sexta-feira, agosto 20

Aléksei K. Tolstói e Ivan Turguéniev

Aleksei Konstantinovitch Tolstói dá-nos aqui duas histórias de amor envoltas no ambiente do mito vampírico: O Vampiro (Upir), de 1841, e, mais ou menos da mesma época mas nunca publicada em vida do autor, A Família do Vampiro (Semiá Vurdalaka). Os títulos russos contêm duas palavras para a mesma “realidade”. Para avaliarmos a importância destas histórias no panorama literário e imagético mundial, não esqueçamos que, na época, este mito tinha apenas bases e contornos folclóricos e não era ainda um fenómeno cultural de massas, datando do período pré-Drácula de Bram Stoker.

Biografia: Aleksei Konstantinovitch Tolstói (1817-1875) nasceu em Petersburgo numa família da alta aristocracia, foi companheiro de infância do futuro imperador Alexandre II, o Libertador. Educado em casa, entrou aos 16 anos para o serviço público nos Arquivos de Moscovo. Estudou na Universidade de Moscovo, onde absorveu as ideias da filosofia idealista alemã. Foi o primeiro dos Tolstói (o segundo foi Lev, o de Guerra e Paz), mas não há provas de que exista qualquer relação de parentesco entre as duas famílias. Muito interventivo política e socialmente, foi um crítico mordaz da opressão política e da inépcia das autoridades, mas também do materialismo vulgar dos revolucionários russos, conseguindo ser mal visto tanto pela direita como pela esquerda.



Nasci há trinta anos, filho de proprietários rurais bastante ricos. O meu pai era um jogador apaixonado; a minha mãe era uma senhora de carácter… uma senhora muito virtuosa. Mas não conheci nenhuma mulher a quem a virtude proporcionasse menos satisfação. Oprimida sob o fardo das suas qualidades, atormentava toda a gente, a começar por si própria.

Biografia: Ivan Sergeyevich Turguéniev nasceu em Orel no Império Russo a 9 de Novembro de 1818. A sua Obra-Prima Pais e Filhos é considerada uma das grandes marcas do século XIX. Aos 25 anos, com a publicação de Parasha obteve, pela primeira vez, a atenção da crítica. Com os romances Rudin, Gnedo, Dvorianskoe e Nakanune deixa a sua marca literária com o mérito de ter sido o primeiro escritor russo com reconhecimento considerável na Europa Ocidental. É também conhecido como o inventor do termo nihilista. Termo esse que aplicou ao protagonista do romance Ottsy I Deti e que acabou por chegar aos nossos dias com o significado de ausência de sentido, finalidade ou resposta, aplicado a áreas tão diversas como a arte, as ciências humanas, a literatura, a ética ou a moral, entre outros. Em 1862 na sequência da publicação de Ottsy I Deti e da controvérsia à sua volta gerada, abandona a Rússia e, após passagens pela Alemanha e Inglaterra, estabelecesse-se em Bougival, arredores de Paris, onde acabaria por morrer em 3 de Setembro de 1883.

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