sexta-feira, julho 9

Capricho juvenil

…Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.

Assis, Machado, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Relógio D’Água 2008


Um cliente de cartão-jovem e borbulhas na cara, estende ao livreiro um papel enfeitado com um título de livro escrito a tinta cor-de-rosa.

- Por favor, eu queria este livro que a minha namorada me pediu para comprar?

- Com certeza, só um momento.

Passado, não mais que uns segundos.

- Aqui tem.

- Faça um embrulho de oferta e diga-me, por favor, quanto devo?

- 30 euros.

- Tem a certeza?

- Absoluta.

O cliente engole em seco, perde o equilíbrio e com uma voz trémula, desabafa:

- Glup! O amor é cego...

- Não diga isso.

- Não o digo por não ter olhos. Não estava à espera que o amor custasse os olhos da cara. A brincar... a brincar e, em quinze dias, já lá vão 100…


Jaime Bulhosa

2 comentários:

fallorca disse...

É o que dão as brincadeiras, fiufiu...

Kássia Kiss disse...

Ninguém o obriga...