver-se contra um perigo grave: a direita revoltar-se-ia inesperadamente e ele seria deposto. Ne win, então, deu ordens para que de um dia para o outro se começasse a conduzir pela direita e não pela esquerda, como acontecia desde o tempo dos ingleses. Todo o país ficou baralhado, mas com esta «sublevação de direita» a profecia, à sua maneira, concretizou-se e ele evitou a revolta «autêntica». Em 1988 o mesmo astrólogo advertiu Ne Win de que o país estava à beira de uma grande catástrofe: as ruas da capital cobrir-se-iam de sangue e ele seria obrigado a fugir do país. Quando, pouco tempo depois, com o massacre de milhares de estudantes, as ruas de Rangum se cobriram efectivamente de sangue, Ne Win compreendeu que a segunda parte da profecia em breve se realizaria também e que precisava de encontrar uma escapatória. O próprio astrólogo lha sugeriu. Dado que em birmanês, de certo modo como em inglês, o verbo «fugir» é semelhante ao verbo «voar», o presidente não teria de «fugir» se, vestido como um dos grandes reis do passado, fosse capaz de «voar» até aos lugares mais remotos do país montado num cavalo branco. Fácil Ne Win pegou num cavalo de madeira (um cavalo de verdade seria perigoso), mandou pintá-lo de branco, meteu-o num avião, subiu-lhe para a garupa vestido como um rei dos antigos e voou até aos quatro cantos da Birmânia.
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Nota: Por mais incrível que pareça, esta história é verdadeira.

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