segunda-feira, junho 7

Um dia difícil


- Por favor, eu queria aquele livro?...

- Olhe! Desculpe, mas eu estava primeiro e também quero esse livro.

- Desculpe, mas não estava!

- Estava sim senhor!

- Já lhe disse que NÃO ESTAVA!

- AI ISSO É QUE ESTAVA!

- Perdão… perdão… PERDÃO MEUS SENHORES!

Fez-se silêncio.

- Sou eu quem está a atender. Por isso, sou eu quem sabe quem estava primeiro.

- Então diga lá, quem estava primeiro?

Pergunta um dos clientes beligerantes.

- Bem, para dizer a verdade… estava de costas quando os senhores entraram.

- EU NÃO DISSE SEU ANORMAL!

- A QUEM É QUE CHAMOU ANORMAL! SEU IDIOTA!

- IDIOTA EU, EU?!... VOCÊ É QUE É UM...

O livreiro numa última tentativa desesperada:

- MEUS SENHORES, PAZ! ‘’


‘’ PAZ: Do castor lê-se que quando é perseguido, sabendo ser pela virtude dos seus medicinais testículos, e se já não puder fugir, detém-se e, para conseguir a paz com os caçadores, com os seus cortantes dentes arranca os testículos, e deixa-os ao inimigo.

Da Vinci, Leonardo, Bestiário, Fábulas e Outros Escritos, BI.026 (2007)

Jaime Bulhosa

Um comentário:

Margarida disse...

Credo!
Tão radical, não... :)
Um sistema de tickets, como no talho- afinal, os livros também são de se comer.